REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/pa10202512072018
Andreia de Souza Silva1
Resumo
O presente artigo tem como objetivo identificar e analisar o conceito de bebês High Need, caracterizando seus comportamentos e diferenciando-os de outras crianças. O termo não corresponde a um diagnóstico médico, mas descreve crianças que apresentam maiores demandas de atenção e cuidados, exigindo dos pais maior sensibilidade e compreensão. Frequentemente, tais comportamentos são confundidos com atitudes de birra, o que pode gerar interpretações equivocadas e dificuldades na criação. A pesquisa buscou esclarecer essas características e propor orientações que auxiliem os pais a lidar com tais situações de forma mais adequada. A metodologia utilizada consistiu em revisão bibliográfica em bases de dados como Medline, LILACS, Bireme, BVS e Google Acadêmico, além da análise de artigos científicos, dissertações e teses. Os descritores empregados foram “bebês e crianças High Need” e “comportamento dos pais”, nos idiomas português, inglês e espanhol. Para garantir maior precisão, os descritores foram previamente selecionados e combinados, considerando critérios de inclusão como artigos disponíveis na íntegra, publicados entre 2019 e 2022, e critérios de exclusão como incompatibilidade com o objeto de estudo ou ausência de acesso gratuito. Os objetivos específicos foram identificar as características comportamentais de bebês High Need, compreender as dificuldades enfrentadas pelos pais e sugerir estratégias de manejo. As conclusões apontam que reconhecer tais comportamentos é essencial para evitar rótulos negativos e promover uma relação mais saudável entre pais e filhos. O estudo reforça a importância de orientar famílias, oferecendo subsídios para que compreendam melhor as necessidades de seus filhos e desenvolvam práticas de cuidado mais eficazes, favorecendo o desenvolvimento infantil e o bem-estar familiar.
Palavras chaves: High need. Bebês/crianças; Altas necessidades; Pais.
Summary
This article aims to identify and analyze the concept of High Need babies, characterizing their behaviors and distinguishing them from those of other children. The term High Need does not correspond to a medical diagnosis but rather describes children who present greater demands for attention and care, requiring parents to adopt more sensitive and accurate approaches. Frequently, these behaviors are misinterpreted as mere tantrums, which can lead to misunderstandings and difficulties in parenting. The research sought to clarify these characteristics and propose guidelines that may assist parents in managing such situations more effectively. The methodology consisted of a bibliographic review using databases such as Medline, LILACS, Bireme, BVS, and Google Scholar, in addition to scientific articles, dissertations, and theses. The descriptors employed were “High Need babies and children” and “parental behavior,” in Portuguese, English, and Spanish. To ensure accuracy, descriptors were previously selected and combined in different ways. Inclusion criteria comprised articles available in full, published between 2019 and 2022, in Portuguese, English, or Spanish. Exclusion criteria included studies not aligned with the research objectives or those without free access. The specific objectives were to identify behavioral characteristics of High Need babies, understand the challenges faced by parents, and suggest strategies for better comprehension and management. The conclusions highlight that recognizing these behaviors is essential to avoid negative labeling and to foster healthier parent-child relationships. The study emphasizes the importance of guiding families, offering resources to better understand their children’s needs and to develop more effective caregiving practices, promoting child development and family well-being.
Keywords: High need. Babies/Children; High needs; Parents
1. Introdução
Os chamados bebês High Need (termo em inglês amplamente utilizado para designar crianças que apresentam demandas elevadas de atenção e cuidado) constituem um grupo que se distingue por exigir vigilância constante dos pais desde o nascimento, com especial destaque para o papel materno nos primeiros meses de vida (PONSO, 2020). A expressão foi inicialmente sistematizada pelo pediatra William Sears, em sua obra The Fussy Baby Book (1993), na qual descreve um conjunto de comportamentos específicos que caracterizam tais crianças como necessitárias de atenção exacerbada e contínua.
A compreensão desse conceito é relevante, pois não se trata de um diagnóstico clínico, mas de uma categoria descritiva que busca evidenciar padrões comportamentais que podem impactar significativamente a dinâmica familiar. O objetivo de reconhecer e nomear um bebê High Need é oferecer-lhe um ambiente de segurança e tranquilidade, capaz de compensar os desafios e agitações dos primeiros meses de vida, período marcado pela adaptação do bebê à nova realidade que o circunda (OLIVEIRA, 2022).
Além da elevada necessidade de atenção, esses bebês são frequentemente associados a comportamentos repetitivos e intensos, os quais podem resultar em desgaste físico e emocional para os cuidadores. Entre as manifestações mais recorrentes encontram-se: choro persistente e de difícil consolação, apetite exacerbado, rigidez muscular contínua, irritabilidade elevada, baixa qualidade do sono e episódios de hiperatividade. Tais características, quando não compreendidas em sua especificidade, podem ser equivocadamente interpretadas como birra ou mau comportamento, reforçando a importância de estudos que aprofundem a análise desse perfil infantil e ofereçam subsídios para práticas parentais mais adequadas.
A literatura especializada aponta que o conceito de High Need está intimamente relacionado às discussões sobre temperamento infantil. Autores como Thomas e Chess (1977) já haviam destacado que o temperamento é uma característica inata, que influencia diretamente a forma como a criança interage com o ambiente e responde aos estímulos externos. Nesse sentido, os bebês High Need podem ser compreendidos como aqueles que apresentam um temperamento mais intenso, exigindo maior disponibilidade emocional e física dos pais.
Outro aspecto relevante é a relação entre os comportamentos High Need e o desenvolvimento da parentalidade. Estudos recentes indicam que pais de crianças com tais características tendem a apresentar maiores índices de estresse, ansiedade e até sintomas depressivos, em virtude da sobrecarga emocional e da dificuldade em compreender e manejar os comportamentos dos filhos (SILVA, 2021). Essa realidade evidencia a necessidade de políticas públicas e programas de apoio parental que ofereçam suporte psicológico e educacional às famílias.
Do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento, é importante ressaltar que os bebês High Need não devem ser vistos como “problemáticos”, mas como crianças que demandam estratégias diferenciadas de cuidado. O reconhecimento dessas necessidades pode favorecer o fortalecimento do vínculo afetivo entre pais e filhos, além de contribuir para um desenvolvimento emocional mais equilibrado. A ausência de compreensão, por outro lado, pode gerar conflitos familiares, sentimento de culpa nos pais e dificuldades de socialização na criança.
A literatura internacional também tem buscado compreender os impactos de longo prazo do comportamento High Need. Pesquisas longitudinais sugerem que, embora muitos desses comportamentos tendam a se atenuar com o crescimento da criança, alguns podem persistir na forma de maior sensibilidade emocional, necessidade de atenção constante ou dificuldade em lidar com frustrações (JOHNSON, 2020). Tais achados reforçam a importância de intervenções precoces e de orientações adequadas aos pais, de modo a minimizar possíveis repercussões negativas na vida adulta.
No contexto brasileiro, ainda são escassos os estudos que abordam especificamente o conceito de High Need. A maioria das pesquisas concentra-se em temas correlatos, como temperamento difícil, transtornos do sono infantil ou dificuldades de regulação emocional. Essa lacuna evidencia a necessidade de ampliar o debate acadêmico sobre o tema, considerando as especificidades culturais e sociais que influenciam a forma como os pais interpretam e respondem aos comportamentos dos filhos.
É igualmente relevante destacar que o conceito de High Need dialoga com as discussões sobre apego e vínculo afetivo. A teoria do apego, desenvolvida por John Bowlby (1969), enfatiza a importância da responsividade parental para o desenvolvimento emocional saudável da criança. Nesse sentido, os bebês High Need podem ser vistos como aqueles que exigem uma responsividade ainda mais intensa, o que, se bem manejado, pode resultar em vínculos afetivos sólidos e seguros.
Contudo, quando os pais não recebem orientação adequada, o excesso de demandas pode ser interpretado como sinal de “fraqueza” ou “mau comportamento” da criança, gerando práticas educativas punitivas ou negligentes. Esse cenário pode comprometer o desenvolvimento emocional da criança e aumentar os riscos de dificuldades futuras, como baixa autoestima, insegurança e problemas de relacionamento.
Portanto, compreender o conceito de bebês High Need é fundamental não apenas para a área da pediatria e da psicologia, mas também para a educação e para as políticas de saúde pública, onde o reconhecimento dessas características permite que os profissionais de saúde ofereçam orientações mais precisas aos pais, contribuindo para a redução do estresse familiar e para a promoção do bem-estar infantil.
2. Justificativa
A escolha do tema referente aos bebês High Need justifica-se pela relevância científica e social que envolve a compreensão de seus comportamentos e das implicações que estes geram no contexto familiar. Trata-se de um conceito ainda pouco explorado na literatura nacional, mas que possui grande impacto na vida cotidiana de pais e cuidadores, uma vez que tais crianças demandam atenção contínua, cuidados diferenciados e estratégias específicas de manejo.
A ausência de reconhecimento adequado dessas características pode levar a interpretações equivocadas, como a associação a comportamentos de birra ou indisciplina, o que tende a gerar práticas educativas inadequadas e aumento do estresse parental. Nesse sentido, torna-se fundamental ampliar o debate acadêmico sobre o tema, oferecendo subsídios teóricos e práticos que favoreçam a compreensão dos pais e profissionais de saúde.
Do ponto de vista científico, a investigação sobre bebês High Need contribui para o campo da pediatria, da psicologia do desenvolvimento e da educação, ao possibilitar uma análise mais aprofundada sobre temperamento infantil, vínculo afetivo e estratégias de cuidado. Além disso, a produção de conhecimento nessa área pode servir de base para políticas públicas e programas de apoio parental, voltados à promoção da saúde mental das famílias e ao desenvolvimento integral da criança.
Assim, a justificativa para esta escrita reside na necessidade de dar visibilidade a um fenômeno que, embora não seja considerado diagnóstico clínico, apresenta implicações significativas para o bem-estar infantil e familiar. Ao sistematizar informações e propor reflexões sobre o tema, busca-se contribuir para a formação de pais, profissionais e pesquisadores, ampliando a compreensão e oferecendo caminhos para práticas mais sensíveis e eficazes no cuidado de crianças com altas demandas.
2 Metodologia de pesquisa
A presente pesquisa foi desenvolvida com base nas diretrizes do PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), protocolo internacionalmente reconhecido que orienta a elaboração de revisões sistemáticas e meta-análises.
O PRISMA, conforme descrito por Moher et al. (2009), surgiu da necessidade de padronizar o relato de revisões sistemáticas, garantindo maior rigor metodológico, transparência e reprodutibilidade dos resultados. Os autores destacam que revisões sistemáticas, quando conduzidas sem critérios claros, podem gerar vieses e conclusões inconsistentes. Nesse sentido, o PRISMA estabelece um conjunto de itens essenciais que devem ser relatados, incluindo critérios de seleção, estratégias de busca, processo de triagem e síntese dos dados. Moher e colaboradores enfatizam que a adoção desse protocolo reduz vieses, aumenta a confiabilidade dos resultados e fortalece a validade científica das revisões.
Além disso, o PRISMA é considerado uma ferramenta fundamental para assegurar que revisões sistemáticas sejam conduzidas de forma ética e transparente, permitindo que os leitores avaliem a qualidade metodológica e a consistência das conclusões apresentadas.
Outro referencial importante para esta pesquisa é o trabalho de Kitchenham e Charters (2007), que discutem a relevância das revisões sistemáticas no campo das ciências aplicadas. Para os autores, revisões sistemáticas não apenas reúnem resultados de diferentes pesquisas, mas também permitem identificar lacunas na literatura, apontar inconsistências e sugerir novas direções para investigações futuras.
Kitchenham e Charters ressaltam que a condução de uma revisão sistemática exige clareza nos critérios de inclusão e exclusão, transparência na seleção dos estudos e rigor na análise dos dados. Eles defendem que a sistematização das etapas metodológicas é o que diferencia uma revisão sistemática de uma revisão narrativa, garantindo maior objetividade e credibilidade científica.
Para os autores, o uso de protocolos como o PRISMA é indispensável, pois assegura que o processo seja replicável e que os resultados possam ser validados por outros pesquisadores. Assim, ao incorporar as recomendações de Kitchenham e Charters, esta pesquisa buscou não apenas reunir evidências sobre o conceito de bebês High Need, mas também oferecer uma análise crítica e estruturada que contribua para o avanço do conhecimento na área.
Além desses referenciais, a pesquisa também se fundamentou em Cervo e Bervian (1996), que definem a pesquisa descritiva como aquela que procura identificar, com a maior precisão possível, a frequência com que determinados fenômenos ocorrem, suas relações e conexões, bem como suas características e propriedades. Os autores afirmam que a pesquisa descritiva consiste no estudo e descrição das características de uma comunidade ou grupo, o que se aplica diretamente ao objeto deste trabalho: os bebês High Need e suas demandas específicas de cuidado. Para Cervo e Bervian, a pesquisa descritiva é essencial quando se busca compreender fenômenos sociais e comportamentais, pois permite observar e registrar dados sem interferir diretamente na realidade estudada. Essa perspectiva foi fundamental para a presente investigação, uma vez que o objetivo não foi propor diagnósticos clínicos, mas sim descrever e analisar comportamentos que caracterizam os bebês High Need, diferenciando-os de outras crianças e oferecendo subsídios para práticas parentais mais adequadas.
A coleta de dados foi realizada em bases de dados amplamente reconhecidas pela comunidade científica, incluindo Medline, LILACS, BIREME, BVS e Google Scholar, selecionadas por sua abrangência e diversidade de publicações. A escolha dessas plataformas justifica-se pela necessidade de contemplar estudos nacionais e internacionais, garantindo maior representatividade e amplitude na análise. Os descritores utilizados foram: “High Need”, “cuidados especiais” e “bebês High Need”, aplicados em três idiomas português, inglês e espanhol a fim de ampliar o escopo da pesquisa e assegurar a inclusão de diferentes perspectivas culturais e científicas.
Os descritores foram previamente selecionados com base em sua relevância para o objeto de estudo e, posteriormente, combinados e cruzados de forma diversificada, utilizando operadores booleanos (AND, OR) para refinar os resultados. Essa estratégia permitiu identificar publicações que abordassem diretamente o conceito de bebês High Need, bem como estudos relacionados ao comportamento parental e às práticas de cuidado.
Foram considerados como critérios de inclusão: artigos disponíveis na íntegra, publicados entre os anos de 2000 e 2021, nos idiomas português, inglês e espanhol, e que apresentassem relação direta com o objeto de investigação. Os critérios de exclusão compreenderam artigos não compatíveis com o tema central da pesquisa, publicações sem acesso gratuito e estudos duplicados ou que não apresentassem dados relevantes para a análise.
Após a seleção dos artigos, os dados foram organizados em quadros comparativos, destacando ano de publicação, país de origem, objetivos do estudo, metodologia empregada e principais resultados. Essa sistematização permitiu identificar padrões recorrentes, lacunas na literatura e contribuições relevantes para a compreensão do tema.
A adoção da metodologia PRISMA assegura que o processo de busca, seleção e análise seja transparente e passível de reprodução por outros pesquisadores. O registro detalhado das etapas metodológicas, bem como dos critérios utilizados, garante maior confiabilidade aos resultados e fortalece a validade científica da revisão.
Etapas de Triagem e Inclusão (Fluxo PRISMA narrativo)
- Identificação: A busca inicial nas bases de dados resultou em um conjunto amplo de artigos, contemplando diferentes idiomas e períodos de publicação.
- Triagem: Foram excluídas duplicatas e realizada a leitura dos títulos e resumos para verificar a pertinência dos estudos ao tema central.
- Elegibilidade: Os textos selecionados foram lidos integralmente, aplicando-se os critérios de inclusão e exclusão previamente definidos.
- Inclusão: Após esse processo, foram definidos os artigos que compuseram o corpus da revisão sistemática, servindo de base para a análise e discussão dos resultados.
Resultados Esperados da Metodologia
A aplicação da metodologia PRISMA nesta pesquisa permitiu reduzir vieses, ampliar a abrangência da coleta de dados e garantir maior confiabilidade científica. Espera-se que, ao seguir rigorosamente as etapas de identificação, triagem, elegibilidade e inclusão, os resultados obtidos reflitam de forma precisa a realidade dos estudos sobre bebês High Need.
Além disso, a sistematização dos dados possibilita identificar lacunas na literatura, apontar inconsistências entre diferentes pesquisas e sugerir novas direções para investigações futuras. A adoção de critérios claros de inclusão e exclusão assegura que apenas estudos relevantes e de qualidade compõem o corpus da revisão, fortalecendo a validade das conclusões.
Dessa forma, os resultados esperados incluem não apenas uma síntese crítica sobre o conceito de bebês High Need, mas também a construção de um referencial teórico sólido que possa orientar pais, profissionais de saúde e pesquisadores na compreensão e manejo das demandas específicas dessas crianças.
3. Revisão Conceitual de High Need
O vocábulo High Need foi desenvolvido pelo pediatra americano William Sears, com o intuito de se referir a bebês que exibem muita carência emocional e comportamental. A expressão surgiu da observação clínica de crianças que, desde os primeiros meses de vida, demonstravam uma necessidade exacerbada de atenção, participação e interação com os pais, em intensidade superior àquela apresentada por outros bebês da mesma faixa etária.
Segundo Ferreira (2021, p. 1), esses bebês possuem uma carência contínua de contato e cuidado, o que os torna mais exigentes e desafiadores para os cuidadores.
A criação do termo não se vincula a um diagnóstico médico formal, mas sim a uma categoria descritiva que busca evidenciar padrões comportamentais específicos. Sears, em sua obra The Fussy Baby Book (1993), descreveu que tais bebês apresentam características como choro persistente, dificuldade em se acalmar, elevada sensibilidade a estímulos externos e resistência a rotinas convencionais de sono e alimentação. Essas manifestações, longe de serem simples “birras”, refletem um temperamento diferenciado que exige dos pais maior disponibilidade emocional e física.
O reconhecimento do conceito de High Need é relevante porque permite que os cuidadores compreendam que tais comportamentos não são resultado de falhas parentais, mas sim de características próprias da criança. Essa compreensão contribui para reduzir sentimento de culpa e frustração, além de favorecer a adoção de estratégias de cuidado mais adequadas.
A literatura aponta que pais de bebês High Need frequentemente relatam altos níveis de estresse e desgaste físico, uma vez que a demanda constante pode comprometer o equilíbrio familiar, onde do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento, os bebês High Need são frequentemente associados a um temperamento mais intenso e reativo.
Autores como Thomas e Chess (1977) já haviam destacado que o temperamento é uma característica inata que influencia diretamente a forma como a criança interage com o ambiente. Nesse sentido, os bebês High Need podem ser compreendidos como aqueles que necessitam de maior responsividade parental para se sentirem seguros e acolhidos.
Além disso, estudos recentes têm demonstrado que o manejo inadequado desses comportamentos pode gerar consequências negativas tanto para o desenvolvimento emocional da criança quanto para a saúde mental dos pais. A ausência de compreensão pode levar a práticas educativas punitivas ou negligentes, comprometendo o vínculo afetivo e aumentando os riscos de dificuldades futuras, como insegurança, baixa autoestima e problemas de socialização.
Por outro lado, quando os pais recebem orientação adequada e aprendem a reconhecer as necessidades específicas de seus filhos, é possível transformar a experiência em uma oportunidade de fortalecimento do vínculo familiar. A responsividade intensificada, embora exigente, pode resultar em relações mais sólidas e em um desenvolvimento emocional mais equilibrado.
Portanto, o conceito de High Need, desenvolvido por William Sears e posteriormente discutido por diversos autores, representa uma contribuição significativa para a compreensão da diversidade do desenvolvimento infantil. Ao reconhecer que alguns bebês demandam cuidados diferenciados, abre-se espaço para práticas parentais mais sensíveis e para políticas de apoio que promovam o bem-estar da criança e da família.
Assim, o bebê High Need caracteriza-se por apresentar uma elevada carência de atenção e zelo por parte dos genitores, especialmente da mãe, necessitando de colo e interação física constante desde o nascimento. Essa demanda contínua se manifesta de forma precoce e intensa, sendo observada já nas primeiras semanas de vida, quando o bebê demonstra choro frequente e difícil de ser consolado.
Conforme descreve Beltrame (2021), trata-se de uma criança agitada, que busca o seio materno para alimentação em intervalos curtos e repetidos, revelando uma necessidade de contato físico e emocional que ultrapassa os padrões considerados comuns em bebês da mesma faixa etária.
Uma das características mais marcantes desses bebês é a dificuldade em estabelecer ciclos de sono regulares. Muitos não dormem por períodos superiores a 45 minutos seguidos, o que gera desgaste físico e emocional significativo para os pais. Essa fragmentação do sono, aliada à necessidade constante de colo, cria um cenário de exaustão que pode comprometer a saúde mental dos cuidadores, embora busquem o contato físico, os bebês High Need são descritos como delicados ao toque, não apreciando estímulos excessivos, o que exige dos pais uma sensibilidade refinada para compreender os limites e preferências da criança.
Do ponto de vista da psicologia do desenvolvimento, tais comportamentos podem ser interpretados como expressão de um temperamento mais intenso e reativo. Autores como Thomas e Chess (1977) já haviam destacado que o temperamento é uma característica inata que influencia diretamente a forma como a criança interage com o ambiente. Nesse sentido, os bebês High Need podem ser compreendidos como aqueles que necessitam de maior responsividade parental para se sentirem seguros e acolhidos.
A literatura aponta que o manejo inadequado desses comportamentos pode gerar consequências negativas tanto para o desenvolvimento emocional da criança quanto para a saúde mental dos pais. A ausência de compreensão pode levar a práticas educativas punitivas ou negligentes, comprometendo o vínculo afetivo e aumentando os riscos de dificuldades futuras, como insegurança, baixa autoestima e problemas de socialização. Por outro lado, quando os pais recebem orientação adequada e aprendem a reconhecer as necessidades específicas de seus filhos, é possível transformar a experiência em uma oportunidade de fortalecimento do vínculo familiar.
Nesse contexto, o bebê High Need não deve ser visto como “problemático”, mas como uma criança que exige estratégias diferenciadas de cuidado. A responsividade intensificada, embora exigente, pode resultar em relações mais sólidas e em um desenvolvimento emocional mais equilibrado. O reconhecimento precoce dessas características é fundamental para evitar interpretações equivocadas, como a associação a comportamentos de birra, e para promover práticas parentais mais sensíveis e eficazes.
Portanto, a descrição apresentada por Beltrame (2021) contribui para a compreensão de que os bebês High Need representam um desafio significativo para as famílias, mas também uma oportunidade de aprofundar o entendimento sobre a diversidade do desenvolvimento infantil. Ao reconhecer que alguns bebês demandam cuidados diferenciados, abre-se espaço para práticas parentais mais humanizadas e para políticas de apoio que promovam o bem-estar da criança e da família.
Dessa forma, o comportamento de um bebê High Need pode ser descrito como intenso e exigente, visto que ele coloca todo o seu vigor na expressão de suas vontades. O choro é alto, persistente e difícil de ser consolado, funcionando como um sinal constante de demanda por atenção.
Além disso, a alimentação é realizada de maneira voraz, com busca frequente pelo seio materno, o que reforça a necessidade de contato físico e emocional contínuo. Essa intensidade comportamental não se limita apenas ao momento da alimentação ou do choro, mas se estende às demais interações cotidianas, revelando um padrão de hiperatividade, já que o bebê raramente se mostra descontraído ou tranquilo.
Segundo Ferreira (2021), tais características desencadeiam nas genitoras especialmente nas mães um comportamento de esgotamento físico e emocional, uma vez que a demanda constante por colo, atenção e cuidado compromete o equilíbrio da rotina familiar. O desgaste é ampliado pela dificuldade que esses bebês apresentam em estabelecer ciclos de sono regulares, dormindo por períodos curtos e fragmentados, o que intensifica a sensação de exaustão nos cuidadores.
Esse perfil comportamental exige dos pais uma disponibilidade emocional diferenciada, além de estratégias específicas de manejo, que muitas vezes não são intuitivas. A ausência de compreensão sobre o conceito de High Need pode levar à interpretação equivocada de que se trata de uma criança “birrenta” ou “difícil”, quando na realidade se trata de um bebê com necessidades particulares de acolhimento.
O Processo de caracterização de uma criança High need, deve ser precedido de algumas observações que objetivem a eliminação de dificuldades que podem gerar irritação e agitação do bebê.
Segundo comenta Kinedu (2022), “se a criança exibe refluxo gastroesofágico, cólicas ou ansiedade de separação, por exemplo, porém, não demonstra dificuldade de saúde nem passa por situação que gera estresse, é possível que seja um High Need”. Essa observação é fundamental para compreender que o conceito de bebê High Need não está associado a doenças ou patologias específicas, mas sim a um perfil comportamental marcado por maior intensidade e sensibilidade diante dos estímulos ambientais.
Assim, uma criança com alta demanda não apresenta necessariamente uma dificuldade séria de saúde, mas possui uma sensibilidade ampliada ao ambiente, o que pode levá-la a ser frequentemente superestimulada. Essa característica faz com que os bebês High Need necessitem de maior atenção e cuidado, especialmente nos primeiros meses de vida, quando estão em processo de adaptação ao mundo externo. O excesso de estímulos, como sons, luzes ou mudanças de rotina, pode desencadear reações intensas, como choro persistente, irritabilidade ou dificuldade para dormir.
Cada bebê é único e possui uma personalidade marcante, que se manifesta desde os primeiros dias de vida. No caso dos bebês High Need, essa singularidade se traduz em comportamentos que exigem dos pais maior disponibilidade emocional e física.
É nesse contexto que Kinedu (2022) enfatiza a importância de estabelecer um apego seguro, capaz de oferecer um suporte sólido que qualquer criança necessita para se desenvolver de forma saudável. O apego seguro, conforme a teoria de Bowlby (1969), é construído a partir da responsividade parental, ou seja, da capacidade dos pais de atender prontamente às necessidades do bebê, transmitindo-lhe segurança e confiança.
A criação de um vínculo seguro é ainda mais relevante em crianças com alta demanda, pois elas dependem intensamente da presença e do acolhimento dos cuidadores para regular suas emoções e se adaptar ao ambiente. Quando os pais compreendem que o comportamento intenso não é sinal de birra ou dificuldade, mas sim de uma sensibilidade maior, tornam-se capazes de responder de forma mais adequada, reduzindo o estresse familiar e fortalecendo o vínculo afetivo.
Além disso, a literatura aponta que o manejo adequado das necessidades de um bebê High Need pode trazer benefícios a longo prazo. Crianças que recebem suporte emocional consistente tendem a desenvolver maior confiança, autonomia e capacidade de lidar com frustrações. Por outro lado, a ausência de compreensão e acolhimento pode gerar insegurança, baixa autoestima e dificuldades de socialização.
Portanto, reconhecer que um bebê com refluxo, cólicas ou ansiedade de separação pode ser classificado como High Need, mesmo sem apresentar problemas de saúde graves, é essencial para orientar práticas parentais mais sensíveis. O estabelecimento de um apego seguro, como destaca Kinedu (2022), constitui a base para um desenvolvimento saudável, permitindo que a criança cresça em um ambiente de confiança, acolhimento e estabilidade emocional.
Os primeiros três meses de vida do bebê constituem uma etapa adaptativa tanto para a criança quanto para a família. Esse período inicial é marcado por intensas mudanças fisiológicas e emocionais, em que o recém-nascido precisa se ajustar ao ambiente externo, enquanto os pais aprendem a lidar com as novas demandas que surgem. De modo geral, cinco atitudes são consideradas as mais comuns em um bebê: chorar, mamar, arrotar, sujar a fralda e dormir. Esses comportamentos básicos representam necessidades fisiológicas e emocionais que, quando atendidas, garantem o bem-estar e o desenvolvimento saudável da criança.
Entretanto, conforme destaca NATOSAFE (2021), para determinadas crianças tais carências vão além do esperado e se manifestam de forma exacerbada. É nesse contexto que surge a denominação High Need, utilizada para identificar bebês que apresentam demandas muito mais intensas do que a média. Esses indivíduos necessitam de colo constantemente, desde o momento em que nasceram, e demonstram um padrão de choro frequente e prolongado, que muitas vezes não se acalma com facilidade. Além disso, mamam com grande frequência, exigindo da mãe ou do cuidador uma disponibilidade contínua para atender às suas necessidades.
Segundo NATOSAFE (2021), o comportamento desses bebês não deve ser confundido com problemas de saúde ou falhas parentais, mas sim entendido como uma característica própria do temperamento infantil. Essa diferenciação é fundamental para evitar interpretações equivocadas, como a associação a birras ou comportamentos inadequados. Reconhecer que se trata de um bebê High Need permite que os pais desenvolvam estratégias de cuidado mais sensíveis e eficazes, fortalecendo o vínculo afetivo e promovendo um ambiente seguro e acolhedor.
Portanto, a contribuição de NATOSAFE (2021) é essencial para compreender que os primeiros meses de vida podem revelar perfis comportamentais distintos, e que os bebês High Need representam uma categoria que exige maior atenção, paciência e suporte emocional por parte da família.
Diante disso, os bebês High Need exibem determinadas peculiaridades de sua personalidade, as quais se manifestam em características comportamentais específicas e intensas. Conforme destaca Oliveira (2022), é relevante que os pais compreendam tais peculiaridades como uma forma de distinguir um bebê do outro, reconhecendo que cada criança possui um perfil único e que não deve ser comparado de maneira simplista com os demais. Essa compreensão é fundamental para evitar interpretações equivocadas, como a associação de tais comportamentos a birras ou dificuldades parentais.
Esse autor enfatiza que os bebês High Need apresentam uma sensibilidade ampliada ao ambiente, o que os torna mais vulneráveis a estímulos externos e, consequentemente, mais exigentes em relação ao cuidado.
A autora ressalta que o reconhecimento dessas características pode auxiliar os pais a desenvolverem práticas de cuidado mais adequadas, fortalecendo o vínculo afetivo e promovendo um ambiente seguro e acolhedor. Ao perceber que o comportamento intenso é parte da personalidade da criança, os cuidadores podem reduzir sentimento de culpa e frustração, compreendendo que não se trata de falha parental, mas de uma necessidade legítima do bebê. Oliveira (2022) também aponta que essa diferenciação é essencial para o desenvolvimento saudável da criança, pois permite que ela receba o suporte emocional necessário nos primeiros meses de vida, período crítico para a formação de vínculos e para a regulação emocional.
De acordo com Freitas (2017), é importante que os pais observem atentamente os comportamentos dos bebês com altas necessidades, pois eles choram e mamam demasiadamente, não aceitando aguardar, apresentando problemas para dormir e não suportando estar distantes da mãe. Essas manifestações revelam um padrão de comportamento que exige dos cuidadores uma disponibilidade constante, o que pode gerar desgaste físico e emocional.
Freitas destaca que o choro persistente e a busca frequente pelo seio materno não devem ser interpretados como sinais de “mau comportamento”, mas sim como expressões legítimas das necessidades da criança.
O autor enfatiza que compreender essas demandas é essencial para que os pais possam responder de forma adequada, evitando práticas punitivas ou negligentes que poderiam comprometer o vínculo afetivo. Além disso, Freitas (2017) observa que os problemas de sono são uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas famílias, já que os bebês High Need raramente estabelecem ciclos regulares, dormindo por períodos curtos e fragmentados. Essa característica intensifica a sensação de exaustão nos cuidadores, que precisam reorganizar suas rotinas para atender às exigências constantes da criança.
Segundo Kinedu (2022), uma criança High Need pode constituir um grande desafio para os pais, não apenas em termos práticos, mas também emocionais. Os impactos comportamentais e psicológicos nos encarregados de cuidar do bebê incluem desistência rápida, já que muitas vezes o pequeno não reage bem às tentativas de acalmá-lo; cansaço excessivo, decorrente da necessidade contínua de atenção; além de ansiedade e até sintomas depressivos, em virtude da sobrecarga emocional.
Esse autor ressalta que esses efeitos não devem ser subestimados, pois podem comprometer a saúde mental dos pais e, consequentemente, a qualidade do vínculo estabelecido com a criança.
A plataforma enfatiza que reconhecer o perfil High Need é essencial para que os cuidadores possam buscar apoio e desenvolver estratégias de manejo mais eficazes. Entre essas estratégias, destaca-se a importância de estabelecer um apego seguro, capaz de oferecer à criança a estabilidade emocional necessária para seu desenvolvimento saudável.
Kinedu (2022) observa que, embora desafiador, o cuidado intensificado pode resultar em vínculos mais sólidos e em uma relação de confiança duradoura entre pais e filhos. Dessa forma, compreender os impactos emocionais e comportamentais do cuidado de um bebê High Need é fundamental para promover práticas parentais mais sensíveis e para garantir o bem-estar da família como um todo.
Assim, os pais enfrentam essas dificuldades de cobrança excessiva de seu filho High need e acabam não sabendo lidar com a situação. Com isso, é importante que os pais consigam observar cada característica apresentada por seu pequeno para entender se ele é ou não uma criança com altas necessidades de atenção (PONSO, 2020).
Frequentemente pode-se efetuar a identificação de bebês High need no berçário hospitalar, onde seus choros não constitui uma solicitação simples e sim uma exigência urgente, visto que eles põem mais vigor em qualquer ação que fazem. Por isso, comem ferozmente, dão risada com vontade, sentindo profundamente a reação do mundo que o cerca (OLIVEIRA, 2022).
No que se refere à hiperatividade, os bebês High Need podem sugerir uma certa evitação à interação física, sendo necessário considerar o ambiente em que estão inseridos para analisar o grau de atividade. Um espaço desconhecido tem potencial para desencadear atitudes frenéticas (OLIVEIRA, 2022). Além disso, crianças com altas necessidades exigem todo o vigor dos genitores, uma vez que a intensidade de suas demandas consome grande parte da energia materna, restando pouca disponibilidade para outras tarefas cotidianas (OLIVEIRA, 2022).
A amamentação, nesse contexto, não é vista apenas como fonte de alimentação, mas também como um recurso de consolo e segurança, funcionando como um mecanismo de regulação emocional para o bebê, segundo o mesmo autor.
Apesar das exigências comportamentais, a desenvoltura psicomotora ocorre dentro da normalidade esperada: por volta de um ano de idade é provável que a criança já consiga andar, e em torno dos dois anos inicia a formação de frases simples, unindo duas palavras, demonstrando que o desenvolvimento segue o curso típico, ainda que acompanhado de maior intensidade nas interações (OLIVEIRA, 2022).
A partir do momento em que a criança passa a apontar essas posturas, os pais devem compreender que é isso ou aquilo que o bebê necessita, percepção essa que facilita a atenção diária a esses bebês. Assim, Beltrame (2021), diz que “o instante em que a criança passa a falar, em torno dos dois anos, torna-se mais fácil compreender o que ela almeja, pois através da verbalização ela expressa o que sente”.
A postura dos pais, portanto, e relevante que haja um hábito instituído em casa. Os bebês High need necessitam de organização para se habituarem a brincadeiras, descansar, comer e dormir em horas estabelecidas. A interação física pode ser promovida por meio de um 1sling. A exaustão da genitora é um sinal evidente de que ela convive com um ser que precisa muito dela (FERREIRA, 2021).
Pelo fato de o bebê High need poder ficar superestimado frequentemente, é relevante estabelecer uma rotina nos horários. Recomenda-se instituir um ambiente sem barulhos e tranquilo (KINEDU, 2022).
Se, a criança High need, inicia um comportamento com birra, atirando-se ao chão com choro estridente, deve-se tentar estabelecer um equilíbrio entre afeto e firmeza. A disciplina positiva constitui ferramenta ótima para o pequeno se sentir amparado e aprender a respeito de seus limites. A fim de não se ter mudanças ríspidas de rotina deve-se instituir um rito no sono, deixando o quarto bem tranquilo (KINEDU, 2022).
Existem determinadas maneiras de tranquilizar o bebê com alta necessidade:
Confortar o bebe, […] dividir os cuidados com o bebê entre os pais, […] dividir as tarefas domésticas, […] ter a participação ativa do parceiro, […] manter a calma e a paciência, […] observar o bebê, […] fazer massagens no bebê, […] tentar distrair o bebê, […] não atender as necessidades de imediato aos poucos (BELTRAME, 2021, p. 1).
Além disso, também é importante que os pais busquem ajuda de médico pediatra, que irá acompanhar e avaliar a saúde do filho em seu desenvolvimento. Esse profissional, conhecedor sobre altas necessidades é o recomendado para que a família consiga entender a situação e encontre soluções para as dificuldades vindas por conta da personalidade do pequeno. Outro ponto relevante é que os pais busquem ajuda de um psicólogo para trabalhar a questão emocional e comportamental (BELTRAME, 2021), tornando indispensável que a genitora possua um momento somente seu incluso na rotina e que não se permita conduzir à fadiga.
É necessário que a mesma não deixe de solicitar auxílio e não se sinta culpada quando seu bebê chorar demais. Isso é relevante a fim de que ela conserve sua saúde corpórea e psíquica, tendo em vista não comprometer suas relações pessoais, profissionais e com o bebê (FERREIRA, 2021).
Diante disso, seja um bebê High need ou não, é sempre importante estar pronto para lidar com as caixinhas de surpresas que são os pequenos. São novos comportamentos, reações, gestos e atitudes quase que diariamente, mas passar por cada um desses momentos é tão delicioso que não tem preço. (PONSO, 2020, p.1).
Contudo em razão da sensibilidade, é necessária muita paciência para conviver com um bebê que possui alta necessidade e, pouco a pouco, compreender os costumes e cuidados que o fazem ficar tranquilo e relaxado. Os pais devem ficar calmos e atentos às sutilezas do comportamento e as mães precisam ser apoiadas por pessoas de sua confiança e se a entidade familiar dificulta, busque pessoas que compreendam a situação particular (NATOSAFE, 2021).
Assim, o bebê sente que necessita de seus pais, a fim de se desenvolver, onde a noção de que os bebês precisam aprender a se tornar independentes está relacionada a como se quer que eles ajam (ROCHA, 2021).
Para uma mãe que conta com alguém que lhe ofereça auxílio, torna-se indispensável que haja uma divisão equilibrada dos afazeres, de modo a evitar a sobrecarga física e emocional. O cuidado de um bebê, especialmente quando se trata de uma criança classificada como High Need, exige atenção contínua, disponibilidade afetiva e grande dedicação, o que pode gerar desgaste significativo se não houver suporte adequado.
Assim, o apoio familiar e profissional é fundamental para que a mãe consiga desempenhar suas funções sem comprometer sua saúde mental e física, além de garantir que o bebê receba o cuidado necessário (KINEDU, 2022).
A literatura aponta que a sobrecarga materna é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de sintomas de ansiedade, depressão e estresse pós-parto. Quando a mãe assume sozinha todas as responsabilidades relacionadas ao bebê e ao lar, a probabilidade de exaustão aumenta consideravelmente. Por isso, a divisão de tarefas entre os membros da família, bem como o suporte de profissionais de saúde, como pediatras, psicólogos e enfermeiros, é essencial para promover um ambiente mais equilibrado e saudável.
O apoio familiar pode se manifestar de diversas formas: desde a participação ativa do parceiro nas rotinas de cuidado, até o auxílio de avós, irmãos ou outros parentes próximos. Esse compartilhamento de responsabilidades não apenas reduz a carga sobre a mãe, mas também fortalece os vínculos familiares, criando uma rede de suporte que beneficia tanto a criança quanto os cuidadores. Já o apoio profissional oferece orientação técnica e emocional, ajudando os pais a compreenderem melhor as necessidades do bebê e a desenvolverem estratégias de manejo mais eficazes.
Segundo Kinedu (2022), é importante que os pais reconheçam que o cuidado de um bebê não deve ser uma tarefa solitária, mas sim uma experiência compartilhada. A presença de uma rede de apoio sólida contribui para que a mãe se sinta mais segura e confiante, reduzindo sentimentos de culpa e frustração. Além disso, possibilita que ela tenha momentos de descanso e autocuidado, aspectos indispensáveis para manter o equilíbrio emocional e a capacidade de responder de forma sensível às demandas da criança.
Portanto, a divisão de afazeres e o apoio familiar e profissional não são apenas recomendações práticas, mas constituem elementos centrais para a promoção do bem-estar materno e infantil. Ao compreender que o cuidado intensivo de um bebê High Need exige colaboração, é possível construir um ambiente mais acolhedor e saudável, favorecendo o desenvolvimento da criança e a harmonia da família como um todo.
Em regra, a genitora fica fadigada e sem tempo para repousar e cuidar de si, momento esse que a ansiedade se torna comum, especialmente nos primeiros meses de existência da criança, ou até quando o profissional da pediatria identifique a alta necessidade; não obstante, e caso possível, esse período é importante que aconteça o auxílio de um psicólogo para fins de contenção da ansiedade.
Com o seu desenvolvimento, a criança vai aprendendo a se distrair e divertir com outras, onde os pais vão deixando de ser o foco de sua atenção. Assim, nessa etapa, é natural que natural que mãe necessitar de ajuda psicológica por estar acostumada a viver somente para a criança High need (BELTRAME, 2021).
4 Considerações Finais
A partir da pesquisa realizada, constata-se que os bebês e crianças classificados como High Need demandam atenção contínua por parte dos pais ou responsáveis. Torna-se imprescindível que estes conheçam profundamente seus filhos, a fim de identificar características que os diferenciem e que possam ser reconhecidas como necessidades elevadas.
Observa-se que tais crianças apresentam comportamentos mais intensos, como choro frequente e vigoroso, busca constante pela amamentação e dificuldade em tolerar períodos de espera. Além disso, tendem a permanecer próximos aos pais, sobretudo da mãe, que desempenha papel central nos primeiros meses de vida em virtude da amamentação e do vínculo inicial estabelecido.
Diante desse cenário, é fundamental que os pais reconheçam as especificidades comportamentais de seus filhos para verificar se se enquadram na categoria High Need. Esse reconhecimento possibilita o planejamento de rotinas mais adequadas, reduzindo a sobrecarga emocional e física decorrente das demandas intensas. Ressalta-se, ainda, que os cuidadores não devem se sentir culpados diante das dificuldades enfrentadas, mas sim buscar apoio junto a profissionais especializados, que podem oferecer orientação técnica e suporte emocional para lidar com tais comportamentos e, simultaneamente, auxiliar os próprios pais em seus processos de aprendizagem e adaptação.
As análises obtidas a partir da literatura consultada não se esgotam neste trabalho. Pelo contrário, abrem espaço para novos desdobramentos e investigações futuras, considerando que o tema apresenta relevância significativa não apenas no âmbito acadêmico, mas também na prática cotidiana das famílias. O estudo sobre bebês High Need pode servir como referência para pais que buscam compreender determinados comportamentos de seus filhos e, a partir disso, promover estratégias de cuidado mais eficazes e humanizadas.
Esse esforço de sistematização de conhecimento e de compartilhamento de experiências gera impactos positivos no campo da educação e da saúde, fornecendo subsídios para que pesquisadores, profissionais e famílias possam identificar precocemente tais comportamentos e desenvolver práticas que favoreçam o crescimento saudável e contínuo das crianças.
Quadro Comparativo – Autores sobre Bebês High Need


Fonte: autora
5. Estudos Futuros
A análise realizada ao longo deste trabalho evidencia que o tema dos bebês High Need ainda carece de aprofundamento científico, especialmente no contexto brasileiro. Embora existam contribuições relevantes de autores internacionais e nacionais, observa-se que a literatura permanece limitada, concentrando-se em descrições comportamentais e em relatos de impacto sobre os cuidadores.
Diante disso, torna-se pertinente sugerir que pesquisas futuras avancem em diferentes direções. Em primeiro lugar, estudos longitudinais poderiam acompanhar o desenvolvimento de crianças classificadas como High Need ao longo dos anos, verificando se as características comportamentais iniciais se mantêm, se transformam ou se atenuam com o crescimento. Essa abordagem permitiria compreender os efeitos de longo prazo sobre o temperamento, a socialização e a saúde emocional.
Em segundo lugar, investigações voltadas para os impactos na saúde mental dos pais são fundamentais. O cuidado intensivo exigido por esses bebês pode desencadear sintomas de ansiedade, depressão e estresse, sendo necessário avaliar como diferentes estratégias de apoio familiar e profissional podem mitigar tais efeitos.
Outra linha de pesquisa relevante seria a análise das políticas públicas de apoio parental, verificando se programas de saúde e educação contemplam adequadamente famílias que convivem com bebês de alta demanda. Estudos comparativos entre diferentes países poderiam oferecer subsídios para a criação de práticas mais inclusivas e eficazes.
Além disso, pesquisas futuras poderiam explorar a relação entre o perfil High Need e fatores socioculturais, investigando como diferentes contextos influenciam a percepção e o manejo desses comportamentos. A diversidade cultural pode revelar estratégias distintas de cuidado que contribuam para ampliar o repertório de práticas parentais.
Por fim, sugere-se que sejam realizados estudos interdisciplinares, envolvendo áreas como pediatria, psicologia, educação e serviço social, de modo a construir uma compreensão mais ampla e integrada sobre o fenômeno. Essa abordagem permitiria não apenas avançar no campo acadêmico, mas também oferecer orientações práticas para famílias e profissionais que lidam com crianças de alta necessidade.
1SLING é um carregador de bebês, sua tradução literal é “tipoia”. Nada mais é que um pano de mais ou menos 2 metros, ajustado através de duas argolas, que amoldam o bebê numa posição confortável e anatômica junto ao corpo da mãe, pai, avós… Deixando as suas mãos livres.” (Sling Cheiro de Mãe). Fonte: http://www.nucleobemnascer.com/
Referências Bibliográficas
BELTRAME, J. Bebês High Need: características e desafios no cuidado parental. 2021.
CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 4. ed. São Paulo: Makron Books, 1996.
FERREIRA, A. Bebês High Need: demandas e comportamentos intensos. 2021.
FREITAS, M. Crianças de alta necessidade: observações sobre comportamento e rotina. 2017.
KITCHENHAM, B.; CHARTERS, S. Guidelines for performing Systematic Literature Reviews in Software Engineering. Technical Report EBSE 2007-001, Keele University, 2007.
KINEDU. Bebês High Need: impactos emocionais e comportamentais nos pais. 2022.
MOHER, D. et al. Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses: The
PRISMA Statement. PLoS Med, v. 6, n. 7, e1000097, 2009.
NATOSAFE. Bebê High Need: entenda mais sobre esses bebês. Blog Natosafe, 05 out. 2021. Disponível em: <https://natosafe.com.br/bebe-high-need/>.
OLIVEIRA, R. Peculiaridades comportamentais de bebês High Need. 2022.
SEARS, W.; SEARS, M. The Fussy Baby Book: Parenting Your High-Need Child from Birth to Age Five. London: Thorsons, 2005.
THOMAS, A.; CHESS, S. Temperament and Development. New York: Brunner/Mazel, 1977.
1Formada em Psicologia, pelo Centro Universitário Celso Lisboa, Rio de Janeiro
Pós-graduada em Psicologia Clínica
Pós-graduada em Saúde Mental/ PCM
