A IMPOTÊNCIA

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202507251137


Pedro Francisco Molina¹
Jesus de Aguiar Silva²


RESUMO

Cada vez mais suprimida a força do homem no mundo hodierno, o presente artigo visa trabalhar, por um viés da psicanálise, a influência que as forças de prazer e desprazer exercem sobre a libido, refletindo na força do homem. Redescobrir as forças, num processo de fazer emergir o inconsciente, passando por uma higiene do olhar em relação à “sexualidade”, é o caminho para o resgate da força de vitalidade.

Palavras-chaves: Psicanálise,  impotência sexual, fatores internos e internos.

ABSTRACT

As the power of man is increasingly suppressed in the modern world, this article aims to explore, from a psychoanalytic perspective, the influence that forces of pleasure and displeasure exert on the libido, reflecting on man’s strength. Rediscovering these forces, through a process of bringing the unconscious to light, and adopting a “hygiene of perception” in relation to sexuality, is the path to the recovery of vital force.

Keywords: Psychoanalysis, sexual impotence, internal and internal factors.

INTRODUÇÃO

Com o surgimento da Psicanálise, a sombra da sexualidade é iluminada pela razão, desvendando tabus e trazendo à luz da compreensão a fragilidade humana. Saindo da floresta, onde era um fraco, o homem se reuniu em sociedade para se fortalecer em função da ameaça individual. Porém, a construção de sua nova forma de vida o leva à consciência social.

Freud (1856-1939), com sua ciência, abre uma porta de esperança, desnudando realidades escondidas como uma tradição, enfrentando com a coragem de um guerreiro instituições seculares aprisionadas na ignorância do saber, encapsuladas em um sistema absolutista que paralisava as inteligências.

Um marco inicia-se no século XX, com herdeiros de movimentações revolucionárias do pensamento, como um parto de ideias, como dizia Sócrates (470-399 a.C.), em seu inconformismo com a ética e os valores morais da sociedade de seu tempo. Um movimento que organizou grupos de estudos, cada um com sua independência no pesquisar, um movimento de uma sociedade propositiva humanista.

Princípios básicos da democracia, que depois foi pensada como forma de organização, constituíram-se no avanço para outras praias com o advento das navegações, explorações além-mar, um casulo na metamorfose final da borboleta: a crisálida desabrochou.

Um marco se instituiu da chamada neurose, nascida na coletividade social, até então uma doença sem explicação pela medicina da época, que também estava sendo reconhecida como ciência. Motivo de transformação foram as inovações que se apresentavam diante do arcadismo institucional de outrora.

Estimulado pelo princípio de Potência de Aristóteles (384-322 a.C.), Freud resgata os símbolos da psique para construir uma ciência na continuidade do pensamento, berço da civilização Ocidental. Os Gregos, além de sua cultura oriental judaica, torna-se um dos personagens mais importantes do século, com personalidades revolucionárias que nortearam a civilização contemporânea atual em transição.

Os efeitos colaterais causados pela socialização afetam o homem livre, cuja imaginação comunga em seu inconsciente coletivo de memórias de um paraíso de liberdades no mais profundo do seu Self, lugar de seus arquétipos circulando em sua memória de um inconsciente arcaico.

O surgimento do homem em sua formação interior da consciência do ponto de vista emocional. Conforme a Revista Brasileira de Medicina, Nélson Vitiello (1998 Nov. V-55), em um breve estudo sobre a sexualidade humana, diz:

“Do Ponto de vista psicológico, na medida em que foi surgindo nos hominídeos a consciência do ‘eu’, foram-se também elaborando parâmetros para autoavaliação de desempenho, consciência de aceitação, sensação de adequação ao meio etc. Esses aspectos intrapsíquicos, tão valorizados que passaram a ser medida da própria existência (‘penso, logo existo’), possuem grande papel no exercício da sexualidade, ao lado do componente social.”

Dentre os efeitos, surge a impotência como mecanismo de defesa para se libertar de uma influência feminina, cuja matriz se faz mais completa na espécie, fazendo o homem acreditar que é o mais forte. Ou seja, com a descida dos galhos, com a verticalização, ela com seu instinto conduz a proteção do grupo na formação das hordas, protegidos em cavernas, abrigos de proteção para sua sobrevivência, prevalecendo a continuidade da espécie.

Interessante notar que, sendo ela uma fêmea traz uma gestação longa, fragilizada pelo mecanismo, alimenta o ego da realidade de seu tempo, ou seja, fazendo-o acreditar no forte protetor, cuja responsabilidade é proteger a horda, nas defesas dos intrusos, no sustento alimentar, mesmo que tenha que morrer pela família.

Porém, o homem, aquele que diz fazer a história, também é aquele que manipula com seus contos. O marco da filosofia foi o pensar; mitos e tabus foram construídos por sagas, viagens no inconsciente de um passado ontológico.

Guerras e conflitos entre nações provocaram perdas e destruição de bibliotecas, distanciando o homem de sua história, de civilizações perdidas. Mas foi com Jung (1875-1961), Campbell (1904-1987) e outros, motivados pela iniciativa do movimento da psicanálise, que resgataram memórias passadas, através da mitologia, como ponte de ligação para compor uma época de alienação reinante.

O homem, em seu espanto com o novo, é levado às sombras inconscientes, como que hibernado em suas fantasias, sonhos, utopias, imaginações infinitas projetadas no tempo e espaço, ressurgindo com boas novas.

Os questionamentos de Freud despertaram resistências às inovações, vencendo antes de tudo mecanismos de defesas inconscientes nas zonas de conforto instituídas, depois com as falácias do “tudo explica”, meras projeções de seus antagônicos. Até hoje não entenderam de fato os significados de suas falas, pervertidos de plantão de forma circular na resolução de sua autoafirmação na substituição da morte do Pai como desejo de substituí-lo.

Porém, desatou-se o nó da hipocrisia, despertaram pensamentos fenomenologistas e existencialistas, os ditos continuadores que se dizem aprofundadores de seus pensamentos e intérpretes avançados para a completude de suas faltas, preenchedoras sendo nada da incompreensão de suas próprias impotências.

Contribuições importantíssimas foram agregadas por pesquisadores resolutos como tantos, mas sempre o oportunismo raptor aflora no primata oportunista das coisas alheias.

IMPOTÊNCIA SEXUAL

Muito bem definida como força e ato no sentido filosófico, afirmação no sentido psicanalítico, na dimensão de significados ao longo de suas representações.

STEKEL (1868 -1940), psiquiatra que se afastou de Freud em 1912 para seguir seu caminho no estudo da impotência masculina, deixando um acervo importantíssimo de pesquisas e seus casos clínicos.

Reconhecidamente na área da psiquiatria como médico das perturbações psíquicas relativas à função sexual do homem, mais um divergente como tantos outros, porém respeitando seu mestre e amigo Freud com sua frase: “Um anão nos ombros de um gigante, enxerga mais longe do que o gigante”. STEKEL (1967, p. 2).

Tratou da impotência em toda sua dimensão, mas foi o tratamento com o viés psíquico sua maior contribuição como pesquisador de casos clínicos, com farta literatura vamos resgatar sua memória.

Sua definição de homem e mulher inicia-se como uma provocação de Peter Altenberg apud Stekel (1967, p. 7): “O amor do homem é o mundo, o mundo da mulher é o amor”.

Considerava a impotência o mal como tragédia em seu tempo, uma tormenta do fracasso no casamento que prejudica a saúde da mulher e do homem com certo grau de nocividade. Com elevada porcentagem de homens relativamente impotentes, sendo a ejaculação precoce um fenômeno civilizatório, em que colocava como 50% em seu tempo de homens que gozavam de certa normalidade sexual. STEKEL (1967, p.7).

Importante situar no tempo, pois é um mal que com o aumento da população atual, denota-se o grau de impotência, potencializa a agressividade com a migração para a ansiedade de poder, causas primárias dos adventos dos grandes conflitos da humanidade.

Outra citação de Havelock Ellis apud Stekel (1967, p. 9): “Ao passo que se pode dizer do homem que a sua vida se desenvolve numa planície, a vida da mulher transcorre entre montanhas e vales”.

A mulher tem seu período de sua menstruação, e ao homem faltam-lhe tais períodos que são típicos em seus enamoramentos múltiplos, que o caracterizam.

De forma esplêndida (STEKEL 1967, p. 10), assim define como pontos mais altos da curva amorosa de um homem e uma mulher, diz:

“… a curva amorosa, o homem é mais apaixonado que a mulher. Depois de ter conseguido a sua satisfação, dirige-se para outros objetivos. Também se aplica esta lei às fases amorosas do dia: antes do ato, o homem é mais fogoso, depois, é a mulher (Havelock Ellis). Seu orgasmo também apresenta o mesmo quadro: inflama-se rapidamente e se precipita à maneira de uma avalanche (Otto Adler), ao passo que a mulher pode gozar a posteriori por várias horas”.

Segue em seu diálogo inicial, STEKEL (1967, p 10): “Metade dos homens padece do conflito entre o desejo e o vigor sexual. O hipertrófico sexual é raro entre os seres civilizados; o débil, o semi-impotente constitui quase a regra”.

Complementa com a citação de SCHILLER apud STEKEL (1967, p. 10), nota de rodapé: “A força selvagem do homem supera eternamente os limites da verdade; as ideias levam-no sem cessar ao mar da paixão. Ambiciona o que está distante, seu coração nunca repousa, persegue sem cessar a imagem do seu sonho através das estrelas longínquas”.

Rememorar pensamentos não é retroagir no tempo, mas atualizar-se, pois ainda hoje a impotência é causa de depressão para muitos homens, educados para não fracassar, ser forte. Como tal, nessa situação se sentem fracos, outros como mulher, tal a importância da educação. Tornam-se alvos de chacotas, anedotas, peças teatrais, literaturas, até mesmo atacando suas virtudes, levando-os ao ridículo. Cuja sífilis em seu tempo, não muito distante, julgado como grande macho em atuação, não tinha o peso da impotência, sendo virtuosa para o homem que ostentava tal doença degenerativa. Denúncias de psiquiatras, como Pacheco e Silva (1840, p. 316), em sua patologia provocadora de doenças mentais como a loucura.

O que nos leva à reflexão de que a maior impotência é a ignorância de um povo, que destrói suas gerações, caso típico de países que se sustentam por ditadores, populistas, caudilhos, psicopatas sociais, atrasando em séculos uma população pobre revoltada, alimentadores da vitimização, consequentemente fomentadores do círculo vicioso imposto.

Fatos geradores de impotências sujeitos a humilhações profundas na degeneração do homem, resistentes em seus doutos saberes, formados no senso comum por falta de educação primária.

A impotência faz com que ocorra a perda da consciência de si mesmo, sua energia, toda sua alegria criativa, dando-lhe a mais amarga certeza: “Não és um homem!”. STEKEL (1967, p. 12).

Portanto, a resolução da impotência é fundamental, porém, mais do que o tratamento psicanalítico, fatores como educação e conhecimento se fazem necessários para esse peso que a humanidade carrega em seu fardo de atraso. Pois, aí reside toda a falta de potencialidade para o trabalho, disposição, produção, elementos básicos de uma sociedade em sua manutenção.

Todos temos em nossa constituição fruto de algo dividido, não apenas em nosso nascimento, porém a dicotomia absolutista reduziu a classificação entre o macho e a fêmea, base de observações biológicas, desde seus primeiros estudos, observações da natureza de um tempo que era nossa única referência.

Hoje percebemos que somos partes de um todo, o processo evolutivo vem demonstrando, trazemos a bissexualidade intrínseca, que nos define na função, portanto, componente instalado na socialização funcional, estamentos rígidos causadores da incompreensão das quimeras criminalizadas por preferências ou opções que a sociedade ainda não compreendeu.

JUNG, 91978, p. 34),

“No fim do século passado, Edward Maitland, grafo de Anna Kingsford, relatanos uma esperiência interior da bissexualidade da divindade. Existe, além disso, a filosofia hermética com seu andrógino, o homem interior hermafrodita, o homo Adamicus (o homem adâmico), que “embora se apresente sob a forma masculina, traz Eva, isto é, a mulher, escondida em seu próprio corpo, segundo o que se lê num comentário medieval do Tractatus Aureus.”

Sujeitos hoje de movimentos pela imposição, norteadora de comportamentos para atingir os detratores do passado, instituir uma pregação constante do fim da espécie humana em seus discursos, com o único objetivo de afrontas e desejos de vinganças.

Dentre todos os efeitos colaterais que se manifestam, nada como a ciência, estruturas seculares, educação desde o ninho até a condução na vida intelectual, arquiteturas formadoras de pilares que nos permitiram chegar até aqui. As preocupações com a impotência sinalizam como mais fatal a criminalidade diante das inversões de valores que presenciamos em nome da vitimização.

Diante de todos os tipos de impotências, seja fisiológicas, congênitas, patológicas, a mais degradante é a psíquica, pois é uma bomba-relógio no despertar dos gatilhos mais destrutivos, pois tem os conflitos internalizados, causados pela repressão, castração, exposição e julgamento do próprio impotente.

Preocupação de um tempo que hoje colhemos a omissão de uma transição de adaptação evolutiva a partir da neurose, citação de STEKEL (1967, p. 479):

“A criminalidade é sempre um conceito relativo, que depende do meio social. A capacidade de adaptação do imperativo sexual à sociedade, chamo-a de “coeficiente de realidade”. Esse coeficiente de realidade é, por exemplo, muito grande no que se refere à homossexualidade e ao exibicionismo (preocupação social pelo culto do nu) e é igual a zero no que concerne ao homicídio por prazer. (É somente na guerra que o coeficiente de realidade das fantasias sádicas se eleva rapidamente). Quanto menor for o coeficiente de realidade, tanto mais forte terá que ser o processo de recalque e mais enérgica a luta entre o “eu” consciente e as tendências hostis, que pretendam desviá-lo daquele processo e levá-lo à morte civil”.

Preocupação que Freud teve em seu princípio de realidade para valorização da vida (Eros) em detrimento, após, com o princípio da morte (Thanatus), assim conscientizar todo o conjunto de suas observações do inconsciente com o instinto e o impulso como intrínsecos ao ser em sua herança filogenética.

STEKEL se dedicou ao estudo da impotência dentro de sua especialidade médica, porém não se furtou a adentrar na área da psique, fez formulações importantes, pouco reconhecido pelo seu trabalho, mas muito importante na área humana.

Acreditava, como tantos outros, na criação de discípulos no seguimento escolhido das pesquisas da impotência masculina, portanto, conseguiu levar a cabo, por ser um assunto velado, proibitivo, causadores de mortes silenciosas que a humanidade hoje sofre suas consequências de movimentos radicais com posicionamento de cobranças reativas utilizadas no caos.

A impotência e as forças internas e externas

A palavra impotência significa sem força. Podemos classificar dois tipos de força no ser humano: uma de ordem física exterior e outra de ordem física interior. A força de ordem exterior pode às vezes estar bem, mas a de nível interior pode estar abalada. Esta disfunção entre as forças gera um desequilíbrio, atuando na libido, de forma a prevalecer o desprazer, que consiste num drenar de forças primeiramente interno e que depois se dirige ao externo.

BRAGA et al. (2005, p.354) apud SILVA (2015, p.12),

“Uma das características definidoras do sentimento de impotência é a “expressão de insatisfação e frustração quanto à incapacidade de realizar tarefas/atividades prévias”. Essa característica definidora remete à ideia de perda. Isto é, a insatisfação é sobre algo que a pessoa podia fazer, mas não pode mais. Outra característica definidora do sentimento de impotência é “expressão de dúvida com relação ao desempenho do papel”. Essa característica é semelhante à característica de sentimento de pesar “dificuldade em assumir papéis novos ou diferentes” e, talvez por isso, se a pessoa refere algum problema sobre os papéis que desempenha ou que esperaria desempenhar os dois diagnósticos podem fazer ser considerados. Outras características definidoras em comum entre esses diagnósticos são: expressão de culpa, raiva, dúvida, tristeza.” 

As situações vividas em âmbito da repressão represam uma enorme quantia de energia negativa (desprazer), que em excesso acabam inundando a energia positiva (prazer), e daí surgem muitos casos onde o sujeito vive a depressão, o medo e a desesperança, que são fatores encontrados em situações de impotência, em que a força se esvaneceu.

MOLINA, (2018, p.13)

“Freud (1995) expressa que Repressão, termo utilizado por ele no início do tratamento da histeria, que deu o reconhecimento da neurose, foi o sinalizador de que algo reprimido havia, pois denotava que tal mecanismo visava um perigo, que gerava ansiedade e desprazer. Daí o termo repressão, algo reprimido, impedido, ficando na superfície do consciente, portanto alojado nas malhas do instinto, desejos, vontades de realizações que diante do impulso não há como frear, pois, objetiva a satisfação do ato.” 

A ansiedade por sua vez, proveniente do medo e das angústias alojadas, repercute em todo o sistema interior da pessoa, fazendo com que a estrutura interna não viva de forma relaxada, mas sempre em modo de “perigo”, e assim a energia interior acaba se deslocando para o exterior, onde muitas vezes surgem tensões em diversas partes do corpo, gerando sintomas de fadiga e cansaço constante.

WEINMANN, (2002, s/p),

Reich sustentará que toda psiconeurose possui um núcleo neurótico atual – isto é, um quantum (variável, individualmente) de excitação pulsional que não é absorvido psiquicamente e que tampouco é descarregado pela via sexual – responsável pelas manifestações vegetativas de angústia. De acordo com Reich, o pulsional não admitiria a sublimação como via exclusiva de escoamento da excitação, mas exigiria uma parcela de gratificação direta – corpórea –, a fim de aliviar a tensão residual nas zonas erógenas, desfazendo, desse modo, o componente atual da neurose. No sujeito psiconeurótico, essa gratificação enlaçaria o outro (conceito freudiano de libido objetal), numa relação mediada pelas vicissitudes da resolução da problemática edípica”

Desta forma, a força interna, influenciada pelo desprazer, dirige-se para o corpóreo através das couraças, enrijecimentos, e a forma de trabalhar esta questão pulsional que ficou gravada no sujeito não é pelas vias sublimatórias, mas na distensão desta energia que se represou no externo para que volte ao interno do sujeito.

Nossa hodiernidade vem enfraquecendo cada vez mais o homem em sua masculinidade, através de pensamentos, ideias e uma falsa liberdade distante dos valores morais. De certa forma, em contexto freudiano, isso tem gerado uma castração emocional, principalmente no tocante à potência masculina.

Dentre as questões emocionais que influenciam o homem contemporâneo, constata-se o aumento da ansiedade através do excesso de atividades, e também pelas mídias (TV, Meios Virtuais, Canções), que o leva muitas vezes à irritação, à desesperança e a desacreditar de si mesmo, drenando suas forças, de uma maneira especial a força da sexualidade (eros). Conforme relata um dos mais renomados psiquiatras, Cury (2010, p.15), “por isso pensa excessivamente e se desgasta também excessivamente, gerando a síndrome do pensamento acelerado”. SILVA, (2015, p.11)

A culpa é outro elemento presente no retirar das forças interiores, ligada a atos cometidos ou imaginados (desejados), que tira a força de potência e o torna escravo, levando-o a viver de forma inconsciente, como punição, a perda de suas forças (impotência).

CARNAÚBA (2013, p.124) apud MOLINA, (2018, p. 21)

“Do ponto de vista do inconsciente em seus registros históricos, o homem está relacionado à sua atuação com suas memórias inconscientes, cujo simbolismo é a essência como tal. Carnaúba (2013, p.124) descreve: A expressão máxima da repressão na culpa permanece inconsciente, porém se manifesta na civilização como um mal-estar ou uma insatisfação, pessoas buscam outras motivações… A civilização humana, expressão pela qual quero significar tudo aquilo em que a vida humana se elevou de sua condição animal e difere das dos demais animais – o desprezo ter que distinguir entre cultura e civilização… A definição de civilização ou cultura possui um duplo sentido para Freud, ao passo que a civilização nos fornece riquezas para a satisfação de nossas necessidades, também é a grande responsável pelas severas exigências, o que provoca nos homens certa revolta.” 

Neste sentido, a solução para dirimir toda essa situação de impotência, que tem um reflexo na culpa, estaria baseada em situações recalcadas, em que o acesso às memórias deste período, o externalizar do que ficou no obscuro, traria uma liberação da força (potência), o que refletiria também no desfazimento das couraças geradas pelo desprazer, em que o sistema de força interno e externo são plenamente restabelecidos em harmonia.

WEINMANN, (2002, s/p),

“Em análise do caráter, a dissolução do represamento da excitação – a resolução da impotência orgástica – constitui-se em um objetivo crucial. Nesse sentido, a meta do trabalho analítico não poderia se reduzir a tornar consciente o material psíquico inconsciente; seria necessário que o afeto associado às representações recalcadas pudesse ser abreagido, a fim de que se desfizesse a condição de estase. Este princípio técnico tem suas origens nas proposições freudianas acerca da função do recalcamento, o qual não apenas torna inconsciente o representante ideativo da pulsão, como o desliga de sua carga afetiva – a qual, livre (não ligada a uma nova representação, cujo acesso à consciência e à motilidade permita um processo de descarga), converte-se em angústia. Para Reich, a cura decorreria da possibilidade de o paciente recordar com afeto suas vivências infantis – elaborando-as em análise.” 

Nesta linha de pensamento, o que se trabalha diante da impotência é o restabelecimento de forças que são drenadas por emoções fortes que atuam contra o sujeito e a proposta desta dinâmica é que por trás de toda impotência, há uma potência que está fragmentada em diversas partes do sujeito, em decorrência do que foi elaborado pelo inconsciente mediante os recalques e culpas.

REICH, (1975, p.183-184) apud SILVA, (2015, p.14-15),

“Foi nesse sentido que descreveu este mal-estar gerado em fatores de opressão, levando a entender que o ser humano em sua forma inconsciente quer ser livre, deseja sua força a favor dele (REICH, 1975, p.183-184): Em termos do próprio comportamento humano, qual é o objetivo da vida humana? O que o homem quer da vida? O que espera realizar na vida? Em 1930, eram essas as perguntas que Freud fazia após aquelas discussões que levavam os efeitos do desejo sexual da vida das massas até os escritórios silenciosos do sábio, e precipitavam o desencadeamento de opiniões antitéticas. Freud era obrigado a admitir: “A resposta a isso dificilmente pode ficar em dúvida. Eles anseiam pela liberdade; querem tornar-se felizes, e permanecer felizes.”

Considerações Finais

O atraso pela omissão, preconceito, exclusão, hoje a sociedade paga a dívida de sua ignorância do passado e despreparo de hoje. Alertados por muitos estudiosos comprometidos com o fator da higienização sexual, no sentido de sua naturalidade consciente, no combate das perversões.

Porém, hoje vemos alçar voo pelo viés da vingança, infiltrados de Sade, ditos filósofos das tormentas, utópicos pensamentos ideológicos como pele de cordeiros, levando ao caos gerações doutrinadas no pragmatismo do aqui e agora, sem noção existencial de seu tempo-espaço.

Verdadeiros zumbis de repetições de frases feitas, construídas de linguagem subliminar na pregação da igualdade, contrapondo a Biologia vigente, fazendo do sujeito aquilo que LACAN (1901-1981) dizia do despedaçamento do corpo, no sentido irruptivo, destroçado, com o encapsulamento do ego, diante de seus reflexos limitados da visão do outro como sujeito, apenas como coisa a ser corrompida e usada.

Assim como a fala é uma elaboração do pensamento, este constituído do que se manifesta, porém o latente é um camuflado em que se escondem as intenções, cujos alienados não ouvem, não veem, como introjetados por discursos fascistas que agem como ecos de mentes não pensantes, porém impotentes.

BIBLIOGRAFIA

BRAGA, Cristiane Giffoni; CRUZ, Diná de Almeida Lopes Monteiro. Sentimento de impotência: diferenciação de outros diagnósticos e conceitos. Rev Esc Enferm, São Paulo, USP, 2005, 39(3):350-7.

CARNAÚBA, Maria Érbia Cássia. A gênese da repressão em Freud: Diagnóstico e tendência oculta da psicanálise. Kínesis, Vol. V, n° 09 (Edição Especial), p. 117 – 133, Julho 2013. Disponível em: https://www.marilia.unesp.br/Home/RevistasEletronicas/Kinesis/mariaerbia.pdf. Acesso em Novembro de 2017.

CURY, Augusto. O código da inteligência e a excelência emocional. 2.ed. Rio de Janeiro: Agir, 2010. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v39n3/14.pdf Acesso em: 05 jun. 2014.

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MOLINA, Pedro Francisco. Inconsciente Freudiano. Especialização em Psicologia Clínica – Psicanálise, Araraquara, UNIARA, 2018.

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VITIELLO, Nélson; Revista Brasileira de Medicina: Um Breve Histórico do Estudo da Sexualidade Humana, São Paulo, USP, 1998.

WEINMANN, Amadeu de Oliveira. Uma contribuição à história do movimento psicanalítico: a trajetória de Wilhelm Reich. Psicol. Cienc. prof. vol.22 no.3 Brasília Sept. 2002.


1Psicanalista Freudiano – Psicanálise Dinâmica – Academia de Psicanálise e Ciência Humana – São Paulo – Graduado em Filosofia (licenciatura Plena) pelo Centro Universitário Claretiano (CEUCLAR). Pós-Graduação em “Psicologia Clínica: Psicanálise”, pela Universidade de Araraquara (UNIARA). Pós-Graduação em “Antropologia e Neuropsicanálise”, pela Faculdade Unyleya de Brasília. Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado em Psicanálise na Brunner World University. Pesquisador Literário, Escritor e Participações com Artigos Científicos em Livros. E-mail: pfmolina@outlook.com
2Tecnólogo em Análise de Sistemas (Unilins – Universidade de Lins), Filosofia (CEUCLAR – Centro Universitário Claretiano), Teologia (Faculdade Dehoniana – Taubaté). Pós-graduação em Filosofia Clínica (INSTITUTO PACKTER), Pós-graduação em Psicologia e Sexualidade (UNIARA) e Pós-graduação em Psicologia Clínica – Psicanálise (UNIARA).Doutorado e Pós-Doutorando em Psicanálise na Emil Brunner World University, Escritor e Palestrante. E-mail: jesusaguiar@gmail.com

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