REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/fa10202506151743
Millena Serra Souza1, Danilo Faria Caetano2, Nelson Rodrigues Tourinho3, Diego Lobo Maeda4, João Marcos Peixoto de Morais5, Pedro Henrique Alves Ribeiro6, Matheus José de Carvalho7
RESUMO
O uso da manufatura aditiva, notadamente a impressão 3D, revolucionou a criação de dispositivos médicos sob medida, disponibilizando alternativas viáveis, ágeis e exatas para diferentes campos da medicina, inclusive a reabilitação funcional. Este estudo buscou criar, examinar e produzir uma órtese individualizada para o dedo indicador, com o intuito de fornecer amparo biomecânico e funcional durante a recuperação de lesões nas articulações ou tendões. A metodologia envolveu uma perspectiva variada, começando com o estudo anatômico e biomecânico do dedo indicador, seguido por aconselhamento técnico com um profissional de fisioterapia para identificar clinicamente as maiores necessidades dos pacientes. O design da órtese foi desenvolvido no programa SolidWorks, levando em conta critérios de conforto, imobilização seletiva e adequação anatômica. Depois, uma análise estrutural foi efetuada usando o método dos elementos finitos (FEA), empregando a resina fotopolimerizável PrintaX Blue-405, cujas qualidades mecânicas asseguram firmeza e segurança no uso constante. Os resultados da simulação revelaram uma tensão máxima de 10,85 N/m², bem abaixo do limite do material, e um deslocamento insignificante, comprovando a resistência e durabilidade do projeto. A impressão foi executada em uma impressora Anycubic Photon, com um custo total inferior a R$ 6,00 e um tempo de produção de aproximadamente 6 horas. O dispositivo exibiu fidelidade geométrica ao modelo CAD, um acabamento superficial adequado ao contato com a pele e a chance de ser ajustado conforme o progresso terapêutico. A proposta mostrou benefícios notáveis em relação às órteses tradicionais, como personalização anatômica, custo mais baixo, maior conforto e aplicabilidade clínica. Desse modo, o estudo evidencia a eficiência da união entre engenharia mecânica, impressão 3D e práticas de fisioterapia, auxiliando no progresso de soluções assistivas inovadoras e acessíveis na área da saúde.
Palavras-chave: Impressão 3D; Órtese personalizada; Reabilitação funcional; Análise estrutural; SolidWorks.
1. Introdução
A manufatura aditiva, em particular a impressão 3D, tem se estabelecido e ganhado destaque como uma tecnologia significativa e promissora no setor de saúde, como em campos de ortopedia e fisioterapia. Oferecendo soluções personalizadas de forma rápida, econômica e com elevada exatidão anatômica, adaptando-se ao caso de cada paciente. Seu uso aumentou consideravelmente na produção de órteses funcionais por prototipagem, devido à sua habilidade de se adaptar às exigências clínicas únicas de cada paciente (SANTOS et al., 2023).
Ademais, no âmbito da medicina, no ramo da fisioterapia e reabilitação da mão, a customização de dispositivos é indispensável, em especial no que diz respeito ao dedo indicador — uma estrutura vital para atividades que exigem precisão, movimento e manipulação delicada. A integração de tecnologias como a modelagem CAD e a análise estrutural por meio de elementos finitos (FEA) tem potencializado o desenvolvimento da criação de órteses que são mais eficazes, confortáveis e que atendem à realidade clínica (DUARTE, 2020).
Desse modo, esta pesquisa propõe o estudo e a criação de uma órtese sob medida para o dedo indicador, abrangendo desde a fundamentação biomecânica e clínica até a modelagem em 3D no software SolidWorks, simulação estrutural usando FEA, impressão 3D com resina fotopolimerizável juntamente com sua análise do desempenho técnico. O artigo também realiza uma comparação dos resultados com órteses convencionais, examinando fatores como custo benefício, exatidão e conforto ao cliente, além de indicar direções futuras para utilização clínica e aperfeiçoamentos estruturais.
2. METODOLOGIA
O processo de criação da órtese digital para o dedo indicador seguiu uma série de etapas interligadas, combinando conhecimentos de anatomia funcional, engenharia mecânica, projeto auxiliado por computador (CAD), simulação estrutural, manufatura aditiva e aconselhamento clínico especializado. O objetivo principal foi criar um dispositivo terapêutico sob medida, com bom desempenho mecânico, custo de produção acessível e conforto para uso contínuo. Assim, a metodologia se divide nas seguintes fases: embasamento biomecânico e clínico, modelagem digital, simulação estrutural, fabricação aditiva e critérios iniciais de avaliação funcional.
Fundamentação Biomecânica e Clínica
Inicialmente, foi realizada uma revisão teórica sobre a biomecânica do dedo indicador, considerando seu papel crucial em funções de manipulação precisa, como digitar, escrever e segurar objetos. Segundo Semedo (2019), a estrutura articular do dedo compreende três falanges (proximal, média e distal) e três articulações (MCF, IFP e IFD), coordenadas por tendões flexores profundos e extensores dorsais. Estruturas como as articulações metacarpofalângica, interfalângica proximal e distal, assim como os tendões flexores e extensores, foram analisadas com base em estudos (RABELO et al., 2007; DUARTE, 2020). Portanto, a mobilidade dessas articulações permite amplos movimentos de flexão, extensão, abdução e adução. A biomecânica do dedo indicador foi minuciosamente estudada para sustentar o desenvolvimento da órtese. Essa abordagem permitiu considerar os eixos de movimento e a distribuição de carga, fundamentais para o projeto desta órtese.
Com base nos estudos, notou-se que movimentos repetitivos ou problemas pós-traumáticos nessas regiões exigem dispositivos que proporcionem imobilização seletiva ou mobilização assistida, conforme o estágio da reabilitação indicada clinicamente (BEZ et al., 2021). Considerando os diversos modelos de órteses já documentados na literatura (Duarte, 2020; Oliveira et al., 2017; Rodrigues, 2024), optou-se por um modelo funcional com caráter dinâmico leve e ergonômico, capaz de estabilizar a articulação interfalângica distal, sem restringir completamente a metacarpofalângica.
Em seguida, buscando unir a prática clínica à engenharia mecânica, foi elaborada e conduzida uma entrevista estruturada com uma fisioterapeuta especializada, cujo parecer técnico destacou os principais desafios encontrados no uso de órteses convencionais: desconforto anatômico, limitação funcional pela falta de articulação, rigidez inadequada e pressão em pontos sobre proeminências ósseas. A profissional enfatizou que a preservação da flexão e extensão é crucial, especialmente em casos com amputações ou lesões tendíneas, e que órteses mal ajustadas frequentemente prejudicam a reabilitação em vez de ajudá-la. Com base nessas informações, o objetivo é desenvolver de forma inteligente uma órtese que alcance resultados positivos e crescentes.
Modelagem Digital da Órtese (CAD)
A fase de concepção tridimensional e desenho foi conduzida no software SolidWorks 2021, reconhecido por sua eficiência na criação de modelos paramétricos com precisão dimensional (Santos et al., 2021; Weigert, 2017). O modelo foi baseado em medidas anatômicas médias do dedo indicador, com espessura de parede variando entre 1,5 mm e 3,0 mm, conforme a análise prévia das regiões de carga e necessidade de flexibilidade.
O design contemplou:
- Aberturas distribuídas para ventilação e redução de peso;
- Áreas reforçadas nas regiões de apoio sobre as falanges proximal e média;
- Estrutura ergonômica ajustada ao contorno do dedo;
- Bordas suavizadas para evitar desconfortos em tecidos moles.
- O modelo digital foi exportado em formato. STL (Standard Triangle Language), que armazena as informações geométricas em malha triangular, compatível com softwares de fatiamento utilizados em impressão 3D (Figueiredo e Cesar, 2022).
Tabela 1: Informações do modelo

Tabela 2: Propriedades do material

Tabela 3: Propriedades do estudo

Tabela 4: Unidades

Tabela 5: Informações de malha

Tabela 6: Informações de malha – Detalhes

Tabela 7: Acessórios de fixação e Cargas

Desse modo, foram utilizados modelos de inspiração, desenvolvidos e adaptados. Para depois ser desenhado da maneira que foi analisada como mais propícia para encaixe e impressão. Sendo possível ter todas as informações fornecidas pelo desenvolvimento do estudo e do próprio software SolidWorks.
Análise Estrutural com Elementos Finitos (FEA)
Para verificar o desempenho mecânico da órtese sob condições de uso real, foi realizada uma análise por elementos finitos (FEA) no SolidWorks Simulation. A análise teve caráter estático linear, com malha sólida refinada baseada em curvatura, resultando em 56.086 nós e 33.168 elementos, o que garantiu a precisão nos cálculos. As propriedades mecânicas aplicadas foram baseadas na resina fotopolimerizável PrintaX Blue-405, que pode ser achada por R$ 180,00, cada 500g conforme especificações do fabricante (PRINTAX, 2025). Com comportamento elástico linear isotrópico:
- Módulo de elasticidade: 9,79 × 10⁸ N/m²;
- Resistência à tração: 44,15 MPa; •
- Limite de escoamento: 30 MPa;
- Coeficiente de Poisson: 0,35.
As condições de contorno e carregamento incluíram:
- Fixação rígida na superfície da falange proximal;
- Aplicação de pressão de 10 N/m² na extremidade distal;
- Consideração da gravidade no eixo Z (-9,81 m/s²).
A análise retornou tensões de Von Mises máximas de 10,85 N/m², deslocamento máximo de 1,79 × 10⁻⁸ mm e deformações equivalentes inferiores a 1 × 10⁻⁸. Além disso, os valores obtidos demonstram que a estrutura possui resistência suficiente para cargas fisiológicas, com baixo risco de deformação crítica, contribuindo com a viabilidade do projeto segundo os critérios de Santos e Brendler (2024).
Fabricação por Impressão 3D (Manufatura Aditiva)
O uso da impressão 3D traz vantagens significativas comparado aos métodos tradicionais de moldagem manual (FIGUEIREDO e CESAR, 2022; OLIVEIRA et al., 2017), como redução de tempo de produção, menor custo e maior possibilidade de personalização e iteração. A fase de prototipagem para começar a execução, foi realizada com tecnologia de impressão por fotopolimerização (LCD), utilizando a impressora Anycubic Photon e o software de fatiamento Chitubox. Os parâmetros de impressão definidos foram:
- Altura da camada: 0,05 mm;
- Tempo de exposição normal: 10 s;
- Exposição da base: 100 s;
- Velocidade de elevação: 65 mm/min;
- Velocidade de retração: 150 mm/min;
- Volume de resina utilizado: 25,88 ml;
- Tempo total de impressão: 6 horas e 28 minutos;
- Peso da peça: 28,47 g;
- Custo estimado de material: R$ 5,18.
A precisão da impressão permitiu que todos os detalhes projetados no modelo CAD fossem reproduzidos com exatidão. As estruturas ventiladas nas laterais, variações de espessura e filetes anatômicos foram impressos sem necessidade de retrabalho ou pós-processamento adicional. Esse nível de controle no processo garante não apenas a funcionalidade biomecânica, mas também o conforto do usuário final, o que se caracteriza como um aspecto essencial na adesão ao uso contínuo da órtese. Por fim, a perspectiva de evolução tecnológica aponta para a integração de materiais mais sustentáveis, eletrônica embarcada e sensores de biofeedback, alinhando-se às tendências atuais de dispositivos médicos inteligentes.
Tabela 8: Parâmetros de Impressão

A escolha da resina fotopolimerizável se justifica pela sua alta resolução, excelente seguimento dimensional e superfície lisa, características que são fundamentais para dispositivos de contato direto com a pele (Rodrigues, 2024; Oliveira et al., 2023). Diferente dos termoplásticos como PLA ou ABS utilizados em FDM, a resina oferece maior definição, o que reduz a necessidade de pós-processamento.
Classificação, Aplicação e Critérios de Avaliação Funcional
A órtese projetada foi classificada segundo a nomenclatura técnica internacional como FO (Finger Orthosis), voltada à articulação interfalângica distal, com estrutura parcialmente rígida e perfil funcional leve. Trata-se de uma órtese com caráter funcional e dinâmico leve, que conta com a possibilidade de ser ajustada em versões futuras com articulação móvel ou sistema elástico, sendo um protótipo versátil. Embora a avaliação clínica formal ainda esteja em fase de planejamento, os critérios de eficácia definidos para aplicação futura incluem:
- Compatibilidade anatômica e ausência de dor;
- Estabilidade articular durante a manipulação;
- Preservação da amplitude de movimento funcional;
- Boa aceitação sensorial (conforto térmico, ausência de atrito);
- Facilidade de colocação e retirada pelo próprio paciente (autonomia).
Referências como Duarte (2020), Oliveira et al. (2017) e Weigert (2017) indicam que o sucesso funcional das órteses impressas está diretamente relacionado ao equilíbrio entre resistência mecânica, ergonomia e personalização anatômica — aspectos que foram centrais na desenvoltura deste projeto.
3. Resultados e Discussões
O presente estudo teve como objetivo o desenvolvimento e a análise estrutural de uma órtese personalizada para o dedo indicador, fabricada por impressão 3D. A proposta visou atender às exigências clínicas médicas da reabilitação funcional, com ênfase no conforto anatômico, resistência mecânica e viabilidade de produção sob demanda. Os resultados e discussões a seguir, são divididos entre os aspectos estruturais, clínicos e tecnológicos.
Análise Estrutural: Simulação por Elementos Finitos (FEA)
Para validar o desempenho mecânico da órtese desenvolvida, foi realizada uma simulação computacional utilizando o método dos elementos finitos (FEA – Finite Element Analysis), técnica amplamente utilizada na engenharia para prever o comportamento estrutural de componentes sob diferentes condições de carregamento. O FEA funciona, quando se divide a geometria tridimensional da peça em pequenos elementos interconectados (malha), permitindo a análise detalhada da distribuição de tensões, deslocamentos e deformações quando a peça é submetida a forças externas.
A análise foi conduzida no SolidWorks Simulation, utilizando uma malha sólida refinada baseada em curvatura, composta por 56.086 nós e 33.168 elementos. O modelo adotou um regime estático linear com propriedades elásticas lineares isotrópicas correspondentes à resina PrintaX Blue-405. A simulação revelou uma tensão de Von Mises máxima de 10,85 N/m², valor significativamente inferior ao limite de escoamento da resina (30 MPa). Esse resultado é a confirmação de que a órtese projetada é estruturalmente segura para suportar as forças comuns durante o uso funcional diário. O deslocamento máximo registrado foi de apenas 1,79 × 10⁻⁸ mm, o que demonstra elevada rigidez estrutural. Essa característica é fundamental para garantir a imobilização seletiva das articulações interfalângicas proximal (IFP) e distal (IFD), sem comprometer a estabilidade ou conforto do usuário. Além disso, a deformação equivalente observada, próxima de 9,46 × 10⁻⁹, indica que a órtese mantém sua integridade dimensional sob carga fisiológica, reforçando sua eficácia biomecânica.
Imagem 1: Desenho do protótipo no SolidWorks

Tabela 9: Forças resultantes

Tabela 10: Forças resultantes




Fonte: Simulação SolidWorks Autoral
Esses dados implementam as pesquisas de Duarte (2020) e Costa et al. (2018), que validaram modelos semelhantes por FEA e identificaram a importância de reforços localizados nas regiões de maior carga. Como também reforçam as observações clínicas e mecânicas de que uma órtese eficiente precisa evitar colapsos estruturais, mesmo sob uso prolongado.
Impressão e Fidelidade do Protótipo
A produção da órtese foi bem-sucedida ao usar uma Anycubic Photon com tecnologia LCD, empregando configurações ideais para resina fotossensível. O processo levou 6 horas e 28 minutos, gastando 25,88 ml de resina, resultando em um custo de R$ 5,18, uma quantia bem menor se comparada aos métodos convencionais.
Em termos visuais, o protótipo exibiu uma precisão notável em relação ao design do CAD. As áreas de ventilação, suportes e diferentes espessuras foram impressos com exatidão, eliminando a necessidade de ajustes adicionais, confirmando a eficácia da fotopolimerização para peças anatômicas. A qualidade da superfície superou a dos processos FDM, com contornos nítidos, sem excessos de material e uma textura regular, o que facilita o contato direto com a pele sem causar atrito, incômodo ou rachaduras.
Além disso, a estrutura leve e ventilada da órtese promove a higiene da área durante o uso contínuo, permitindo que a pele respire e evitando o acúmulo de umidade, um ponto crucial para evitar ferimentos por pressão, inflamações e infecções fúngicas. A união entre a firmeza estrutural e o conforto anatômico é um grande benefício para a aceitação e auxílio no tratamento de fisioterapia, já que órteses inadequadas podem causar dores ou serem recusadas pelo paciente.
A capacidade de produzir de forma rápida e personalizada também se destaca como um avanço importante: mudanças no design podem ser facilmente feitas no arquivo CAD e reimpressas rapidamente, permitindo adaptações de acordo com o progresso do paciente. Assim, essas características tornam a ideia prática para ser utilizada em ambientes médicos, como centros de reabilitação, hospitais, centros de próteses e universidades, ampliando o acesso a dispositivos precisos a um custo acessível.
Imagem 2: Impressão do protótipo na Impressora Anycubic Photon

A escolha do material também foi fundamental: segundo Oliveira et al. (2023) e Rodrigues (2024), a resina oferece acabamento superficial liso, boa resistência a microdeformações e elevada biocompatibilidade, atributos indispensáveis para dispositivos em contato direto com a pele.
Considerações Clínicas e Funcionais
A pesquisa técnica realizada com a fisioterapeuta especialista revelou diversos aspectos clínicos essenciais. Entre os desconfortos mais comuns em órteses comerciais, destacaram-se: rigidez excessiva, limitação de movimento, má adaptação ao dedo e presença de zonas de atrito. Esses pontos foram abordados diretamente no design proposto, por meio de:
- Estrutura anatômica personalizada;
- Zonas de alívio e filetes de conforto;
- Segmentação funcional com imobilização seletiva;
- Uso de resina de alta resolução para evitar rebarbas.
Além disso, a profissional também reforçou que a flexão e a extensão são os movimentos mais críticos na reabilitação do dedo indicador, por dependerem de complexas interações musculotendíneas. A órtese projetada foi estudada e desenvolvida com foco no suporte dessas funções, especialmente em casos de trauma ou cirurgia. O bloqueio da IFD com preservação da MCF permite estímulo motor controlado, favorecendo reabilitação ativa sem perda funcional. Tais conclusões estão em linha com os estudos de Santos et al. (2021), que destacam a importância de se considerar a estrutura articular e o perfil patológico do paciente ao desenvolver órteses personalizadas. O estudo atual enfatiza que a impressão 3D permite personalização anatômica com impacto direto na recuperação funcional e na adesão ao tratamento (Weigert, 2020; LUMEUFRGS, 2023).
Comparativo com Órteses Convencionais
As órteses tradicionais são geralmente confeccionadas a partir de materiais termoformáveis como PVC ou termoplástico de baixa temperatura, exigindo moldagem manual, que compromete a precisão e eleva o custo. Todavia, o dispositivo desenvolvido neste projeto apresentou:
Tabela 11: Comparativo técnico entre órtese desenvolvida por impressão 3D e órtese convencional artesanal

Estes dados reforçam o argumento de Rodrigues (2024) e Silva et al. (2020) sobre o potencial da manufatura aditiva como uma alternativa superior em termos de custo, precisão e agilidade de produção, especialmente em contextos de baixa complexidade clínica com alta demanda funcional.
Perspectivas Futuras e Inovações Possíveis
Embora os resultados iniciais sejam animadores, a aplicação da órtese em ambientes clínicos ainda depende de avaliações com pacientes e otimizações baseadas em testes práticos. Para o futuro, planejamos aperfeiçoamentos como: juntas flexíveis com molas ou dobradiças, como nas órteses de extensão assistida (Costa et al., 2018); emprego de materiais compósitos como TPU e fibras naturais para um design mais leve e ecológico (Oliveira et al., 2023); inclusão de sensores mioelétricos, como mencionado na conversa com o médico, para acompanhar a evolução e facilitar o movimento; e estudos de calor e durabilidade do material impresso em simulações de longo prazo, pensando no uso contínuo.
Considerações Finais Preliminares
Os resultados até o momento mostram que a órtese desenvolvida e produzida via impressão 3D cumpriu todos os requisitos de força, conforto e adequação ao uso. A união da modelagem com análise FEA, da opinião do médico e da tecnologia de ponta na produção, possibilitou a criação de um dispositivo promissor para fins terapêuticos. Desse modo, o método utilizado pode inspirar futuros projetos de órteses sob medida, com chances de aplicação clínica, didática e comercial, principalmente na reabilitação dos membros superiores.
4. Conclusão
Criar uma órtese sob medida para o dedo indicador usando a impressão 3D provou ser uma solução eficaz, segura e acessível, com grande potencial para ser usada na reabilitação da saúde. A união da engenharia mecânica, do conhecimento de fisioterapia e da produção aditiva gerou um aparelho aprimorado não só na estrutura, mas também na ergonomia, anatomia e função.
O método usado — que foi do estudo biomecânico detalhado à análise estrutural por elementos finitos (FEA) e à validação pela impressão real — assegurou a eficiência e resistência da órtese em condições normais. A resina fotopolimerizável (PrintaX Blue-405) mostrou ótimo desempenho, tanto no acabamento quanto na resposta mecânica, com tensões e deformações mínimas na simulação. O custo total de menos de R$ 6,00 e o tempo curto de fabricação reforçam a viabilidade da ideia, principalmente se comparada às órteses manuais, que levam mais tempo, custam caro e têm pouca precisão.
Usar a modelagem paramétrica por CAD e a simulação FEA antes da impressão foi essencial, pois trouxe previsibilidade e segurança ao projeto, algo que falta nos métodos manuais. Além disso, conversar com uma fisioterapeuta ajudou a alinhar o design técnico com as necessidades clínicas, aprovando a proposta em relação ao conforto, leveza, adaptação e função do aparelho.
A análise comparativa mostrou que a órtese criada tem vantagens em personalização, custo, tempo de produção, acabamento e capacidade de mudança. Com esses resultados, o estudo confirma que a impressão 3D pode ser usada para criar aparelhos assistivos sob medida, superando barreiras que limitam o acesso a tecnologias de reabilitação de qualidade.
Para o futuro, sugere-se fazer testes clínicos com pacientes para avaliar a aceitação, durabilidade no uso contínuo e efeitos a longo prazo. Também é possível aprimorar o projeto para órteses dinâmicas, com partes móveis ou flexíveis (como TPU), e aplicar em outras partes do corpo.
Dessa forma, o presente estudo comprova não só que a ideia funciona tecnicamente, mas também ajuda a espalhar soluções tecnológicas novas e que incluem a todos na área da saúde. A parceria entre a engenharia e a medicina tem se mostrado cada vez mais importante para criar uma reabilitação mais correta, fácil de alcançar e que foque no que os pacientes realmente precisam. Além disso, reforça como pode ser usado na prática em locais como clínicas, escolas e reabilitação física, podendo melhorar diretamente a vida das pessoas.
5. Referências
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WEIGERT, M. C. Método de desenvolvimento de órtese personalizada de baixo custo para a manufatura aditiva. 2017. Dissertação (Mestrado) – Universidade Tecnológica Federal do Paraná, 2017.
1Centro Universitário de Anápolis – UniEVANGÉLICA. Milla11soouza@outlook.com
2Centro Universitário de Anápolis — UniEVANGÉLICA. danilofaria12@gmail.com
3Centro Universitário de Anápolis – UniEVANGÉLICA. Tourinhonelson@gmail.com
4Centro Universitário de Anápolis – UniEVANGÉLICA. diegolobomaeda@gmail.com
5Centro Universitário de Anápolis – UniEVANGÉLICA. joaompeixotomorais@gmail.com
6Centro Universitário de Anápolis – UniEVANGÉLICA. Pedroribeiro.phar@gmail.com
7Centro Universitário de Anápolis – UniEVANGÉLICA. matheusjcarvalho@gmail.com
