O ENSINO DA GRAMÁTICA ATRAVÉS DOS TEXTOS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/ar10202504151816


Patricia de Melo Pereira


Resumo

O presente artigo visa apresentar o ensino da gramática através da utilização de textos, acredita se que as orientações didáticas presente em leituras podem auxiliar o aluno na construção de sua competência linguística, fazendo desse modo que ele possa expressar melhor suas ideias na escrita, onde ele saiba articular as sequências e os enunciados em seus textos de maneira coerente e coesa, e estabelecendo as relações de sentido pretendidas com o estudo aplicado nas aulas. Portanto, neste sentido, vemos que dado o avanço nas pesquisas que investigam a linguagem é possível revelar as diferentes compreensões de linguagem e gramática que existem em diferentes práticas teóricas e educacionais nos dias de hoje. E diante dessas novas perspectivas, ir além de uma concepção tradicional da língua e do seu ensino que esbarra em uma concepção de língua capaz não só de sustentar novas metodologias, mas, sobretudo, de remodelar os conteúdos instruídos.

Palavras-chave: Ensino. Gramática. Estudo. Leituras. Textos.

Abstract

This article aims to present the teaching of grammar through the use of texts, it is believed that the didactic guidelines present in readings can help the student in building their linguistic competence, thus enabling them to better express their ideas in writing, where they know how to articulate the sequences and statements in their texts in a coherent and cohesive manner, and establishing the desired relationships of meaning with the study applied in classes. Therefore, in this sense, we see that given the advances in research that investigates language, it is possible to reveal the different understandings of language and grammar that exist in different theoretical and educational practices today. And given these new perspectives, go beyond a traditional conception of language and its teaching that comes up against a conception of language capable of not only supporting new methodologies, but, above all, of remodeling the content taught.

Keywords: Teaching. Grammar. Study. Readings. Texts

Introdução

Vemos que a linguagem é organizada e continuada através da gramática, sendo um conjunto de regras que descrevem e especificam as funções da linguagem. Este trabalho tem como objetivo de apresentar de forma clara a prática de ensino que permita aos alunos compreenderem e aprender gramática de forma reflexiva utilizando textos como metodologia de estudo e ensino, de uma maneira interessante e produtiva para ambas as partes com aprendizagem significativa.

Seguindo este ponto de vista, observa se que estratégias podem proporcionar uma maneira fácil de aprender e lembrar as relações de significado estabelecidas pela gramática. A hipótese, baseada na abordagem para este trabalho, é que a gramática é tida como difícil, enfadonha e inútil na vida cotidiana e deveria desmistificá-la. Onde os alunos experimentam muitas dificuldades de leitura e escrita durante e depois da escola. Todos os dias, os professores na sala de aula devem se esforçar para encontrar métodos, estratégias e práticas mais eficazes para promover a aprendizagem dos alunos.

Portanto, neste contexto viu se a necessidade de demonstrar que o ensino da gramática deve ter como objetivo a utilização da língua nas práticas sociais articuladas juntamente com a produção e leitura de textos em sala de aula como atividades práticas que os levem a observarem suas composições e conhecerem melhor, onde além da preocupação com o conteúdo gramatical.

Há também um enfoque no uso social da língua, com suas exigências, características contextuais e limitações que podem ser um ensino descontextualizado, que voltado para regras e nomenclaturas visando uma língua padrão, sem alterações, com o intuito de uma uniformização, que não pode ser foco no contexto escolar, porém considerando que a língua apresenta variações e diferentes sentidos dentro de cada contexto em que ela se faz presente.

Na prática o ensino da Gramática em sala de aula

Seguindo com o estudo apresentado inicialmente, ensinar gramática é importante para o desenvolvimento da escrita, pois estamos inseridos em uma sociedade contemporânea em constante evolução. Onde, sabemos que as provas são elaboradas com base nos currículos escolares com propostas pedagógicas já pré-estabelecidas, onde está incluída a gramática normativa. O docente, neste caso deve estar atento a essas informações, desempenhando sua tarefa de educador com precisão e competência para atuar com proficiência oferecendo o melhor ensino para os estudantes. Pois, de acordo com o autor (CEGALLA, 1995, p. 14):

A Gramática, segundo a conceituamos, não é e nem deve ser um fim, senão um meio posto a nosso alcance para disciplinar a linguagem e atingir a forma ideal da expressão oral e escrita. Temerário seria quem pusesse em dúvida a utilidade do estudo da disciplina gramatical. Maldizer da Gramática seria tão desarrazoado quanto malsinar os compêndios de boas maneiras só porque preceituam as normas da polidez que todo civilizado deve acatar. (CEGALLA, 1995, p. 14)

Então, usar a gramática na escola não é apenas para um método para proteger ou preservar a composição de uma língua porque a língua é variável, mas também ajudar os alunos e falantes a compreenderem sua língua nativa, permitindo-lhes compreender uma das outras características fundamentais que pertencem à sua cultura.

Neste sentido, é necessário também estabelecer uma relação harmoniosa entre o ensino normativo e contextual da gramática, sem abandonar a terminologia, já que as regras são cruciais para o desenvolvimento social e cultural dos alunos, onde não devemos esquecer que na sociedade a que pertencemos os acordos entre as pessoas são feitos através de documentos escritos, ou seja, precisa observar tudo a nossa volta.

Trabalhar a gramática com textos

No contexto educacional brasileiro, o ensino de gramática tem sido predominantemente prescritivo, baseado nas regras da gramática normativa considerada como o guia para uma boa expressão verbal (ILARI, 1992).

Embora o Brasil seja um país marcado por grandes contrastes em vários aspectos, a língua portuguesa é frequentemente considerada homogênea na prática. A variedade padrão é aquela ensinada nas escolas, que atuam como uma força corretiva e unificadora da língua. No entanto, devido à limitada e efetiva escolarização disponível, as diferenças linguísticas se tornam mais acentuadas e, sobretudo, cada vez mais distantes da norma culta, onde os textos podem ser peças fundamentais no ensino e aprendizagem.

A perspectiva textual tem a possibilidade de fazer com que a gramática seja flagrada em seu funcionamento, evidenciando que a gramática é a própria língua em uso. Isto muda também o conceito de gramática que será usado no ensino de língua materna, pois passa-se a ver como integrando a gramática tudo que é utilizado e/ou interfere na construção e uso dos textos em situações de interação comunicativa e não só o conhecimento de alguns tipos de unidades e regras da língua restritas ao nível morfológico. (TRAVAGLIA, 2008, p. 101).

Atualmente, um dos desafios mais relevantes enfrentados pela gramática é comprovar sua utilidade nas atividades diárias e sua verdadeira eficácia no desenvolvimento da aprendizagem. Onde, para alcançar esse objetivo, é imprescindível considerar as ciências da linguagem em seus múltiplos aspectos.

Somente com a contribuição dos estudos linguísticos é que poderemos encontrar uma maneira de aprimorar o ensino de línguas. Porém, conforme já observado por outros pesquisadores, como Neves (2002), nos cursos de Letras, de modo geral, existe uma falta de integração clara entre o que os alunos aprendem sobre as diferentes teorias e abordagens linguísticas e sua aplicação em sala de aula.

Em outras palavras, os formados em Letras parecem esquecer as aulas de Linguística e chegam ao ambiente escolar sem uma compreensão clara sobre o que deve ser ensinado aos alunos, para que serve ou deve servir uma teoria formalista ou funcionalista da linguagem, onde surgem as dificuldades dos alunos que já possuem muitos conhecimentos prévios. Onde segundo o autor ele nos garante que:

Conhecer a organização do sistema linguístico, assim como as regras de funcionamento de sua gramática e as formas de classificação dos elementos que a constituem é essencial. E, basicamente, por duas razões. A primeira delas é que esse estudo nos permite conhecer uma certa tradição- muito difundida e historicamente importante- no tratamento da língua. A segunda razão é que compreender a organização de sistema linguístico- suas categorias e suas inter-relações- permite que se entendam os conceitos que o percorrem. (MEIRELLES, 1991 apud KLEIMAN, 2014, p. 9)

Então, diante do exposto ensino de Gramática já não pode mais se restringir à imposição de um conjunto de regras e nomenclaturas, mas sim proporcionar uma aprendizagem consciente do seu significado e do seu uso prático no cotidiano.

No passado, o ensino de Língua era baseado na exposição, classificação e exercícios pautados na memorização das regras gramaticais. Acreditava-se que, ao fornecer essas regras, exemplificadas por meio de frases, os alunos seriam capazes de produzir textos de qualidade.

No entanto, surgiram novas propostas de ensino e ensinar “gramática” passou a ser considerado um retrocesso.

Neste sentido de buscar novos métodos professores aboliram o ensino da disciplina voltada somente para as regras, e esperando que por novas formas de ensinar os alunos e por meio dos textos, encontraram um método útil e eficaz.

Porém, as diretrizes e orientações sobre essa “nova forma de ensinar” não são claras e não apresentam maneiras práticas e concretas para que o professor possa aplicá-las em sala de aula. Não existe uma fórmula ou receita pronta, e o professor de Língua materna baseia sua prática em suposições com ensino usando se textos para que os alunos consigam compreender e produzir através desta prática.

[…] pedagogicamente, sugerimos que se considere a gramática como sendo o estudo das condições linguísticas da significação, que estão relacionadas a elementos como para quem, como, por quê e quando as expressões linguísticas significam o que significam, por causa da influência de fatores sociais, históricos, culturais e ideológicos (no sentido lato de como vemos os elementos do mundo, ou seja, nossa visão de mundo, inclusive nossas crenças). (TRAVAGLIA 2009 e 2011, s/p)

Portanto, conforme mencionado por Travaglia (2008, p. 34), tanto o ensino descritivo quanto o normativo têm sua utilidade em sala de aula, desde que sejam abordados de maneira diferente do tradicional ensino da Língua.

No entanto, a contradição reside no fato de que os exames de concursos e vestibulares continuam cobrando do aluno o domínio de terminologias, aspectos e convenções da norma culta, privilegiando os aspectos estruturais do texto. A metodologia de ensino de Gramática é um dos principais desafios enfrentados pelos professores de Língua Portuguesa no seu cotidiano profissional.

Acredita se que seja possível conciliar as práticas tradicionais com as atuais, sem julgá-las como inferiores ou superiores. Ensinar Gramática é importante para garantir ao cidadão um maior acesso aos recursos sociais, culturais e econômicos. A gramática, sendo uma valiosa ferramenta pedagógica, auxilia na interpretação, reflexão sobre os diversos recursos linguísticos, na produção de textos e na comunicação oral.

CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES

 Compreendi que o método de textos pode despertar maior interesse no conteúdo e promover uma participação ativa dos alunos nas atividades. Ao fim das atividades, considerarem o conteúdo fácil e objetivo, conseguindo identificar o essencial e relacionar seus significados de acordo com diferentes contextos. Observei que é possível alterar a percepção da gramática em sala de aula através da aplicação de outros métodos.

Usar texto com marcadores verbais ajuda a trazer unidade para a língua falada com a qual os alunos estão mais familiarizados. Uma forma formal dos alunos se encontrarem na escola e compreenderem o conteúdo, ou seja, reflexão da linguagem, ocorre com a leitura, a partir do momento em que ela se torna uma construção de compreensão sensorial entregue por mensagem de texto. Quando perde seu caráter torna se puramente mecânico. Temos a oportunidade apropriada de expressar a subjetividade de seu autor, atender às necessidades de comunicação, gravação e compreensão sua experiência do mundo em que participam (GERALDI, 1996).

Segundo a pedagogia, o que falta no ensino da gramática é aplicabilidade, pois quando aprendemos algo útil para nossas vidas, certamente será preservado dentro de nós de tal maneira que nós não esqueceremos. Acredita-se que é possível que a gramática corresponda a nossa realidade, colocada em prática através das apresentações dos próprios alunos. Por exemplo, quando os alunos expressam o que têm em comum nas comunidades, das quais as pessoas podem aproveitar oportunidade e intervir neste discurso para mostrar que geralmente a linguística explica tudo isso  de uma maneira variante, demonstrando posteriormente como a sintaxe canônica a utiliza palavra.

REFERÊNCIAS

CEGALLA, D. P. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 43. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1995.

GERALDI, João Wanderley. Linguagem e ensino: exercícios de militância e divulgação. 1. ed. São Paulo: Mercado das Letras, 1996.

ILARI, R. A linguística e o ensino da língua portuguesa. São Paulo: Martins Fontes, 1992

KLEIMAN, Angela; SEPULVEDA, Cida. Oficina de gramática: metalinguagem para principiantes. 2. Ed. Campinas, SP: Pontes Editores, 2014.

TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática. São Paulo: Cortez, 2008.

_________. Glossário Ceale: Gramática. Disponível em: <http://ceale.fae. ufmg.br/app/webroot/glossarioceale/verbetes/gramatica> Acessado em 13/12/2023

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