ATUAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA NOS CUIDADOS PALIATIVOS EM PACIENTES ONCOLÓGICOS

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/dt10202506121403


Andrey Lima Gomes1
Vanessa Viana Moraes2
Brenda Cavalcante Marques3


RESUMO 

OBJETIVOS: Este estudo teve como objetivo analisar a atuação da fisioterapia nos  cuidados paliativos de pacientes oncológicos, destacando suas contribuições para o  alívio dos sintomas, a promoção da qualidade de vida e os desafios enfrentados na  prática clínica. METODOLOGIA: Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter  bibliográfico, fundamentada em uma revisão da literatura científica nacional publicada  entre 2016 e 2025. Foram selecionados artigos, dissertações e teses nas bases de  dados SciELO e PubMed, conforme critérios de inclusão e exclusão previamente  estabelecidos. A análise dos dados foi realizada com base na técnica de análise de  conteúdo, segundo Bardin. RESULTADOS: A revisão evidenciou que a fisioterapia  contribui significativamente para o controle de sintomas como dor, dispneia, fadiga e  limitação funcional em pacientes oncológicos em cuidados paliativos. Além disso,  destaca-se a importância da atuação humanizada, da integração do fisioterapeuta na  equipe multiprofissional e dos desafios relacionados à formação acadêmica e suporte  emocional do profissional. CONCLUSÃO: A atuação fisioterapêutica em cuidados  paliativos oncológicos é fundamental para a promoção do conforto e da qualidade de  vida dos pacientes em fase terminal. O fisioterapeuta, ao integrar uma equipe  interdisciplinar e empregar abordagens centradas no paciente, desempenha um papel  essencial na assistência paliativa, embora ainda enfrente barreiras formativas e  institucionais que precisam ser superadas. 

Palavras-chave: Fisioterapia; Cuidados Paliativos; Pacientes Oncológicos; Equipe  multiprofissional. 

ABSTRACT 

OBJECTIVES: This study aimed to analyze the role of physical therapy in palliative  care for cancer patients, highlighting its contributions to symptom relief, quality of life  promotion, and the challenges encountered in clinical practice. METHODS: This is a  qualitative, bibliographic research based on a literature review of national scientific  publications from 2016 to 2025. Articles, dissertations, and theses were selected from  SciELO and PubMed databases according to predefined inclusion and exclusion  criteria. Data analysis was performed using content analysis methodology, as  proposed by Bardin. RESULTS: The review showed that physical therapy significantly  contributes to the management of symptoms such as pain, dyspnea, fatigue, and  functional limitations in cancer patients receiving palliative care. The findings also  emphasized the importance of humanized care, the integration of the physical therapist  into the multidisciplinary team, and the challenges related to academic training and  emotional support for professionals. CONCLUSION: Physical therapy plays a key role  in palliative care for oncology patients by promoting comfort and quality of life in  advanced stages of illness. Through patient-centered approaches and active  participation in interdisciplinary teams, physical therapists are essential to palliative  care. However, educational and institutional barriers still need to be addressed to  strengthen their performance. 

KEYWORDS: Physical therapy; Palliative care; Oncology Patients; Multidisciplinary  team. 

1. INTRODUÇÃO 

A atuação da fisioterapia nos cuidados paliativos para pacientes oncológicos tem  ganhado cada vez mais relevância no contexto da saúde, especialmente  considerando o aumento da prevalência de casos de câncer e a crescente demanda  por cuidados que visem não apenas à sobrevida, mas também à melhoria da  qualidade de vida dos pacientes.  

O câncer, caracterizado por seu alto poder de morbidade e mortalidade, exige,  em suas fases mais avançadas, um enfoque no alívio de sintomas e na promoção do  conforto, principalmente em situações em que o prognóstico de cura é impossível. A  fisioterapia, ao integrar uma equipe multiprofissional, desempenha um papel essencial  no manejo da dor, na melhora da funcionalidade física e na promoção do bem-estar  psicológico do paciente. 

Dessa maneira, os estudos de Barbosa et al. (2021), afirmam que a fisioterapia  nos cuidados paliativos contribui significativamente para a melhora da qualidade de  vida dos pacientes oncológicos, além de atuar no controle de sintomas físicos e  emocionais. 

No entanto, apesar da importância reconhecida da fisioterapia nesses contextos,  ainda existem lacunas no entendimento sobre como essa atuação pode ser otimizada.  Ressalta-se, que a escassez de formação específica para atuação em cuidados  paliativos, além da falta de recursos adequados para uma prática eficaz, são desafios  que precisam ser superados. Nesse sentido, o problema de pesquisa deste estudo  pode ser formulado da seguinte maneira:  

Como a fisioterapia pode ser otimizada nos cuidados paliativos para pacientes  oncológicos, considerando os desafios enfrentados pelos profissionais?

Neste contexto, as hipóteses que norteiam o presente estudo são: 1) A  fisioterapia contribui significativamente para o alívio dos sintomas mais comuns em  pacientes oncológicos em cuidados paliativos, como dor, dispneia, fadiga e limitação  funcional; 2) A integração do fisioterapeuta na equipe multiprofissional pode melhorar  a abordagem do paciente, resultando em maior conforto e qualidade de vida; e 3) Os  desafios enfrentados pelos fisioterapeutas, como a falta de formação específica,  limitam a eficácia da intervenção e o atendimento aos pacientes. 

O objetivo geral deste estudo é analisar a atuação da fisioterapia nos cuidados  paliativos para pacientes oncológicos. Para tanto, os objetivos específicos são: 1)  Identificar as principais contribuições da fisioterapia no controle de sintomas como dor,  fadiga e dispneia; 2) Avaliar a importância da atuação do fisioterapeuta dentro de uma  equipe multiprofissional, enfatizando a colaboração interdisciplinar; e 3) Discutir os  desafios enfrentados pelos fisioterapeutas em cuidados paliativos, incluindo as  dificuldades emocionais e as limitações da formação. 

A justificativa para este estudo reside na crescente necessidade de melhorar a  qualidade de vida de pacientes oncológicos, especialmente na fase terminal da  doença, em que os cuidados paliativos se tornam essenciais. 

Desse modo, a fisioterapia através de um método que seja integrativo e centrado  no paciente, possui um papel fundamental nesse processo, ajudando a aliviar  sintomas debilitantes e promovendo o conforto.  

Além disso, ao investigar a atuação do fisioterapeuta nesse contexto, é possível  identificar áreas de melhoria no treinamento e na formação de profissionais,  contribuindo para o desenvolvimento de melhores práticas em cuidados paliativos no  Brasil. A relevância dessa pesquisa é evidenciada pela escassez de estudos que  tratem especificamente da fisioterapia dentro desse modelo de atendimento,  ressaltando a necessidade urgente de maior investigação sobre o tema para aprimorar  o cuidado oferecido aos pacientes oncológicos em cuidados paliativos. 

2. METODOLOGIA  

A metodologia adotada neste estudo foi de natureza qualitativa e bibliográfica,  com o objetivo de analisar a atuação da fisioterapia nos cuidados paliativos para  pacientes oncológicos. A pesquisa foi realizada com base em uma revisão da literatura existente, a fim de compilar e discutir os principais achados relacionados à  contribuição da fisioterapia no contexto dos cuidados paliativos.  

O método qualitativo foi escolhido por sua capacidade de proporcionar uma  análise aprofundada das experiências e das contribuições da fisioterapia, permitindo  entender as complexidades que envolvem o cuidado com pacientes em estágios  avançados da doença oncológica. 

A revisão bibliográfica foi realizada em bases de dados científicas como  SciELO, PubMed, abrangendo artigos, dissertações e teses especializadas  publicados entre 2016 e 2025. A seleção das fontes foi conduzida de acordo com  critérios rigorosos de inclusão e exclusão. Os critérios de inclusão contemplaram: (i)  publicações em periódicos acadêmicos indexados e livros especializados, que  tratassem da fisioterapia em cuidados paliativos oncológicos; (ii) estudos que  abordassem a eficácia das intervenções fisioterapêuticas na qualidade de vida de  pacientes oncológicos em cuidados paliativos; (iii) artigos que discutissem os desafios  e as dificuldades enfrentadas pelos fisioterapeutas nesse contexto; (iv) publicações  que analisaram a colaboração interdisciplinar na equipe de cuidados paliativos. Já os  critérios de exclusão foram: (i) artigos ou livros que abordaram cuidados paliativos  sem tratar especificamente da fisioterapia, (ii) materiais de qualidade metodológica  inferior, como resumos de congressos ou artigos sem revisão por pares. 

A pesquisa foi conduzida utilizando o método indutivo, no qual o conhecimento  foi construído a partir dos dados específicos encontrados nas fontes selecionadas,  sem um referencial teórico pré-estabelecido. Segundo Gil (2010), o método indutivo  permite observar e identificar padrões e tendências dentro dos dados coletados,  possibilitando uma análise mais flexível e aberta. A técnica de análise utilizada foi a  análise de conteúdo, conforme Bardin (2016), que possibilita organizar e interpretar  as informações de maneira estruturada e detalhada, identificando as categorias  relevantes de discussão. 

Durante a análise das fontes, foram identificadas e organizadas categorias  temáticas relacionadas aos temas centrais da pesquisa, como o controle da dor, a  dispneia, a fadiga, a limitação funcional e a colaboração interdisciplinar nos cuidados  paliativos. Cada categoria foi discutida com base nos achados das publicações  selecionadas, permitindo uma visão abrangente das práticas fisioterapêuticas nesse  contexto. 

3. RESULTADOS E DISCUSSÕES 

O presente estudo demonstrou uma diversidade de abordagens  relacionadas à atuação da fisioterapia em cuidados paliativos oncológicos, com  ênfase na melhoria da qualidade de vida dos pacientes e no controle de sintomas  como dor, dispneia e fadiga. Estudos revisados indicaram que as intervenções  fisioterapêuticas, incluindo a fisioterapia respiratória, terapia de exercícios e técnicas  de alívio da dor, têm mostrado resultados positivos no controle de sintomas que  impactam diretamente a qualidade de vida dos pacientes (Martins, 2021; Alves, 2020).  Além disso, foi identificado nos trabalhos, que os fisioterapeutas buscam estar sempre  integrados na equipe interdisciplinar, com médicos, enfermeiros, psicólogos e  assistentes sociais, de modo a proporcionar um cuidado mais integral. 

A partir dos artigos revisados, foi possível constatar que a fisioterapia tem um  papel fundamental no manejo dos sintomas e na melhoria do conforto dos pacientes  oncológicos em cuidados paliativos. A literatura destaca que o controle da dor, por  exemplo, é uma das áreas onde a fisioterapia tem mostrado maior impacto. Segundo  Silva et al. (2022), a combinação de técnicas de mobilização e exercícios de  alongamento tem contribuído para a diminuição da dor muscular e articulares  associadas a longos períodos de imobilização. 

Em relação à dispneia, é comum que pacientes com câncer avançado  apresentem dificuldades respiratórias. Diversos estudos indicaram que a fisioterapia  respiratória, com ênfase em técnicas de respiração controlada e fortalecimento da  musculatura respiratória, tem mostrado resultados eficazes na melhoria da função  pulmonar e na redução da sensação de falta de ar (Pereira et al., 2021). 

Um achado relevante desta revisão foi a presença de uma série de dificuldades  emocionais e técnicas enfrentadas pelos fisioterapeutas no contexto de cuidados  paliativos, como a escassez de formação específica na área e o impacto emocional  de trabalhar com pacientes terminais. Muitos estudos mencionam que esses desafios  afetam diretamente a qualidade do atendimento prestado e a satisfação dos próprios  profissionais com o trabalho realizado (Ferraz et al., 2020). 

Assim, observa-se a Tabela 1 que apresenta os trabalhos utilizados para nesta  pesquisa:

Tabela 1- Trabalhos encontrados para a revisão

Autor(es) e AnoIntervenção Objetivo Metodologia Resultado
Quaresma et  al., 2023Fisioterapia  
oncológica em  cuidados  paliativos
Avaliar impacto  da fisioterapia em  cuidados  paliativosRevisão de  literaturaFisioterapia melhora a  qualidade de vida
Silva et al.,  2022Cuidados  paliativos em  câncer de  pulmãoAvaliar benefícios  da fisioterapiaEstudo  clínicoRedução de  sintomas e  melhora na  qualidade de vida
Mota et al.,  2021Fisioterapia  em pacientes  em cuidados  paliativosEstudar atuação  da fisioterapiaRevisão integrativaContribuições 
significativas para  manejo de  sintomas
Ramos et al.,  2019Fisioterapia na  dor em  cuidados
paliativos
Avaliar efeitos na  dorRevisão  sistemáticaRedução
significativa na dor  dos pacientes
Costa et al.,  2020Cuidados  paliativos na  oncologiaExplorar  
contribuições da  fisioterapia
Revisão bibliográficaMelhora no  controle dos  sintomas
Campos et al.,  2020Humanização  em cuidados  paliativosAvaliar  contribuição da  fisioterapiaAnálise  qualitativaFisioterapia melhora a  humanização no  cuidado
Costa &  Duarte, 2019Reflexões  bioéticas sobre  cuidados  paliativosDiscutir aspectos  bioéticosReflexão  teóricaContribuições para  a bioética na  prática paliativa
Costa et al.,  2022Cuidados  paliativos com  ênfase na  humanizaçãoAnalisar o papel  da fisioterapiaRevisão bibliográficaDestaca a  importância da  humanização no  cuidado
Santos &  Peruzzo, 2022Atuação da  fisioterapia em  cuidados  paliativosExaminar o papel  da fisioterapiaRevisão de  literaturaContribuições da  fisioterapia na  qualidade de vida
Cardos o et al., 2023Fisioterapeuta  oncológico nos  cuidados  paliativosEstudar o papel  do fisioterapeutaRevisão  integrativaIdentificaram-se  melhorias nos  cuidados
Rodrigues  Neto et al.,  2024Abordagem
interprofissional
Analisar cuidados  interprofissionaisRevisão  integrativaMelhora na  qualidade do  cuidado com  equipes
interprofissionais
Santos-Moura  et al., 2023Percepção  sobre cuidados  da equipe 
multiprofissional
Avaliar percepção  de profissionaisEstudo  qualitativoEquipes  
multiprofissionais  melhoram os  cuidados
Melo et al.,  2024Fisioterapia  nos cuidados  paliativos  
oncológicos
Analisar a  fisioterapia em  cuidados  paliativosRevisão de  literaturaMelhora  
significativa na  qualidade de vida  dos pacientes
Silva et al.,  2020Aspectos  bioéticos em  cuidados  paliativosEstudar aspectos  bioéticosEstudo  qualitativoFisioterapeutas  têm desafios  éticos no cuidado  paliativo
Gonçalves et  al., 2018Formação dos  fisioterapeutas  em cuidados  paliativosAvaliar a  formação dos  fisioterapeutasEstudo  quantitativoIdentificação de  lacunas na  formação
profissional
Bittencourt et  al., 2022Cuidados  
paliativos no ensino da fisioterapia
Analisar o ensino  de cuidados  paliativosPesquisa 
bibliográfica
Melhorias no  currículo de  fisioterapia
Oliveira et al.,  2019Importância do  fisioterapeuta  nos cuidados  paliativosDiscutir o papel  do fisioterapeutaRevisão de  literaturaContribuições 
importantes para a  prática de  cuidados paliativos
Alcântara,  2021Fisioterapia paliativaAnalisar cuidados  paliativos na  fisioterapiaRevisão bibliográficaEficácia da  fisioterapia nos  cuidados paliativos
Araújo et al.,  2021Perfil clínico de  pacientes
oncológicos  em cuidados  paliativos
Estudar o perfil  dos pacientesEstudo 
retrospectivo
Identificação de  padrões clínicos  nos cuidados  paliativos
Faller et al.,  2016Perfil de  idosos com  câncer em  cuidados 
paliativos  
domiciliares
Analisar  perfil de idososEstudo  transversalMaior necessidade  de cuidados
domiciliares para  idosos
Farias &  Bezerra, 2021Perfil de  pacientes 
oncológicos  em cuidados  paliativos
Estudar o perfil  sociodemográficoEstudo  quantitativoIdentificação de  fatores que  influenciam os  cuidados
Atty &  Tomazelli,  2018Cuidados  paliativos  domiciliaresAvaliar cuidados  paliativos  domiciliaresEstudo  qualitativoMelhor
acompanhamento  domiciliar para  pacientes
Barbosa et al.,  2021Fisioterapia  nos cuidados  paliativosAvaliar
contribuições  para a qualidade  de vida
Estudo 
experimental
Fisioterapia melhora a  qualidade de vida em cuidados paliativos 

Fonte: Autores (2025)

3.1 PERFIL DOS PACIENTES ONCOLÓGICOS EM CUIDADOS PALIATIVOS

A caracterização do perfil dos pacientes oncológicos em cuidados paliativos é  essencial para aprimorar as estratégias de assistência e promover intervenções mais  eficazes. Diversos estudos têm investigado aspectos como tipos de câncer mais  prevalentes, faixa etária predominante e estágio da doença nesses pacientes. As neoplasias mais frequentemente observadas em pacientes oncológicos sob  cuidados paliativos variam conforme o sexo e a faixa etária. Em um estudo de Farias  e Bezerra (2021) que analisou casos registrados na atenção domiciliar entre 2013 e  2015, identificou-se que, entre os homens, o câncer de próstata foi o mais prevalente,  especialmente naqueles com mais de 60 anos. Já entre os homens com menos de 40  anos, o câncer de encéfalo foi o mais comum. Para as mulheres, o câncer de mama  destacou-se como o mais incidente em quase todas as faixas etárias, exceto nas  menores de 40 anos.  

Corroborando esses achados, Faller et al. (2016) observaram, em um estudo  realizado em Foz do Iguaçu (PR), que o câncer de próstata foi o mais frequente entre  os homens idosos, enquanto o câncer de mama predominou entre as mulheres. Além  disso, a pesquisa destacou a baixa escolaridade como um fator comum entre os  pacientes, o que pode influenciar no acesso aos serviços de saúde e no diagnóstico  precoce da doença.  

A idade avançada é um fator associado à maior incidência de câncer e,  consequentemente, à necessidade de cuidados paliativos. No estudo de Faller et al.  (2016), a maioria dos pacientes em cuidados paliativos domiciliares tinha mais de 70  anos. Esse dado é consistente com a literatura, que aponta o envelhecimento como  um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de neoplasias.  

Outro estudo, conduzido por Farias e Bezerra (2021), reforça essa tendência,  indicando que a maioria dos pacientes oncológicos em cuidados paliativos no Brasil  está na faixa etária acima dos 60 anos.  

Assim, é possível afirmar que a maioria dos pacientes oncológicos  encaminhados para cuidados paliativos apresenta a doença em estágio avançado (Farias e Bezerra, 2021). Segundo Araújo et al. (2021), aproximadamente 69% dos  pacientes avaliados em seu estudo apresentavam metástase no momento do ingresso  nos cuidados paliativos. Esses dados indicam um diagnóstico tardio e a necessidade  de intervenções paliativas precoces. 

Além disso, Farias e Bezerra (2021) destacam que a maioria dos pacientes em  cuidados paliativos apresenta funcionalidade bastante reduzida na admissão  hospitalar, o que reforça a importância de estratégias de diagnóstico precoce e de  encaminhamento oportuno para cuidados paliativos.  

A baixa escolaridade e o baixo nível socioeconômico são características  frequentemente observadas entre os pacientes oncológicos em cuidados paliativos.  Esses fatores podem dificultar o acesso aos serviços de saúde e contribuir para o  diagnóstico tardio da doença. 

Faller et al. (2016) observaram que a maioria dos pacientes em cuidados  paliativos domiciliares tinha baixa escolaridade, o que pode influenciar na  compreensão sobre a doença e no engajamento com o tratamento.  

Portanto, o perfil dos pacientes oncológicos em cuidados paliativos no Brasil é  caracterizado por uma predominância de idosos, com neoplasias em estágio  avançado, baixa escolaridade e condições socioeconômicas desfavoráveis. Esses  fatores ressaltam a importância de políticas públicas voltadas para o diagnóstico  precoce, a educação em saúde e o fortalecimento da atenção domiciliar, visando  melhorar a qualidade de vida desses pacientes. 

3.2 CONTRIBUIÇÕES DA FISIOTERAPIA PARA O ALÍVIO DOS SINTOMAS EM  CUIDADOS PALIATIVOS ONCOLÓGICOS 

Foi possível constatar que a atuação da fisioterapia nos cuidados paliativos  oncológicos tem sido amplamente estudada por sua relevância na promoção do  conforto e da funcionalidade, especialmente na fase terminal da doença. Em vez de  buscar a cura, o enfoque é o controle de sintomas como dor, dispneia, fadiga e  limitações funcionais, sempre com o objetivo de preservar a qualidade de vida do  paciente. 

Segundo Quaresma et al. (2023), a fisioterapia oncológica em cuidados  paliativos contribui significativamente para a redução de sintomas como dor crônica,  fadiga intensa, dispneia e distúrbios funcionais, promovendo maior bem-estar e alívio  dos desconfortos físicos. Os autores destacam que intervenções como a eletroterapia,  a cinesioterapia leve e a reeducação postural têm sido eficazes na atenuação de  quadros dolorosos e no aumento da funcionalidade residual dos pacientes. 

De acordo com Silva et al. (2022), no contexto específico de pacientes com  câncer de pulmão, técnicas como exercícios respiratórios, mobilizações precoces e higiene brônquica auxiliam no controle da dispneia e na prevenção de complicações  respiratórias. A fisioterapia, segundo os autores, proporciona alívio da sensação de  sufocamento e melhora a oxigenação, promovendo conforto respiratório, mesmo em  situações clínicas graves. 

Já Mota et al. (2021) apontam que a fadiga, que é um dos sintomas mais  incapacitantes nos pacientes oncológicos em cuidados paliativos, pode ser amenizada  com a prática de exercícios terapêuticos de baixa intensidade, promovendo maior  disposição física, redução da sensação de cansaço extremo e melhora do sono. A  fisioterapia, ao modular a atividade física de forma segura e individualizada, contribui  para a manutenção da autonomia e autoestima dos pacientes, o que impacta  diretamente em sua qualidade de vida. 

Ramos et al. (2019), por sua vez, afirmam que a dor, frequentemente presente  em pacientes com câncer em estágio avançado, pode ser controlada com técnicas  fisioterapêuticas como a terapia manual, a estimulação elétrica transcutânea (TENS)  e o uso de calor ou frio terapêutico. Tais recursos, aliados à orientação postural e ao  estímulo à movimentação segura, reduzem a necessidade de medicamentos  analgésicos e promovem um estado de maior conforto e relaxamento. 

De forma geral, estudos como o de Costa et al. (2020) ressaltam que a inserção  do fisioterapeuta em equipes de cuidados paliativos é primordial para atuação  interdisciplinar da dor e da limitação funcional. A atuação colaborativa entre  profissionais da saúde, com foco no cuidado integral, amplia a eficácia dos  tratamentos paliativos e garante que o paciente seja atendido de maneira mais  humanizada e centrada em suas necessidades. 

Essas evidências apontam, portanto, que a fisioterapia é uma aliada importante  na atenção paliativa oncológica. Além dos benefícios físicos, a presença contínua do  fisioterapeuta proporciona acolhimento emocional e uma escuta ativa que favorece o  enfrentamento do processo de terminalidade com mais dignidade e qualidade de vida. 

3.3 IMPORTÂNCIA DA ATUAÇÃO HUMANIZADA E INDIVIDUALIZADA DO  FISIOTERAPEUTA 

A atuação humanizada e individualizada do fisioterapeuta é essencial nos  cuidados paliativos oncológicos, pois respeita a dignidade, autonomia e conforto do  paciente. Essa abordagem, focada no paciente possibilita que as intervenções sejam adaptadas às necessidades físicas, emocionais e sociais de cada indivíduo,  promovendo uma melhor qualidade de vida durante o tratamento. Campos et al. (2020) destacam que a humanização nos cuidados paliativos  oncológicos envolve a escuta ativa e a empatia por parte dos profissionais de saúde,  incluindo fisioterapeutas. Essa postura facilita a compreensão das reais necessidades  dos pacientes, permitindo a elaboração de planos terapêuticos mais eficazes e  personalizados. A individualização do atendimento contribui para o fortalecimento do  vínculo entre paciente e profissional, essencial para a adesão ao tratamento e para o  bem-estar do paciente. 

Por outro lado, Costa e Duarte (2019) enfatizam a importância da bioética na  prática fisioterapêutica em cuidados paliativos, ressaltando que o respeito à  autonomia do paciente é fundamental. Os fisioterapeutas devem estar atentos às  preferências e valores dos pacientes, envolvendo-os ativamente nas decisões sobre  seu próprio cuidado. Essa abordagem não apenas respeita a dignidade do paciente,  mas também promove um ambiente de confiança e colaboração mútua. 

Costa et al. (2022) apontam que os cuidados paliativos humanizados na  oncologia requerem uma atuação multiprofissional integrada, na qual o fisioterapeuta  desempenha um papel primordial. Ao considerar as particularidades de cada paciente,  o fisioterapeuta pode implementar intervenções que aliviem sintomas como dor, fadiga  e dispneia, sempre respeitando os limites e desejos do indivíduo. Essa prática  contribui para a manutenção da funcionalidade e para a promoção do conforto,  aspectos essenciais na fase paliativa do tratamento oncológico. 

Santos e Peruzzo (2022) ressaltam que a humanização nos cuidados paliativos  envolve não apenas o tratamento dos sintomas físicos, mas também o suporte  emocional e psicológico ao paciente e sua família. O fisioterapeuta, ao estar mais  próximo ao paciente contribuindo nesse cuidado, faz com que o ambiente terapêutico  se torne acolhedor. 

Desse modo, a partir dos autores compreende-se que a atuação humanizada  e individualizada do fisioterapeuta nos cuidados paliativos oncológicos é fundamental  para assegurar que o paciente receba um atendimento que respeite sua dignidade,  promova seu conforto e preserve sua autonomia. 

3.4 INTEGRAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NA EQUIPE MULTIPROFISSIONAL 

A integração do fisioterapeuta na equipe multiprofissional é essencial nos  cuidados paliativos oncológicos, promovendo uma assistência integral e focada nas  particularidades de cada paciente. Essa colaboração interdisciplinar busca contemplar  aspectos físicos, emocionais e sociais que envolvem o processo de adoecimento,  assegurando um cuidado mais resolutivo e pautado no acolhimento e no respeito à  dignidade humana. 

De acordo com Cardoso et al. (2023), a atuação do fisioterapeuta em conjunto  com outros profissionais de saúde, como médicos, enfermeiros, psicólogos e  assistentes sociais, é essencial para o planejamento e execução de intervenções que  visam à melhoria da qualidade de vida dos pacientes oncológicos em cuidados  paliativos.  

Rodrigues Neto et al. (2024) enfatizam que a interprofissionalidade nos cuidados  paliativos é uma estratégia vital para um atendimento integral, superando barreiras e  desafios por meio da exploração das limitações e buscando soluções que promovam  uma assistência verdadeiramente abrangente e humanizada.  

Santos-Moura et al. (2023) aponta que a percepção dos cuidados da equipe  multiprofissional na assistência ao paciente oncológico em cuidados paliativos é  influenciada pela colaboração entre os profissionais. A integração do fisioterapeuta  contribui para a identificação precoce de necessidades específicas, permitindo  intervenções oportunas que podem aliviar sintomas e melhorar o bem-estar geral dos  pacientes. 

Melo et al. (2024) destacam que a atuação dos fisioterapeutas nos cuidados  paliativos em pacientes oncológicos deve considerar não apenas os aspectos físicos,  mas também os psicológicos e emocionais. Essa perspectiva demonstra a importância  da atuação conjunta do fisioterapeuta com outros profissionais da saúde para oferecer  um cuidado mais completo e eficaz. 

Assim, a integração do fisioterapeuta na equipe multiprofissional em cuidados  paliativos oncológicos é indispensável para oferecer um cuidado abrangente e  centrado no paciente. Essa colaboração interdisciplinar não apenas melhora os  resultados clínicos, mas também fortalece o suporte emocional e social oferecido aos  pacientes e suas famílias.

3.5 DESAFIOS ENFRENTADOS NA ATUAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA EM CUIDADOS  PALIATIVOS 

A atuação do fisioterapeuta no contexto dos cuidados paliativos oncológicos é  marcada por uma série de desafios que vão além das demandas técnicas, exigindo  preparo emocional, ético e formação especializada. De acordo com Silva, Lima e Seidl  (2020), um dos principais obstáculos enfrentados por esses profissionais é lidar com  o sofrimento e a terminalidade, situações que podem gerar estresse psicológico e  desgaste emocional, especialmente pela proximidade constante com o sofrimento  humano e com a morte. 

Além dos aspectos emocionais, a formação acadêmica limitada sobre cuidados  paliativos é uma dificuldade recorrente para os fisioterapeutas, o que compromete a  segurança e a qualidade das condutas terapêuticas oferecidas aos pacientes  oncológicos em final de vida (Gonçalves et al., 2018).  

A carência de disciplinas específicas na graduação, que tratem sobre a bioética,  comunicação compassiva e tomada de decisão em cuidados paliativos, fragiliza o  preparo do profissional para lidar com situações delicadas, como a recusa de  tratamento pelo paciente ou a definição dos limites terapêuticos. 

Outro desafio relevante refere-se aos dilemas éticos que emergem na prática  paliativa, sobretudo no que diz respeito ao respeito à autonomia e à dignidade do  paciente. Segundo Bittencourt et al. (2022), a atuação fisioterapêutica nesse cenário  exige uma postura ética sensível, que considere não apenas os sintomas físicos, mas  também os valores e desejos expressos pelo paciente e seus familiares, respeitando  os limites do cuidado proporcional diante da terminalidade. 

Oliveira, Bombarda e Moriguchi (2019) também destacam que o fisioterapeuta,  ao trabalhar integrado com a equipe multiprofissional, precisa constantemente refletir  sobre o impacto das suas intervenções, buscando alinhar seu trabalho às  necessidades reais do paciente e evitando a obstinação terapêutica. 

Além disso, Alcântara (2021) salienta que a ausência de suporte institucional e a  sobrecarga de demandas podem levar o fisioterapeuta a vivenciar situações de  esgotamento físico e emocional, o que evidencia a importância de políticas de suporte  profissional, educação continuada e espaços de acolhimento dentro das instituições  de saúde.

Diante desse cenário, é notável que o aprimoramento da formação acadêmica,  o suporte emocional contínuo e a capacitação ética são estratégias essenciais para  fortalecer a atuação do fisioterapeuta nos cuidados paliativos oncológicos, tornando  possível um atendimento mais seguro, compassivo e alinhado com os princípios da  dignidade e do respeito à autonomia dos pacientes. 

CONCLUSÃO 

Diante do objetivo definido neste trabalho, que consistiu em analisar a atuação  da fisioterapia nos cuidados paliativos para pacientes oncológicos, observou-se, ao  longo da revisão bibliográfica, que o papel do fisioterapeuta vai muito além da  reabilitação física convencional. A fisioterapia se mostra como um recurso  indispensável e humanizado, capaz de proporcionar conforto, aliviar sintomas  incapacitantes, preservar a funcionalidade e promover qualidade de vida, mesmo em  estágios avançados da doença, quando as possibilidades curativas já não são mais  viáveis. 

O aprofundamento teórico permitiu compreender que a fisioterapia nos  cuidados paliativos oncológicos não se limita à intervenção física isolada, mas envolve  um olhar integral e acolhedor sobre o paciente, respeitando sua individualidade,  valores, limitações e desejos. Os autores apontam que, por meio de técnicas  específicas como exercícios terapêuticos adaptados, reeducação postural, terapia  respiratória, recursos analgésicos e orientações quanto à ergonomia no leito, o  fisioterapeuta contribui de maneira significativa para o alívio da dor, prevenção de  complicações secundárias, controle de dispneia, melhora do padrão respiratório e  estímulo da autonomia funcional, quando possível. 

Outro ponto essencial evidenciado ao longo deste estudo foi o reconhecimento  da importância do trabalho interdisciplinar no cenário dos cuidados paliativos. A  presença do fisioterapeuta, ao lado de médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes  sociais, nutricionistas, terapeutas ocupacionais, entre outros profissionais, reforça a  necessidade de um cuidado centrado no paciente e baseado no diálogo entre saberes,  cujo objetivo é garantir conforto, dignidade e suporte tanto ao indivíduo quanto aos  seus familiares. A integração da fisioterapia nessa equipe multiprofissional permite o  planejamento de intervenções personalizadas, ajustadas à evolução da doença e às condições clínicas de cada paciente, fortalecendo a assistência humanizada e o  amparo em todas as fases do processo de terminalidade. 

Ademais, o estudo revelou que, embora a atuação do fisioterapeuta nos  cuidados paliativos venha sendo cada vez mais reconhecida, ainda existem desafios  no que diz respeito à formação acadêmica e à inserção efetiva desse profissional  nesse campo de atuação. 

A literatura consultada aponta para a necessidade de ampliar o ensino sobre  cuidados paliativos nos currículos dos cursos de Fisioterapia, incluindo disciplinas que  abordem aspectos éticos, emocionais e clínicos desse contexto, para que o futuro  profissional esteja apto a atuar com empatia, sensibilidade e competência diante de  pacientes em sofrimento avançado. 

Conclui-se, portanto, que a fisioterapia, quando aplicada dentro de uma  perspectiva paliativa, representa não apenas um cuidado técnico, mas também um  ato de acolhimento e respeito à dignidade humana. Sua contribuição vai além da  busca pela cura, focando na manutenção do bem-estar, no controle dos sintomas e  na preservação da qualidade de vida, mesmo em situações de prognóstico reservado.  

Sendo assim, é indispensável que os serviços de saúde e as instituições de  ensino incentivem o fortalecimento e a valorização da fisioterapia nos cuidados  paliativos oncológicos, assegurando aos pacientes um suporte integral, ético e  humanizado, que respeite suas escolhas e necessidades até o final da vida. 

REFERÊNCIAS  

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1Graduando no curso de Fisioterapia das Faculdades Integradas Aparício Carvalho – FIMCA. E-mail: andrey.fisio02@gmail.com 

2Graduanda no curso de Fisioterapia das Faculdades Integradas Aparício Carvalho – FIMCA. E-mail:  vanessa131115@hotmail.com 

3Docente das Faculdades Integradas Aparício Carvalho – FIMCA. E-mail:  Brenda.cavalcante@fimca.com.br

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