REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ch10202511301218
Josias Ribeiro Diniz
Co-Autor(a): Prof.ª Msc.Caroline Gomes Carvalho
RESUMO
A recuperação das arcadas dentárias com ausência de dentes é vista como um reforço de todos os tratamentos curativos e preventivos para instituir e melhorar as condições de saúde oral. A Prótese Parcial Removível (PPR) destina-se a restabelecer as funções fonética, estética e mastigatória que foram diminuídas pela perda de dentes. Apesar de proporcionar a reabilitação de elementos ausentes e estruturas anexas de uma só vez, esta é uma das reabilitações mais complexas que existe, exigindo vários passos para a sua confecção. O objetivo deste trabalho é descrever o planejamento de próteses parciais removíveis pelo cirurgião-dentista em modelos de trabalho recebidos no laboratório de prótese, por meio de uma revisão bibliográfica. Foram realizadas buscas bibliográficas nas bases de dados: Scientific Electronic Library Online (Scielo), PubMed Central e Literatura-Americana em Ciências da Saúde (Lilacs), utilizando as palavras chaves (DeCS): “Planejamento”, “Prótese Parcial Removível”, “Prótese Dentária”. O planejamento protético diz respeito à programação de forma ordenada dos passos referentes à execução clínica e laboratorial dos trabalhos restauradores protéticos. Pode-se assim considerar que a comunicação entre dentistas e Técnicos de Prótese Dentária tem ainda muitas falhas e, assim, é de interesse determinar de que maneira está sendo realizado o planejamento e se os modelos enviados apresentam qualidade aceitável para a confecção laboratorial das próteses.
Palavras Chaves: Planejamento de Prótese Dentária. Prótese parcial removível. Prótese dentária.
ABSTRACT
The recovery of dental arches with tooth absence is seen as a reinforcement of all curative and preventive treatments to institute and improve oral health conditions. The Partial Removable Prosthesis (PRP) is intended to restore the phonetic, aesthetic and masticatory functions that have been diminished by tooth loss. Although providing the rehabilitation of missing elements and attached structures at one time, this is one of the most complex rehabilitations that exist, requiring several steps for its manufacture. Thus, the main objective of this study is to describe the planning of partial removable dentures by the dental surgeon in work models received in the prosthesis laboratory, through a bibliographic review. Bibliographic searches were carried out in the databases: Scientific Electronic Library Online (Scielo), PubMed Central, and Latin American and Caribbean Health Sciences Literature (Lilacs), using the health science descriptors (DeCS): “Planning”, “Partial Removable Prosthesis”, “Dental Prosthesis”. Prosthetic planning refers to the orderly scheduling of steps related to the clinical and laboratory execution of prosthetic restorative works. It can thus be considered that communication between dentists and Dental Prosthesis Technicians still has many flaws, and therefore, it is of interest to determine in what way the planning is being carried out and if the submitted models present acceptable quality for the laboratory preparation of the prostheses.
Keyword: Dental Prosthesis Planning. Removable partial denture. Dental prosthesis.
1 INTRODUÇÃO
A perda de dentes é causada na maioria das vezes pela cárie e pela doença periodontal, ambas resultantes da acumulação de placa bacteriana. A recuperação das arcadas dentárias edêntulas é vista como um reforço de todos os tratamentos curativos e preventivos para instituir e melhorar a condição de saúde oral (STEGUN, 2013).
A Prótese Parcial Removível destina-se a restabelecer as funções fonética, estética e mastigatória que foram diminuídas pela perda de dentes. Apesar de proporcionar a reabilitação de elementos ausentes e estruturas anexas de uma só vez, esta é uma das reabilitações mais complexas que existem, exigindo vários passos para a sua confecção. Quando a Prótese Parcial Removível é mal planejada e mal executada, pode contribuir para que estas condições se agravem. É evidente que o tratamento protético visa não só a reconstituição dos dentes ausentes, mas também a preservação dos dentes remanescentes pelo maior tempo possível. Desse modo, a Prótese Parcial Removível não pode ser vista apenas como o preenchimento dos espaços edêntulos, conforme afirma a literatura (VIEIRA, 2016).
Quando se trata da preparação de uma Prótese Parcial Removível, a sistematização deste processo é realizada por uma tríade: Cirurgião-Dentista, Técnico em Prótese Dentária e paciente. A sustentação do processo engloba o Cirurgião-Dentista, proponente de todo o decurso das fases clínicas, com o auxílio do Técnico em Prótese Dentária, que se encaixa no procedimento laboratorial e, na base principal, o paciente, elemento que apresenta uma boca com sérios problemas de dentição (CARREIRO,2016). O Cirurgião-Dentista envolvido no processo de reabilitação dentária deve ser incumbido pelo projeto desta, cabendo ao Técnico em Prótese Dentária a responsabilidade sobre a composição do arcabouço preconizado pelo Cirurgião-Dentista, que fora previamente emitido com o projeto descrito (ABREU, 2025).
Entretanto, a comunicação entre Cirurgiões-Dentistas e Técnicos em Prótese Dentária ainda se mostra insatisfatória, sendo realizada, na maioria das vezes, por meio de contatos informais, como ligações telefônicas, em vez de através de documentação técnica padronizada e formalizada. Ademais, observou-se que muitos Técnicos em Prótese Dentária priorizam aspectos de natureza econômica em detrimento da responsabilidade ética e profissional, evidenciado pela não devolução de modelos com falhas de planejamento ou execução inadequada (VIEIRA, 2016).
Dessa forma, Segundo Ladehoff (2015), os fracassos das Próteses Parciais Removíveis são frequentemente consequência da ação destrutiva de próteses mal planejadas e executadas, observadas na boca dos pacientes algum tempo depois de sua instalação. Essas falhas podem ser de ordem biológica relacionada ao paciente e suas estruturas de suporte, ou de ordem protética (mecânica) relacionada ao material da prótese em si e na confecção laboratorial.
Logo, o objetivo deste trabalho foi descrever o planejamento de próteses parciais removíveis pelo Cirurgião-Dentista em modelos de trabalho recebidos no laboratório de prótese, ressaltando a importância da relação entre ambos os profissionais.
2 METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão de literatura narrativa. Para a elaboração desta análise literária, foi realizada uma pesquisa nas bases de dados científicas, utilizando as plataformas Scientific Electronic Library Online (Scielo), PubMed Central e Literatura-Americana em Ciências da Saúde (Lilacs). Foram utilizadas três nomenclaturas da área da saúde, consultadas nos descritores em ciência da saúde (DeCS): “Planejamento”, “Prótese Parcial Removível” e “Prótese Dentária”.
Como critérios de inclusão, foram utilizados artigos nacionais publicados em língua inglesa, disponíveis na íntegra, publicados no período de 2013 a 2025..
Foi realizada uma seleção, inicialmente verificando-se os títulos e artigos, e após isto foram selecionados os manuscritos que se encaixavam nos critérios de inclusão. Foram encontrados 71 artigos e 9 livros, que após a leitura de títulos e resumos, excluíram-se 41 artigos e 3 livros, sendo selecionados 13 artigos, 7 livros, 5 trabalhos de conclusão de curso, 1 tese e 1 dissertação, dos quais foram analisadas as características metodológicas, os resultados e a conclusão dos trabalhos, totalizando assim 27 referências para elaboração deste artigo, conforme demonstrado na Figura 1.
Figura 01 – Busca e seleção dos trabalhos.

Fonte: Autoria própria.
3 REVISÃO DE LITERATURA
3.1. Princípios mecânicos e biológicos da Prótese Parcial Removível
De modo a prevenir os danos aos dentes pilares, a Prótese Parcial Removível deve ser confeccionada de acordo com princípios mecânicos e biológicos que permitam função a longo prazo enquanto preserva a saúde das estruturas remanescentes: dentes e tecidos moles envolventes. As alterações nos dentes pilares devem-se também às forças excessivas e mal aplicadas. A estrutura protética deve ser programada de forma a permitir uma adequada distribuição das forças (evitando as forças horizontais, laterais e de torque nos dentes pilares) planejando o número e a localização dos apoios, o contorno e a rigidez dos conectores e a extensão da base protética (MARSON; PALUDO, 2014).
Assim, o trabalho da Prótese Parcial Removível, quando bem planejada, é minimizar os movimentos e neutralizar alguns tipos de forças. São três os principais movimentos que devem ser estudados, cada qual com princípios biomecânicos diferentes. Dessa forma, denominamos princípios biomecânicos de retenção as forças que atuam sobre a prótese no sentido cérvico oclusal, durante a mastigação de alimentos pegajosos. Suporte, referindo-se às forças ocluso cervical que ocorrem durante a mastigação de alimentos duros. E a estabilidade, que estuda as forças que ocorrem no plano horizontal, decorrente dos contatos dentais em planos inclinados (HIDALGO, 2013).
Deve-se ter em conta também que as resistências dos tecidos de suporte são bastante diferentes, principalmente no que diz respeito à diferença entre a mucosa de suporte protético e o dente pilar e que as áreas de suporte ósseo vão sendo progressivamente menores devido à reabsorção do rebordo residual. Em uma prótese dentro suportada a força deve ser transmitida numa direção paralela ao longo eixo do dente pilar, e isto só é conseguido através dos apoios (ALENCAR, 2016).
Os planos-guia são essenciais para estabilizar os dentes pilares e direcionar e reter a Prótese Parcial Removível. Por isso, é de extrema importância que o Cirurgião-Dentista faça o seu planejamento e os execute durante as fases de confecção da prótese dentária, independentemente da condição socioeconômica do paciente e mesmo que este não apresente possibilidade de reabilitação dos dentes pilares com coroas totais (MARSON; PALUDO, 2014).
Quando o preparo dos planos-guia é feito sobre superfícies de esmalte íntegro, o Cirurgião-Dentista deve tomar todas as precauções para que não se instalem posteriormente processos cariogênicos e marcar as consultas de controle atendendo também ao risco inerente ao paciente. A direção de inserção é definida a partir do estudo do modelo preliminar no delineador, o estudo e o mapeamento do modelo preliminar podem ser feitos tanto pelo Cirurgião-Dentista como pelo Técnico em Prótese Dentária (ALENCAR, 2014).
No caso de ser o Técnico em Prótese Dentária a fazer este estudo, é importante que as informações relevantes quanto à direção de inserção e à necessidade da preparação dos planos-guia e a sua direção sejam transmitidas de forma clara e inequívoca ao Cirurgião-Dentista, para que este consiga reproduzir em boca as alterações que foram executadas no modelo (GRASSI, 2014).
O planejamento protético constitui uma das etapas mais relevantes no processo de confecção de uma prótese dentária, pois dele depende a eficiência funcional e a longevidade do tratamento reabilitador. As leis biomecânicas devem ser devidamente compreendidas e aplicadas como fatores determinantes para o sucesso clínico. A biomecânica, nesse contexto, é responsável por regular a forma como as forças mastigatórias são transmitidas pela Prótese Parcial Removível e como essas cargas são absorvidas e distribuídas entre os dentes pilares e a fibromucosa, estruturas que apresentam características biológicas distintas. Dessa maneira, o organismo estabelece um limite de tolerância biológica, dentro do qual é possível manter o equilíbrio funcional e periodontal frente às cargas impostas pela prótese (GRASSI, 2014; LADEHOFF, 2015).
3.2. Planejamento para a Prótese Parcial Removível: Condições gerais
O planejamento inclui a programação de todos os tratamentos curativos, protéticos e preventivos necessários à reabilitação do paciente. O planejamento protético diz respeito à programação de forma ordenada dos passos referentes à execução clínica e laboratorial dos trabalhos restauradores protéticos. A literatura indica que este planejamento relaciona-se com dois fatores principais: a indicação ou contraindicação de um determinado tipo de prótese e, dependendo do tipo de prótese escolhida, a seleção dos dentes pilares e a determinação de modificações que devem ser introduzidas nesses elementos (BATISTA., 2014).
Dessa maneira, o Técnico em Prótese Dentária não possui a capacitação necessária para realizar o planejamento do posicionamento e da indicação dos grampos, bem como para determinar a localização ideal dos dentes pilares, uma vez que, em sua maioria, não detém conhecimento técnico-científico suficiente acerca da seleção e indicação dos grampos, tipos de selas e utilização do delineador. Todavia, observa-se que, em grande parte dos casos, os modelos de trabalho encaminhados aos laboratórios de prótese dentária para a confecção de Próteses Parciais Removíveis são devidamente planejados e preparados por Cirurgiões-Dentistas, demonstrando um nível satisfatório de responsabilidade e competência profissional (FRANCESQUINI, 2015).
A Prótese Parcial Removível representa, muitas vezes, uma alternativa terapêutica viável em virtude das condições socioeconômicas do paciente. Contudo, o sucesso do tratamento reabilitador com esse tipo de prótese não depende exclusivamente dos cuidados de higiene bucal diários realizados pelo paciente, mas também do trabalho integrado e dos objetivos comuns estabelecidos pela equipe odontológica, que deve priorizar não apenas a estética, mas também a funcionalidade e o bem-estar do paciente. Para tanto, a literatura ressalta que se torna indispensável um diagnóstico preciso, um planejamento criterioso, a preparação adequada dos dentes pilares e a confecção da prótese conforme os princípios biomecânicos não obstante, a importância da Prótese Parcial Removível como opção reabilitadora ainda é subestimada por alguns profissionais da odontologia, que frequentemente delegam ao Técnico em Prótese Dentária a responsabilidade pelo planejamento e pela execução do trabalho protético.
Assim, destaca-se a necessidade de valorização do planejamento na confecção das Próteses Parciais Removíveis durante a formação acadêmica e a atuação clínica do Cirurgião-Dentista, reforçando que o sucesso e a longevidade da reabilitação protética são atribuições diretas do profissional responsável pelo tratamento, e não exclusivamente do Técnico em Prótese Dentária (FRANCESQUINI; GONÇALVES, 2014).
3.3. Prótese Parcial Removível, modelos recebidos por laboratório: a qualidade faz o planejamento
Estudos conduzidos em diferentes laboratórios de prótese dental no Brasil demonstram que mais de 90% dos modelos destinados à fabricação de Próteses Parciais Removíveis não chegam com o preparo prévio de boca ou o planejamento do caso clínico devidamente realizados. Essa estatística pode ser o motivo pelo qual a Prótese Parcial Removível carrega um estigma histórico, sendo frequentemente vista apenas como uma alternativa provisória ou um tratamento de transição entre a prótese fixa e a prótese total (AGUIAR, 2017).
No planejamento de uma Prótese Parcial Removível, é fundamental que os apoios estejam corretamente assentados sobre os nichos preparados de forma adequada. Essa atenção é crucial para evitar o deslocamento da prótese no sentido ocluso-gengival durante a mastigação. A inobservância desse princípio biomecânico durante o planejamento ou a execução do trabalho protético pode levar ao deslizamento do dispositivo, resultando na compressão da barra, selas e conectores sobre os tecidos gengivais. Essa compressão é uma fonte potencial de alterações patológicas sérias no periodonto (LADEHOFF, 2015) .
A estabilidade da prótese é favorecida quando o apoio é posicionado na face mesial do dente pilar. Essa posição induz uma inclinação controlada em direção ao dente anterior, promovendo maior estabilidade protética e melhor distribuição das cargas funcionais. Em contrapartida, o apoio localizado distalmente pode aumentar a mobilidade do dente pilar, culminando em desarmonia oclusal e perda óssea alveolar (AGUIAR, 2017).
As selas e os conectores são vitais para a manutenção da integridade periodontal. Quando as forças oclusais são transmitidas de maneira inadequada aos dentes pilares e aos rebordos residuais, a mobilidade dentária e a reabsorção óssea alveolar são aceleradas. É comum observar afastamento gengival, reabsorção óssea alveolar e, em alguns casos, mobilidade dental quando a extremidade do conector maior se encontra na região central do dente pilar (HIDALGO, 2014).
O tratamento com Prótese Parcial Removível que utiliza retenção por grampos oferece múltiplas possibilidades de planejamento para um único caso clínico. Essa variedade, no entanto, pode gerar incerteza no Cirurgião-Dentista ao buscar o planejamento ideal, dada a complexidade dos fatores biomecânicos, estéticos e funcionais envolvidos. Além disso, a confecção desse tipo de prótese é um dos procedimentos laboratoriais mais intrincados da área de prótese dentária, exigindo várias etapas clínicas e laboratoriais para ser concluída (BATISTA, 2014).
O êxito do tratamento reabilitador depende de uma comunicação efetiva entre o protesista e o Técnico em Prótese Dentária. Essa inter-relação é crucial para garantir que a prótese seja funcional, estética e compatível com as condições bucais do paciente (HOISEL, 2016).
A comunicação entre Cirurgiões-Dentistas e Técnicos em Prótese Dentária ainda apresenta falhas. Predominantemente, essa interação ocorre por meio de contatos telefônicos informais, ao invés de utilizar uma documentação técnica padronizada e formal. Foi constatado também que muitos Técnicos em Prótese Dentária priorizam aspectos financeiros em detrimento da conduta ética e profissional. Isso fica evidente quando não há devolução de modelos com falhas de confecção ou planejamento inadequado. Dessa forma, falhas pequenas que ocorrem durante as diversas fases de confecção da Prótese Parcial Removível podem se acumular, levando a complicações graves e ao comprometimento do resultado final. (CASOTTI, 2012)
Portanto, o Cirurgião-Dentista precisa ter plena ciência de sua responsabilidade ética e legal ao prescrever uma Prótese Parcial Removível customizada. É responsabilidade do Cirurgião-Dentista assumir a autoria da prótese que prescreve e fornecer todas as indicações necessárias para sua fabricação, incluindo o desenho e os materiais, ao Técnico em Prótese Dentária que irá confeccioná-la. Em nenhuma hipótese essa responsabilidade deve ser transferida ao Técnico em Prótese Dentária. A comunicação inadequada ou inexistente é muitas vezes atribuída ao fato de que nem Cirurgiões-Dentistas nem Técnicos em Prótese Dentária possuem conhecimento suficiente sobre as limitações e procedimentos da outra parte. Além disso, durante a formação acadêmica, a interação entre eles pode ser insuficiente. Aumentar essa interação permitiria a ambos os profissionais melhorar a comunicação e identificar os pontos cruciais de sua atuação que necessitam ser transmitidos (CASOTTI, 2012; CARREIRO, 2016).
4 DISCUSSÃO
A análise dos estudos demonstra que o planejamento adequado da Prótese Parcial Removível (PPR) permanece como o principal determinante para o sucesso clínico e a preservação das estruturas remanescentes, corroborando a perspectiva apresentada na introdução por Vieira (2016). Os achados de Marson e Paludo (2014) reforçam essa compreensão ao evidenciarem que a má distribuição das forças mastigatórias continua sendo uma das maiores causas de danos aos dentes pilares, o que converge com as observações de Ladehoff (2015), que atribui muitos casos de falha protética à execução inadequada do planejamento. Assim, há consenso de que a preservação do periodonto e a estabilidade funcional da prótese dependem diretamente do rigor técnico aplicado desde as etapas iniciais do processo reabilitador.
Outro ponto recorrente entre os autores refere-se à relação entre Cirurgião-Dentista e Técnico em Prótese Dentária, que se apresenta como fator crítico para a qualidade do produto final. Enquanto Carreiro (2016) e Abreu (2025) defendem a necessidade de integração efetiva entre ambos os profissionais, estudos como os de Vieira (2016) e Casotti (2012) mostram que essa comunicação ainda ocorre majoritariamente de forma informal e insuficiente, favorecendo erros cumulativos durante a confecção. Essa comparação evidencia que, embora exista um reconhecimento teórico da importância da comunicação interprofissional, sua aplicação prática permanece limitada, contribuindo para discrepâncias significativas entre o planejamento ideal e a prótese finalizada.
Além disso, ao confrontar os princípios biomecânicos descritos por Hidalgo (2013) e Alencar (2016) com as falhas apontadas nos modelos enviados aos laboratórios (Aguiar, 2017), observa-se uma clara desconexão entre o conhecimento técnico disponível e a sua efetiva aplicação clínica. Hidalgo (2013) destaca a necessidade de retenção, suporte e estabilidade adequados, enquanto Alencar (2016) enfatiza a importância da direção paralela de força ao longo eixo dos dentes pilares. Entretanto, como relatado por Aguiar (2017), grande parte dos modelos chega aos laboratórios sem preparo adequado, indicando uma inconsistência entre teoria e prática que compromete diretamente a longevidade das próteses.
No que diz respeito à seleção dos dentes pilares e à elaboração dos planos-guia, os estudos de Marson e Paludo (2014) e Francesquini (2015) convergem ao afirmar que estas etapas devem ser conduzidas exclusivamente pelo Cirurgião-Dentista, dada sua capacidade técnico-científica. No entanto, a realidade apresentada por Grassi (2014) revela que muitas vezes o planejamento do delineamento é realizado pelo Técnico em Prótese Dentária sem comunicação formal com o profissional prescritor, o que pode resultar em próteses incompatíveis com a biomecânica oral do paciente. Dessa forma, torna-se evidente que a delegação inadequada dessas responsabilidades aumenta o risco de falhas clínicas e compromete o prognóstico da reabilitação.
Por fim, ao integrar a literatura analisada, percebe-se que a complexidade da PPR reside não apenas em seus aspectos técnicos, mas também na necessidade de articulação adequada entre os profissionais envolvidos, conforme já salientado na introdução por Carreiro (2016). Tanto Ladehoff (2015) quanto Hoisel (2016) enfatizam que a qualidade da PPR depende simultaneamente da precisão clínica e da excelência laboratorial, e que qualquer falha em uma dessas etapas repercute no resultado final. Assim, torna-se evidente que o sucesso da reabilitação com PPR exige um processo planejado de forma rigorosa, tecnicamente fundamentado e sustentado pela comunicação eficiente entre Cirurgião-Dentista e Técnico em Prótese Dentária, cenário que ainda apresenta desafios consideráveis de acordo com a literatura atual.
5 CONCLUSÃO
O sucesso da reabilitação com Prótese Parcial Removível exige a rigorosa observância biomecânica e comunicação eficiente entre o Cirurgião-Dentista e o Técnico em Prótese Dentária. Para o êxito, são necessárias estratégias: o Cirurgião-Dentista deve garantir o preparo correto dos modelos e enviar documentação completa. É imperativo estabelecer protocolos formais de comunicação e reforçar a educação profissional para o sucesso da reabilitação.
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