THE IMPORTANCE OF PSYCHOTHERAPY IN THE TREATMENT OF ANXIETY DISORDERS
REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cl10202601201211
Marilea dos Santos Carvalho1
Jael de Oliveira do Nascimento2
Alyne Ferreira da Rocha Rodrigues3
Leonardo de Queiroz Gatto4
RESUMO
Este artigo aborda a importância da psicoterapia no tratamento dos transtornos de ansiedade, destacando sua eficácia em condições como Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), fobia social, fobias específicas e Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). A fundamentação teórica explora as características desses transtornos, seus impactos na qualidade de vida e a necessidade de intervenções terapêuticas personalizadas. Abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), e a psicoterapia psicodinâmica são apresentadas como recursos eficazes no manejo dos sintomas, na promoção de habilidades de enfrentamento e na prevenção de recaídas. O artigo também destaca avanços recentes, como a psicoterapia on-line e intervenções assistidas por tecnologia, que ampliam o acesso ao tratamento. Além disso, são discutidos os desafios que limitam o alcance das práticas psicoterapêuticas, como barreiras financeiras, estigmas culturais e desigualdades no acesso à saúde mental. Conclui-se que a psicoterapia é um pilar essencial para o cuidado em saúde mental, e esforços contínuos são necessários para democratizar seu acesso, garantindo que mais pessoas possam se beneficiar dessas intervenções. Este estudo contribui para o reconhecimento da psicoterapia como um elemento indispensável no tratamento dos transtornos de ansiedade.
Palavras-chave: Psicoterapia. Transtornos Ansiosos. Formação Contínua. Pacientes. intervenções psicoterapêuticas.
ABSTRACT
This article discusses the importance of psychotherapy in treating anxiety disorders, highlighting its effectiveness in conditions such as Generalized Anxiety Disorder (GAD), social phobia, specific phobias, and Post-Traumatic Stress Disorder (PTSD). The theoretical framework explores the characteristics of these disorders, their impACT on quality of life, and the need for personalized therapeutic interventions. Approaches such as Cognitive Behavioral Therapy (CBT), ACTeptance and Commitment Therapy (ACT), and psychodynamic psychotherapy are presented as effective tools for symptom management, skill development, and relapse prevention. The article also highlights recent advancements, such as online psychotherapy and technology-assisted interventions, which expand ACTess to treatment. Additionally, challenges that limit the reach of psychotherapeutic prACTices, such as financial barriers, cultural stigmas, and inequalities in mental health ACTess, are discussed. The conclusion emphasizes psychotherapy as an essential pillar in mental health care and underscores the need for ongoing efforts to democratize ACTess, ensuring that more individuals can benefit from these interventions. This study contributes to the recognition of psychotherapy as an indispensable element in the treatment of anxiety disorders.
Keywords: Psychotherapy. Anxiety Disorders. Continuous Training. Patients. psychotherapeutic interventions.
INTRODUÇÃO
A ansiedade, em suas múltiplas formas, tem se consolidado como um dos principais problemas de saúde mental no mundo contemporâneo, afetando indivíduos de diferentes faixas etárias e contextos socioeconômicos. Os transtornos de ansiedade, categoria que inclui o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), a fobia social, as fobias específicas e o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT), são caracterizados por sintomas persistentes e debilitantes, como inquietação, tensão, dificuldade de concentração e respostas desproporcionais a situações cotidianas (QUAGLIATO; NARDI, 2022). Essas condições interferem de maneira significativa no funcionamento social, acadêmico e profissional, gerando impacto na qualidade de vida e sobrecarregando os sistemas de saúde.
No cenário atual, o aumento na incidência dos transtornos de ansiedade é amplificado por fatores sociais, econômicos e até mesmo globais, como a pandemia de COVID-19. Durante esse período, foi observada uma intensificação dos sintomas de ansiedade em diversos grupos populacionais, especialmente devido ao isolamento social, às incertezas econômicas e ao medo relacionado à saúde (DE SOUZA et al., 2024). Esse contexto reforça a urgência de investigar abordagens eficazes para o manejo desses transtornos, dada a crescente demanda por intervenções terapêuticas. Apesar de a farmacoterapia desempenhar um papel importante no controle dos sintomas, é amplamente reconhecido que o tratamento dos transtornos de ansiedade deve incluir a psicoterapia como pilar fundamental, considerando seus benefícios no longo prazo e sua capacidade de promover mudanças estruturais no comportamento e no pensamento dos pacientes (LISBOA et al., 2024).
No entanto, a pesquisa ainda enfrenta desafios quanto à ampliação do acesso e à consolidação de práticas psicoterapêuticas efetivas, tanto no formato presencial quanto no on-line. Em muitos contextos, a psicoterapia é subutilizada devido a fatores como estigma, falta de conhecimento sobre seus benefícios e dificuldades financeiras (PAGUNG et al., 2023). Nesse sentido, estudos recentes apontam para a eficácia de modalidades diversificadas de psicoterapia, incluindo a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), a psicoterapia psicodinâmica e a psicoterapia individual, familiar, casal e de grupo.
A Abordagem Centrada na Pessoa, com sua proposta de promover relações interpessoais autônomas e consequentemente humanizadas, sugere o desenvolvimento de atitudes de consideração positiva incondicional, empatia e autenticidade como características principais desse jeito de ser. São atitudes que concebem o crescimento, a preservação e a sobrevivência como a principal motivação humana, o que equivale a dizer que a principal missão humana seria a de realização das suas potencialidades.
A consideração positiva incondicional, quando associada à atitude empática, qualifica ainda mais as relações, promovendo nas pessoas a sensação de estarem sendo compreendidas. E o que a Abordagem Centrada na Pessoa entende por empatia? Qual o papel que esse conceito tem para esta teoria? Por empatia entende-se a capacidade de compreender o outro na sua perspectiva. É reconhecer que o conhecimento deve servir apenas para garantir a compreensão da realidade do outro a partir de seus próprios referenciais. Em outras palavras, compreender empaticamente não é apenas ouvir o que está sendo dito, mas procurar entender as razões e emoções presentes no momento em que a relação acontece.
Autenticidade não significa dizer o que se pensa, mas ter atitudes coerentes com o que é experienciado na relação com o outro, independente do contexto no qual esteja inserida esta relação. A união dessas três atitudes em qualquer relação interpessoal é considerada por Rogers a condição necessária e suficiente para promover o desenvolvimento humano. Cada abordagem oferece estratégias específicas para lidar com os diferentes tipos de transtornos de ansiedade, contribuindo para a redução dos sintomas e o fortalecimento de habilidades de enfrentamento (ESPÍNDULA et al., 2023; RÓS; DE CARVALHO FERREIRA; GARCIA, 2020).
Os fundamentos da psicoterapia constituem o alicerce sobre o qual se ergue toda a prática clínica voltada para a saúde mental. Esses fundamentos englobam uma variedade de teorias, conceitos e abordagens que buscam compreender e tratar os distúrbios psicológicos. Uma das abordagens mais proeminentes é a psicanálise, desenvolvida por Sigmund Freud. A psicanálise enfoca os processos inconscientes da mente e a dinâmica dos conflitos psíquicos, utilizando técnicas como a livre associação e a interpretação dos sonhos para explorar os conteúdos do inconsciente. Nessa abordagem, o terapeuta trabalha com o paciente para explorar os significados ocultos por trás de sintomas e comportamentos, buscando revelar conflitos não resolvidos e traumas do passado que podem influenciar o presente.
Outra abordagem significativa é a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que se concentra nos padrões de pensamento disfuncionais e nos comportamentos mal adaptativos. A TCC utiliza técnicas estruturadas, como a reestruturação cognitiva e a exposição gradual, para promover mudanças no pensamento e no comportamento dos pacientes. Os terapeutas cognitivo-comportamentais ajudam os clientes a identificar e desafiar pensamentos distorcidos e crenças negativas que contribuem para seus problemas emocionais, ao mesmo tempo em que incentivam a adoção de comportamentos mais adaptativos e saudáveis. Além disso, a abordagem humanista-existencial destaca a importância da experiência subjetiva e da busca por significado na vida. Terapeutas humanistas, como Carl Rogers, enfatizam a empatia, a aceitação incondicional e a autenticidade como componentes essenciais do processo terapêutico.
Nessa perspectiva, o terapeuta atua como facilitador do crescimento pessoal do cliente, fornecendo um ambiente de apoio e aceitação incondicional onde o cliente pode explorar seus sentimentos, pensamentos e experiências de forma autêntica. Por fim, a terapia sistêmica concentra-se nos padrões de interação e comunicação dentro dos sistemas familiares e sociais. Os terapeutas sistêmicos trabalham para identificar e modificar padrões disfuncionais de relacionamento, promovendo uma mudança sistêmica que beneficie todos os membros da família ou do grupo. Essas abordagens, embora distintas em suas ênfases teóricas e técnicas, compartilham o objetivo comum de aliviar o sofrimento psicológico e promover o bem-estar emocional dos pacientes.
Ao compreender os fundamentos da psicoterapia, os clínicos são capacitados a adaptar suas intervenções às necessidades individuais de cada cliente, proporcionando um ambiente terapêutico seguro e eficaz. Os terapeutas geralmente adaptam suas intervenções de acordo com as necessidades e preferências individuais de cada cliente, combinando elementos de diferentes abordagens para fornecer um tratamento eficaz e centrado no cliente. Essa flexibilidade e adaptabilidade, são características essenciais dos profissionais da saúde mental que buscam ajudar os outros a superar seus desafios emocionais e alcançar uma maior qualidade de vida.
A integração da antropologia na psicoterapia representa uma expansão do escopo tradicional da prática terapêutica, trazendo uma compreensão mais ampla e profunda das questões emocionais e psicológicas dos clientes. Esta abordagem reconhece que os indivíduos não existem isoladamente, mas estão imersos em sistemas complexos de cultura, sociedade, família e comunidade, todos os quais exercem influência significativa sobre sua vida e bem-estar mental.
As psicoterapias de base fenomenológicas, humanistas e existenciais buscam entender o homem através de si mesmo, das suas angústias, sentimentos, motivações e sentidos que atribuem a sua vida. Trazem, no cerne de sua filosofia, a ideia de um homem construtor de sua história dentro de suas possibilidades e nunca determinado a priori. 4 A abordagem interventiva considera-se como um processo, cuja intervenção ocorre, simultânea e complementarmente, ao diagnóstico. A devolutiva da informação acontece durante o processo e não no final, e enfatiza a experiência dos envolvidos e redefine o papel de poder ou o detentor do saber (ARAUJO, 2007, p. 133).
A relevância desta pesquisa está alicerçada na necessidade de ampliar o entendimento acerca da psicoterapia como ferramenta essencial no tratamento dos transtornos de ansiedade. Embora existam avanços significativos na área, ainda há lacunas a serem preenchidas, especialmente no que se refere à comparação entre abordagens psicoterapêuticas, à aplicação em contextos diversificados e à combinação com outros tratamentos, como a farmacoterapia.
O objetivo principal deste estudo é analisar a importância da psicoterapia no tratamento dos transtornos de ansiedade, considerando sua eficácia, aplicações e desafios. Busca-se compreender como diferentes modalidades de psicoterapia, como a TCC, a ACT e a psicoterapia psicodinâmica, contribuem para o manejo dos sintomas e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Além disso, a pesquisa pretende explorar a viabilidade de intervenções on-line, que têm ganhado destaque nos últimos anos devido à ampliação do acesso e à flexibilidade proporcionada por essas modalidades (PAGUNG et al., 2023; PARIS FEIJÓ et al., 2023).
A abordagem cultural na psicoterapia é uma parte vital e intrínseca do processo terapêutico, uma vez que reconhece e respeita a diversidade cultural dos pacientes, promovendo cuidados eficazes, inclusivos e compassivos. Esta abordagem enfatiza a importância de considerar não apenas os aspectos individuais da psique do cliente, mas também sua identidade cultural, crenças, valores e experiências de vida. Ao longo do tempo, tem-se reconhecido cada vez mais que a cultura desempenha um papel fundamental na formação da identidade de uma pessoa e na maneira como ela percebe e interage com o mundo ao seu redor. Compreender e integrar essa dimensão cultural na psicoterapia é essencial para fornecer um tratamento que seja relevante, significativo e eficaz para o cliente.
Outro objetivo relevante é destacar o papel da psicoterapia no tratamento de transtornos específicos de ansiedade. Por exemplo, no caso do TAG, a TCC tem se mostrado especialmente eficaz na reestruturação de pensamentos disfuncionais e na redução da preocupação excessiva (ESPÍNDULA et al., 2023). Já na fobia social, técnicas de exposição graduada e treinamento em habilidades sociais têm ajudado os pacientes a superar o medo de julgamento e melhorar a interação social (GONÇALVES; OLIVEIRA; LOURENÇO, 2023). Para o TEPT, abordagens como a Terapia de Processamento Cognitivo e a Psicoterapia Assistida por MDMA têm mostrado resultados promissores na diminuição da revivência do trauma e na melhora do bem-estar geral (FURQUIM, 2022).
Justifica-se este estudo não apenas pela alta prevalência e impacto dos transtornos de ansiedade, mas também pela necessidade de integrar evidências científicas na prática clínica e na formulação de políticas públicas. A promoção da psicoterapia como recurso terapêutico essencial pode contribuir para reduzir a sobrecarga nos sistemas de saúde e melhorar os índices de recuperação de pacientes com transtornos de ansiedade.
Outra estratégia importante na abordagem cultural na psicoterapia é a promoção da flexibilidade e adaptabilidade por parte dos terapeutas. Isso significa reconhecer que as necessidades e preferências dos clientes podem variar com base em sua cultura, identidade e experiências de vida, e estar disposto a personalizar as intervenções terapêuticas de acordo. Isso pode envolver a incorporação de práticas tradicionais de cura, rituais ou valores culturais na terapia, conforme apropriado, e a adaptação das abordagens terapêuticas para refletir as crenças e valores do cliente.
Além disso, a abordagem cultural na psicoterapia promove uma abordagem centrada no cliente, onde o cliente é visto como o especialista de sua própria vida e o terapeuta atua como um facilitador do processo terapêutico. Isso significa valorizar a perspectiva do cliente, suas experiências culturais e sua compreensão única do mundo, e colaborar com o cliente para desenvolver metas de tratamento que sejam culturalmente relevantes e significativas para eles.
Em última análise, a abordagem cultural na psicoterapia é fundamental para promover uma prática clínica que seja verdadeiramente holística, compassiva e eficaz. Ao reconhecer e valorizar as influências culturais na vida dos clientes, os terapeutas podem criar uma base sólida para a construção de uma aliança terapêutica forte e positiva, promovendo assim o bem-estar emocional e psicológico de todos os indivíduos.
Considerar os transtornos de ansiedade apenas sob a ótica da sintomatologia e das intervenções técnicas limita a compreensão da complexidade envolvida na experiência humana do sofrimento psíquico. A psicoterapia, ao incluir em seu horizonte a escuta das singularidades, a construção de sentido e a compreensão das angústias individuais, torna-se um espaço de encontro em que as dimensões subjetivas, relacionais e existenciais são integradas ao processo terapêutico. Assim, pensar o cuidado em saúde mental requer o reconhecimento de que a ansiedade não se reduz a um quadro clínico isolado, mas expressa formas de ser no mundo que exigem atenção à liberdade, à responsabilidade e à historicidade dos sujeitos envolvidos.
Portanto, esta pesquisa visa contribuir para o entendimento dos benefícios e desafios relacionados à psicoterapia no tratamento dos transtornos de ansiedade, promovendo a valorização dessa prática no contexto clínico e acadêmico. Ao explorar as informações disponíveis, busca-se fornecer contribuições que fortaleçam a adoção de abordagens psicoterapêuticas nos mais diversos cenários, promovendo uma resposta mais eficaz às demandas dos pacientes e ampliando o alcance das intervenções em saúde mental.
TRANSTORNOS DE ANSIEDADE: CARACTERÍSTICAS E IMPACTOS
Os transtornos de ansiedade representam um dos principais grupos de condições de saúde mental, com elevada prevalência e significativa interferência na qualidade de vida dos indivíduos. Eles englobam diversas condições caracterizadas por preocupação excessiva, medo desproporcional e respostas comportamentais disfuncionais a estímulos reais ou imaginados (QUAGLIATO; NARDI, 2022). Essas condições afetam milhões de pessoas globalmente e podem comprometer tanto a esfera individual quanto às relações interpessoais, acadêmicas e profissionais, configurando um importante problema de saúde pública (DE ALMEIDA; JUNIOR; CARDOSO, 2023).
O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é uma das manifestações mais comuns desta categoria. Ele é apresentado por preocupação persistente e excessiva em relação a diversas áreas da vida, frequentemente sem um gatilho específico. Os sintomas incluem inquietação, fadiga, irritabilidade, tensão muscular e dificuldades para dormir, que frequentemente interferem no desempenho diário (ESPÍNDULA et al., 2023). Estudos apontam que fatores genéticos, associados a experiências de vida estressantes, desempenham um papel significativo no desenvolvimento do TAG, além de contribuir para o seu curso crônico quando não tratado adequadamente (DE SOUZA et al., 2024).
Outra condição de destaque é a fobia social, ou transtorno de ansiedade social, que afeta a capacidade de interagir em situações sociais devido ao medo intenso de ser julgado, humilhado ou rejeitado. Esse transtorno pode levar a comportamentos de evitamento, como recusar convites ou evitar apresentações públicas, prejudicando relacionamentos e oportunidades profissionais. Os sintomas incluem sudorese, taquicardia, rubor e até crises de pânico em situações desafiadoras (GONÇALVES; OLIVEIRA; LOURENÇO, 2023). Estudos indicam que, além do impacto emocional, a fobia social está associada a maiores taxas de comorbidade com depressão e uso de substâncias, exacerbando seu efeito incapacitante (DA SILVA ALENCAR; DA SILVA CHAVES, 2024).
As fobias específicas, por sua vez, representam uma forma mais circunscrita de transtorno de ansiedade, em que o medo é desproporcional ao perigo real associado a objetos ou situações particulares, como animais, alturas ou voar de avião. Embora sejam consideradas menos debilitantes em comparação a outras formas de ansiedade, as fobias específicas podem restringir significativamente as atividades do indivíduo, dependendo da frequência com que o estímulo temido é encontrado (QUAGLIATO; NARDI, 2022). Esse transtorno é frequentemente subdiagnosticado, em parte porque muitas pessoas optam por conviver com o evitamento em vez de buscar tratamento. No entanto, intervenções terapêuticas podem ser altamente eficazes, especialmente aquelas baseadas na exposição gradual ao estímulo temido (ESPÍNDULA et al., 2023).
O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é uma condição grave que ocorre após a exposição a eventos traumáticos, como violência, abuso, acidentes graves ou guerras. Este transtorno é caracterizado por sintomas intrusivos, como flashbacks, pesadelos e vivências constantes do trauma, além de comportamentos de evitação e hipervigilância (FURQUIM, 2022). O TEPT frequentemente afeta não apenas o bem-estar psicológico, mas também a saúde física, com muitos pacientes relatando dores crônicas e doenças relacionadas ao estresse. Estudos sugerem que a intervenção precoce, especialmente por meio de abordagens terapêuticas específicas, pode reduzir significativamente os sintomas e promover a recuperação (LISBOA et al., 2024).
O impacto dos transtornos de ansiedade ultrapassa a esfera individual, afetando também os sistemas de saúde e a produtividade econômica. Pessoas com essas condições tendem a apresentar maior uso de serviços médicos e taxas elevadas de absenteísmo no trabalho. A ansiedade também está associada a dificuldades acadêmicas e exclusão social, criando um ciclo que perpetua o sofrimento psicológico (DE ALMEIDA; JUNIOR; CARDOSO, 2023).
Durante a pandemia de COVID-19, por exemplo, houve um aumento substancial nos sintomas de ansiedade em diversos grupos populacionais, devido ao isolamento social, às incertezas econômicas e ao medo de adoecimento, o que destacou ainda mais a necessidade de intervenções terapêuticas eficazes (DE SOUZA et al., 2024).
Além disso, os transtornos de ansiedade apresentam alta taxa de comorbidade com outros problemas de saúde mental, como depressão e abuso de substâncias. Essa interação entre condições potencializa os impactos negativos, dificultando ainda mais o diagnóstico e o tratamento (DA SILVA ALENCAR; DA SILVA CHAVES, 2024). Estudos apontam que intervenções precoces podem mitigar esses efeitos, especialmente quando realizadas por profissionais capacitados e utilizando abordagens integrativas que combinem psicoterapia e, em alguns casos, medicamentos (LISBOA et al., 2024).
Os transtornos de ansiedade também possuem implicações específicas em populações vulneráveis, como crianças e adolescentes. Nessa faixa etária, condições como o Transtorno de Ansiedade de Separação são prevalentes e podem se manifestar por meio de resistência a se separar das figuras de apego, dificuldades escolares e sintomas físicos, como dores de cabeça e náuseas (DE ALMEIDA; JUNIOR; CARDOSO, 2023). Sem tratamento, esses transtornos podem prejudicar o desenvolvimento emocional e social, aumentando o risco de problemas de saúde mental na idade adulta (QUAGLIATO; NARDI, 2022).
Dado o impacto global dos transtornos de ansiedade, há um consenso crescente entre especialistas sobre a necessidade de aumentar o acesso a intervenções eficazes, particularmente a psicoterapia. Abordagens como a TCC têm se mostrado altamente eficazes na redução dos sintomas e na promoção de habilidades de enfrentamento, ao mesmo tempo em que minimizam a necessidade de uso prolongado de medicamentos (ESPÍNDULA et al., 2023). A utilização de formatos on-line, especialmente em regiões com acesso limitado a serviços de saúde mental, é um avanço promissor, embora ainda existam desafios a serem enfrentados nesse campo (PAGUNG et al., 2023).
PSICOTERAPIA COMO PILAR NO TRATAMENTO DOS TRANSTORNOS DE ANSIEDADE
A psicoterapia é amplamente reconhecida como uma abordagem terapêutica essencial no tratamento dos transtornos de ansiedade, oferecendo estratégias eficazes para lidar com os sintomas, promover a autorregulação emocional e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Sua importância reside no fato de que os transtornos de ansiedade, como o TAG, TEPT, muitas vezes possuem causas multifatoriais, incluindo predisposição genética, traumas e estressores ambientais. Nesse sentido, a psicoterapia permite não apenas a redução dos sintomas, mas também o desenvolvimento de habilidades que ajudam os pacientes a enfrentarem situações adversas de forma mais saudável (DE SOUZA et al., 2024; QUAGLIATO; NARDI, 2022).
A TCC é uma das abordagens mais amplamente utilizadas no tratamento dos transtornos de ansiedade, devido à sua eficácia amplamente comprovada em diversas populações. Baseada no princípio de que pensamentos disfuncionais influenciam as emoções e os comportamentos, a TCC ajuda os pacientes a identificar e reestruturar padrões de pensamento que perpetuam a ansiedade (ESPÍNDULA et al., 2023). Para condições como o TAG, a TCC oferece ferramentas práticas, como o treinamento em relaxamento e a resolução de problemas, que auxiliam na redução da preocupação excessiva. Além disso, para casos de fobias específicas, a técnica de exposição gradual é frequentemente empregada, permitindo ao paciente enfrentar gradualmente os estímulos temidos em um ambiente controlado (GONÇALVES; OLIVEIRA; LOURENÇO, 2023).
A psicoterapia também desempenha um papel fundamental no tratamento da fobia social, uma condição que frequentemente resulta em isolamento e prejuízo funcional. Na abordagem cognitivo-comportamental, técnicas como a exposição a situações sociais temidas e o treinamento em habilidades sociais têm mostrado resultados significativos na redução do medo e no aumento da autoconfiança (DA SILVA ALENCAR; DA SILVA CHAVES, 2024). A psicoterapia ajuda os pacientes a desafiarem crenças irracionais relacionadas à avaliação negativa dos outros, promovendo mudanças no comportamento e reduzindo o evitamento. Estudos recentes também indicam que intervenções baseadas em mindfulness e aceitação têm se mostrado promissoras no manejo da ansiedade social, ampliando o leque de opções terapêuticas (PAGUNG et al., 2023).
No contexto do TEPT, a psicoterapia é essencial para ajudar os pacientes a processar experiências traumáticas e reduzir os sintomas intrusivos, como flashbacks e pesadelos. Abordagens como a Terapia de Processamento Cognitivo (TPC) e a Terapia de Exposição Prolongada (TEP) têm demonstrado eficácia significativa no manejo dessa condição (FURQUIM, 2022). A TEP, por exemplo, encoraja o paciente a confrontar lembranças traumáticas de maneira estruturada, permitindo uma dessensibilização gradual. Além disso, a psicoterapia assistida por substâncias, como o MDMA, tem ganhado espaço como uma abordagem inovadora no tratamento do TEPT, combinando intervenções farmacológicas e psicoterapêuticas para promover maior engajamento no processo terapêutico (LISBOA et al., 2024).
A psicoterapia de grupo também é uma estratégia relevante no tratamento dos transtornos de ansiedade, especialmente em contextos em que o isolamento social é uma preocupação significativa. A interação com outros indivíduos que enfrentam desafios semelhantes proporciona um ambiente de apoio, no qual os participantes podem compartilhar experiências e aprender uns com os outros (RÓS DE CARVALHO FERREIRA; GARCIA, 2020). Estudos indicam que essa modalidade é particularmente eficaz para fobia social e TAG, ao incentivar a prática de habilidades sociais e o enfrentamento de situações desafiadoras em um ambiente seguro (ESPÍNDULA et al., 2023).
Com o avanço da tecnologia, a psicoterapia on-line tem se mostrado uma alternativa eficaz e acessível, especialmente para populações que enfrentam barreiras geográficas ou financeiras. Estudos recentes demonstram que a psicoterapia on-line, em especial as modalidades baseadas em TCC, é tão eficaz quanto a presencial no tratamento de transtornos de ansiedade (PAGUNG et al., 2023). Além disso, a flexibilidade proporcionada por esse formato tem aumentado a adesão ao tratamento, permitindo que mais indivíduos tenham acesso a intervenções terapêuticas (PARIS FEIJÓ et al., 2023). Apesar disso, desafios como a necessidade de conexão estável e a garantia de privacidade ainda representam obstáculos a serem superados.
Embora a psicoterapia seja amplamente reconhecida por sua eficácia, é importante destacar que sua integração com outros tratamentos, como a farmacoterapia, pode potencializar os resultados em casos mais graves. Estudos indicam que a combinação de medicamentos, como benzodiazepínicos ou antidepressivos, com psicoterapia pode acelerar o alívio dos sintomas iniciais, enquanto a terapia psicológica trabalha em mudanças comportamentais e cognitivas de longo prazo (LISBOA et al., 2024). Essa abordagem integrada é especialmente útil para transtornos como TEPT e TAG, onde os sintomas severos podem limitar a capacidade inicial do paciente de participar plenamente do tratamento psicoterapêutico (QUAGLIATO; NARDI, 2022).
Outro avanço significativo no campo da psicoterapia para transtornos de ansiedade é a aplicação de intervenções baseadas em aceitação e mindfulness, como a ACT. Essas abordagens focam na aceitação das experiências internas e no engajamento com valores pessoais, em vez de tentar modificar pensamentos disfuncionais diretamente. Essa perspectiva tem se mostrado especialmente eficaz no tratamento de TAG, fobia social e TEPT, proporcionando aos pacientes maior flexibilidade psicológica e resiliência emocional (DA SILVA ALENCAR; DA SILVA CHAVES, 2024).
Portanto, a eficácia da psicoterapia no tratamento dos transtornos de ansiedade não se limita à redução dos sintomas. Ela também desempenha um papel crucial na prevenção de recaídas, ao fornecer ferramentas práticas que capacitam os pacientes a lidarem com futuros desafios de forma mais adaptativa. A aliança terapêutica, definida como a relação de confiança e colaboração entre terapeuta e paciente, é um dos principais preditores de sucesso no tratamento psicoterapêutico, destacando a importância de uma abordagem individualizada e empática (PARIS FEIJÓ et al., 2023).
A aliança terapêutica, embora muitas vezes descrita em termos operacionais ou técnicos, envolve uma experiência relacional que ultrapassa a simples aplicação de métodos. Ela se estabelece no vínculo que se forma entre terapeuta e paciente, onde a confiança, a escuta e a aceitação mútua tornam-se elementos fundantes do processo clínico. Esse vínculo não se constitui por mecanismos padronizados, mas pela disponibilidade do terapeuta em se fazer presente de forma autêntica, oferecendo um espaço em que o paciente possa experimentar-se sem a necessidade de defesas ou performances. É nessa relação que se produz o ambiente propício à emergência de conteúdos emocionais e existenciais que, de outro modo, permaneceriam recalcados ou inexpressivos (PARIS FEIJÓ et al., 2023).
Nesse sentido, a aliança terapêutica não é apenas uma condição que favorece o uso de técnicas, mas um fenômeno clínico em si, com efeitos concretos sobre o curso do tratamento. A qualidade dessa aliança pode influenciar diretamente a continuidade da terapia, o engajamento do paciente e os resultados obtidos. No contexto dos transtornos de ansiedade, em que o medo, o isolamento e a desconfiança em relação ao outro são frequentes, a construção desse vínculo adquire ainda mais relevância. O terapeuta torna-se, nesse processo, uma figura de referência, capaz de sustentar um campo relacional no qual é possível revisitar experiências dolorosas, sem julgamento ou imposição de significados externos (RAMOS, 2021).
Além do impacto sobre os aspectos sintomáticos, a aliança terapêutica permite o acesso a dimensões mais profundas da subjetividade do paciente. Ela oferece uma possibilidade de reparação simbólica de vínculos anteriores marcados por rupturas, negligência ou violência. A repetição, no espaço clínico, de padrões relacionais disfuncionais, quando acolhida e interpretada dentro da relação terapêutica, pode se tornar oportunidade de ressignificação. A experiência de ser escutado, compreendido e respeitado sem condicionamentos externos contribui para que o paciente reconfigure suas formas de se relacionar, não apenas no espaço terapêutico, mas também em sua vida cotidiana (RAMOS, 2021; PARIS FEIJÓ et al., 2023).
Portanto, nota-se que a aliança terapêutica deve ser compreendida como um processo intersubjetivo que se constrói a partir do reconhecimento da alteridade, do respeito à singularidade e da presença ética do terapeuta. Não se trata de um componente acessório ao tratamento, mas de um eixo central em torno do qual o trabalho clínico se organiza. Seu desenvolvimento exige sensibilidade, escuta qualificada e compromisso com o processo do outro, sendo atravessado por afetos, tensões e transformações que não podem ser reduzidos a procedimentos técnicos. Essa compreensão amplia o escopo da psicoterapia, inserindo-a em uma dimensão que não se limita ao tratamento de sintomas, mas que acolhe o sofrimento como experiência humana dotada de sentido.
Assim, apesar das informações sobre a eficácia das intervenções psicoterapêuticas na redução dos sintomas e na reestruturação cognitiva e comportamental, torna-se necessário ampliar a análise para além dos resultados mensuráveis e incluir dimensões que escapam aos modelos técnicos ou mecanicistas de tratamento. Nem toda experiência de sofrimento psíquico pode ser traduzida por categorias clínicas ou respondida exclusivamente com técnicas estruturadas. Diante disso, compreensões que valorizem a singularidade da existência e os sentidos subjetivos atribuídos ao sofrimento assumem relevância. Nesse contexto, abordagens humanistas e existenciais propõem uma concepção ampliada da psicoterapia, compreendendo-a como um espaço relacional, ético e subjetivo, o que será discutido a seguir.
A PSICOTERAPIA COMO EXPERIÊNCIA DE SENTIDO: CONTRIBUIÇÕES DA ABORDAGEM HUMANISTA E EXISTENCIAL
As discussões sobre psicoterapia frequentemente se concentram na eficácia de determinadas técnicas ou protocolos, priorizando intervenções voltadas à modificação de pensamentos, comportamentos e emoções desadaptadas. Embora essa dimensão técnico-clínica seja relevante, ela não esgota as possibilidades de compreensão e intervenção sobre o sofrimento psíquico (VIEIRA et al., 2023).
As abordagens humanistas e existenciais propõem uma ampliação desse horizonte, defendendo que a psicoterapia deve ser também um espaço de escuta do ser humano em sua condição existencial, marcada por angústias, buscas, rupturas e projetos de vida. Nesse modelo, a ansiedade deixa de ser apenas um sintoma clínico e passa a ser compreendida como expressão legítima da existência, reveladora de conflitos com o mundo, com os outros e consigo mesmo (STENZEL, 2022).
A partir da fenomenologia existencial, a psicoterapia não se organiza em torno de categorias diagnósticas fixas, mas a partir da experiência concreta do sujeito. Isso implica reconhecer que o sofrimento não é uma falha a ser corrigida, mas uma vivência situada que exige compreensão, presença e diálogo. A escuta terapêutica, nesse contexto, tem como princípio a suspensão de julgamentos prévios e a abertura àquilo que o outro revela de sua existência. O terapeuta não ocupa uma posição de superioridade técnica, mas atua como alguém que se dispõe a caminhar junto ao paciente em seu processo de autocompreensão, respeitando seus tempos, seus limites e sua singularidade (MACEDOCOUTO; DIAS, 2021).
Em Carl Rogers (1997), esse encontro se estrutura por meio de três atitudes fundamentais: empatia, autenticidade e aceitação incondicional. Tais atitudes, longe de serem meras posturas afetivas, são compreendidas como condições relacionais que favorecem o desenvolvimento de uma relação terapêutica transformadora. A empatia, por exemplo, implica o esforço de se aproximar do mundo interno do outro sem julgá-lo ou interpretá-lo a partir de referências externas. Já a autenticidade diz respeito à coerência do terapeuta entre suas vivências internas e sua atuação clínica, enquanto a aceitação incondicional consiste em acolher o paciente como ele é, sem exigir mudanças para que possa ser valorizado ou reconhecido (ROGERS, 1997).
A psicoterapia, nesse enfoque, não opera a partir da lógica do controle ou da normalização, mas da presença e do testemunho. É o espaço em que o paciente pode dizer o indizível, colocar em palavras o que até então era vivido como ruído, confusão ou silêncio. A escuta clínica torna-se, portanto, um exercício de responsabilidade ética diante do sofrimento do outro, uma vez que permite que o sujeito se reconheça em sua própria narrativa, encontre sentido em sua experiência e elabore novas possibilidades de existência (COSTA; BARROS-FALCÃO; DREHMER, 2022).
Viktor Frankl (2020), ao propor a logoterapia, reforça essa dimensão ao compreender o sofrimento não como algo a ser evitado a qualquer custo, mas como um fenômeno inevitável da existência que pode ser ressignificado a partir da busca de sentido. No contexto dos transtornos de ansiedade, essa proposta adquire relevância ao permitir que os sintomas não sejam apenas vistos como disfunções a serem eliminadas, mas como expressões de uma crise mais ampla de sentido, de um descompasso entre a vida vivida e os valores pessoais.
Frankl (2020) propõe que, mesmo diante da dor, da culpa e da morte, que ele define como as três inevitabilidades existenciais, o ser humano é capaz de escolher a atitude com que irá enfrentá-las. A psicoterapia torna-se, assim, um espaço em que essa escolha é acompanhada, sustentada e possibilitada.
Do ponto de vista existencial, a ansiedade é vista como uma resposta diante da liberdade e da finitude. Segundo Irvin Yalom (2010), o ser humano é lançado no mundo sem garantias últimas, e a consciência dessa liberdade, combinada à inevitabilidade da morte e à experiência da solidão existencial, pode gerar angústia. Essa angústia, por sua vez, não é necessariamente patológica, mas pode se tornar paralisante quando o sujeito não encontra meios de simbolizá-la ou partilhá-la. A psicoterapia existencial não propõe a eliminação dessa angústia, mas sua elaboração, abrindo espaço para que ela se transforme em impulso de mudança, em movimento de responsabilização e em possibilidade de ação no mundo (YALOM, 2010; JACINTHO, 2019).
Outra contribuição importante dessas abordagens diz respeito à crítica aos modelos biomédicos e normativos de cuidado. Ao priorizar intervenções centradas na padronização dos sintomas e na eficácia mensurável, esses modelos tendem a desconsiderar os atravessamentos culturais, sociais e históricos que marcam cada experiência de sofrimento (CAMARGO, 2007; CONTATORE; MALFITANO; BARROS, 2017).
A perspectiva humanista-existencial insiste na complexidade e na singularidade da existência, recusando explicações causais simples e enfatizando o caráter relacional do processo terapêutico. A psicoterapia, nesse entendimento, é tanto intervenção clínica quanto encontro ético, sendo que a transformação não ocorre apenas por meio de técnicas, mas pela construção de uma relação que reconhece e valida a existência do outro em sua totalidade (STENZEL, 2022).
Essa abordagem também encontra ressonância na crítica às práticas psicoterapêuticas que se mantêm distantes da realidade sociocultural dos pacientes. A escuta do sofrimento deve incluir os atravessamentos de gênero, classe, raça, religião, território e afetos que compõem a experiência de cada sujeito. Ignorar esses aspectos pode levar à reprodução de violências institucionais no próprio setting terapêutico (LIMA; LIMA, 2020). Portanto, uma clínica que se pretenda existencialmente orientada não pode estar alheia às marcas do mundo na constituição do sofrimento. Pelo contrário, deve abrir-se à escuta das dores que vêm de fora e de dentro, reconhecendo no sintoma um chamado a compreender e acolher a singularidade da experiência humana.
A clínica humanista e existencial, assim, não opera na lógica da resposta imediata, mas na construção cuidadosa de uma presença capaz de sustentar o que emerge. Trata-se de uma prática que demanda tempo, atenção e disposição para o imprevisível, sem antecipações diagnósticas ou expectativas de produtividade terapêutica. O que está em jogo é o acompanhamento de um processo de desvelamento de si, no qual o paciente pode encontrar formas próprias de significar sua dor, seus vínculos, seus fracassos e suas esperanças. Nesse sentido, a psicoterapia torna-se não apenas um dispositivo clínico, mas uma possibilidade concreta de reinvenção de si e de retomada da existência (SILVA, 2023).
Considerando essas contribuições, percebe-se que a psicoterapia, mais do que uma técnica aplicada a transtornos mentais, é também uma prática relacional que se constitui a partir da escuta do outro em sua complexidade. A perspectiva humanista e existencial amplia a compreensão do sofrimento psíquico ao integrá-lo às condições fundamentais da existência e às relações sociais e culturais que o atravessam.
No entanto, apesar do reconhecimento da importância dessas abordagens, ainda persistem desafios estruturais, técnicos e institucionais que limitam sua efetiva aplicação em contextos diversos. A seguir, serão discutidos alguns dos avanços e obstáculos enfrentados na consolidação da psicoterapia como prática acessível e eficaz no tratamento dos transtornos de ansiedade.
AVANÇOS E DESAFIOS NA APLICAÇÃO DA PSICOTERAPIA
A psicoterapia tem evoluído significativamente nos últimos anos, consolidando-se como uma abordagem indispensável no manejo dos transtornos de ansiedade. O progresso técnico-científico, aliado às mudanças sociais e culturais, trouxe novas perspectivas para a prática clínica, incluindo avanços no uso de tecnologias, a expansão de modalidades terapêuticas e a integração de intervenções. Apesar desses avanços, persistem desafios importantes, como a ampliação do acesso, a superação do estigma associado à saúde mental e a necessidade de adaptar as práticas psicoterapêuticas às diversas realidades culturais e econômicas (DE SOUZA et al., 2024).
Um dos avanços mais significativos é o crescimento da psicoterapia on-line, que tem demonstrado eficácia comparável ao atendimento presencial, especialmente no contexto dos transtornos de ansiedade. A pandemia de COVID-19 acelerou essa transição, tornando os atendimentos remotos uma solução viável para muitas pessoas que, de outra forma, não teriam acesso ao tratamento. A TCC no formato on-line, por exemplo, tem mostrado resultados positivos na redução de sintomas de transtornos como o TAG e a fobia social, permitindo maior flexibilidade e conveniência para os pacientes (PAGUNG et al., 2023). Contudo, a psicoterapia on-line ainda enfrenta desafios, como garantir a segurança e a privacidade das informações, além de exigir maior infraestrutura tecnológica, especialmente em áreas com recursos limitados (PARIS FEIJÓ et al., 2023).
Outro avanço relevante é a integração de intervenções baseadas em tecnologias digitais, como aplicativos de saúde mental e programas de terapia digital. Essas ferramentas oferecem suporte adicional entre as sessões de psicoterapia, permitindo que os pacientes pratiquem técnicas aprendidas em terapia, como exercícios de relaxamento e reestruturação cognitiva, em seus próprios ritmos. Além disso, os aplicativos podem monitorar sintomas em tempo real, fornecendo dados úteis para os terapeutas ajustarem suas abordagens (QUAGLIATO; NARDI, 2022). Apesar disso, a adoção dessas tecnologias enfrenta limitações, como a falta de regulamentação adequada e a necessidade de garantir que essas ferramentas sejam baseadas em evidências científicas.
A integração de abordagens psicoterapêuticas e farmacológicas representa outro campo de avanço importante. Embora a psicoterapia seja o tratamento de escolha para muitos transtornos de ansiedade, a combinação com medicamentos é frequentemente necessária em casos mais graves ou resistentes ao tratamento. Estudos indicam que a psicoterapia associada a antidepressivos e benzodiazepínicos pode acelerar a redução dos sintomas iniciais, enquanto a terapia psicológica proporciona mudanças de longo prazo, como maior resiliência emocional e habilidades de enfrentamento (LISBOA et al., 2024). No entanto, a integração efetiva requer uma comunicação eficaz entre os profissionais de saúde, o que pode ser um desafio em sistemas fragmentados de atendimento (ESPÍNDULA et al., 2023).
A psicoterapia assistida por substâncias, como o uso terapêutico de MDMA no tratamento do TEPT, é outro avanço inovador que tem despertado interesse. Essa abordagem combina intervenções psicoterapêuticas com substâncias que auxiliam na exploração emocional e no processamento de memórias traumáticas. Ensaios clínicos recentes têm mostrado resultados promissores, especialmente em pacientes que não respondem a tratamentos convencionais (FURQUIM, 2022). No entanto, essa prática ainda enfrenta barreiras regulatórias e éticas, além de exigir treinamento especializado para os terapeutas que a aplicam.
O campo da psicoterapia também tem avançado no desenvolvimento de abordagens baseadas em aceitação e mindfulness, como a ACT e a Terapia Comportamental Dialética (DBT). Essas modalidades oferecem ferramentas para que os pacientes aprendam a lidar com pensamentos e emoções desconfortáveis de forma mais adaptativa, sem tentar suprimi-los ou evitá-los. Estudos mostram que essas abordagens são especialmente eficazes para transtornos como TAG e fobia social, além de oferecerem benefícios gerais na promoção do bem-estar psicológico (DA SILVA ALENCAR; DA SILVA CHAVES, 2024). A implementação dessas terapias, no entanto, exige treinamento intensivo dos profissionais, o que pode limitar sua disseminação em contextos com poucos recursos.
Os desafios culturais e sociais também desempenham um papel central na aplicação da psicoterapia, particularmente em regiões onde o acesso aos serviços de saúde mental é limitado ou onde existem barreiras culturais que dificultam a busca por ajuda. Em muitos contextos, o estigma associado à saúde mental ainda impede que indivíduos reconheçam a necessidade de tratamento ou se sintam confortáveis em iniciar a terapia (RÓS; DE CARVALHO FERREIRA; GARCIA, 2020). A educação da população e a inclusão de práticas culturalmente sensíveis são fundamentais para superar esses desafios e garantir que a psicoterapia seja acessível a todos os grupos.
Além disso, o campo enfrenta o desafio de ampliar a formação de profissionais qualificados. A prática da psicoterapia requer não apenas conhecimentos teóricos, mas também habilidades práticas e interpessoais que demandam anos de treinamento. A crescente demanda por serviços psicoterapêuticos, especialmente em áreas afetadas pela pandemia, exacerbou a escassez de profissionais capacitados (DE ALMEIDA; JUNIOR; CARDOSO, 2023). Investimentos em programas de formação e supervisão clínica são essenciais para atender a essa demanda e garantir a qualidade do atendimento oferecido.
Outro obstáculo relevante é a limitação financeira enfrentada por muitos pacientes. Embora a psicoterapia seja amplamente reconhecida por sua eficácia, seu custo frequentemente impede o acesso, especialmente em países onde não é subsidiada por sistemas públicos de saúde ou planos de seguro. Modelos de intervenção de baixo custo, como psicoterapia de grupo ou programas baseados em comunidades, têm sido sugeridos como alternativas viáveis para contornar esse problema (LISBOA et al., 2024). Contudo, essas opções ainda precisam ser mais amplamente implementadas para atender à crescente demanda.
Por fim, a avaliação contínua da eficácia das intervenções psicoterapêuticas é essencial para garantir que as práticas estejam alinhadas com as necessidades dos pacientes e os avanços da ciência. O desenvolvimento de métodos padronizados para avaliar resultados, como questionários de autorrelato e medidas de desempenho funcional, é uma prioridade para pesquisadores e profissionais da área (MARIOTTI et al., 2023). Essa avaliação também ajuda a identificar lacunas no tratamento e a direcionar esforços para novas abordagens e treinamentos.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os transtornos de ansiedade representam um desafio significativo no campo da saúde mental, devido à sua alta prevalência e aos impactos negativos que exercem sobre os indivíduos e a sociedade. Este artigo evidenciou que a psicoterapia desempenha um papel central no manejo desses transtornos, destacando-se como uma ferramenta essencial tanto na redução dos sintomas quanto na promoção de estratégias duradouras para o enfrentamento de situações desafiadoras. Abordagens como a Terapia Cognitivo-Comportamental, a Terapia de Aceitação e Compromisso e a psicoterapia psicodinâmica demonstraram eficácia em diferentes condições, contribuindo para a personalização do cuidado e para o aumento da qualidade de vida dos pacientes.
Os avanços tecnológicos, como a expansão da psicoterapia on-line e a utilização de aplicativos digitais, trouxeram novas possibilidades para ampliar o acesso aos tratamentos, especialmente em contextos em que as barreiras geográficas e financeiras dificultam o acompanhamento presencial. Além disso, a integração entre intervenções farmacológicas e psicoterapêuticas apresentou resultados promissores, principalmente em casos mais graves, permitindo uma abordagem multidimensional e mais abrangente.
Apesar disso, os desafios relacionados ao acesso, à formação de profissionais qualificados, ao estigma social e às diferenças culturais ainda limitam o alcance da psicoterapia para todas as populações. A superação dessas barreiras requer investimentos em políticas públicas, maior conscientização sobre a importância da saúde mental e o desenvolvimento de estratégias que tornem os serviços psicoterapêuticos mais acessíveis e inclusivos.
Em conclusão, este estudo reforça a relevância da psicoterapia como um componente indispensável no tratamento dos transtornos de ansiedade, ao mesmo tempo em que destaca a necessidade de esforços contínuos para aprimorar e democratizar o acesso a essas intervenções. A valorização da saúde mental deve ser uma prioridade, tanto no campo acadêmico quanto na prática clínica, para que um número cada vez maior de pessoas possa se beneficiar dessas ferramentas e alcançar uma vida mais equilibrada e satisfatória.
REFERÊNCIAS
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1Graduada em Geografia – UNIR. Graduanda em Psicologia – FIMCA-Unicentro de Jaru/RO.Acadêmico do curso de Bacharelado em Neurociências UNICORP – Instituto Angricano de Ensino pela Instituição Conhecimento Integrado. Pós-graduada em Ciências Sociais com ênfase em Geografia, História e Meio Ambiente, FACISA – Faculdades de Ciências Sociais Aplicadas, EAD e as Novas Tecnologias Educacionais, Neuropsicologia, Psicologia Forense Jurídica, Gestão Escolar: Mediação e Conciliação de conflitos – BookPlay.Pós-Graduada em Psicologia Existencial Humanista e Fenomenológica, Psicologia Humanista Centrada na Pessoa da Dom Alberto, Psicologia e Criminologia e Docência do Ensino Superior e Metodologias Ativas, Faculdade Metropolitana, Graduanda em Psicologia Clínica Centro Educacional Faveni,, Psicologia Hospitalar, Psicologia em Neurociências, Psicologia Positiva Faculdade BookPlay. Pós – Graduanda – Lato Sensu – Mestranda em: Neurociências – Conhecimento Integrado , Doutoranda em Aconselhamento em Saúde Mental e Ética Cristã- UNI CRISTIAN – CRISTIAN SCHOOL OF ORLANDO- FLÓRIDA . ORCID: https://orcid.org/0009-0002-7007-063X. Lattes: http://lattes.cnpq.br/7518084071059924. E-mail: mary9leya@gmail.com
2Graduada em Pedagogia – Fundação Universidade do Tocantins – Graduada em Ciências Biológicas – Unicesumar. Pós Graduada em Novas Tecnologias Educacionais – Faculdades Integradas de Jacarepaguá. Mestrando em Neurociências – Conhecimento Integrado. htts://orcid.org/0009-0002-1595-0845. https://lattes.cnpq.br/9264817669322324 . E-mail. jaelyx@gmail.com
3Graduada em Direito pela Faculdade Barão do Rio Branco – Rio Branco/AC. Graduanda em Psicologia pela Universidade da Amazônia (UNAMA) – Rio Branco/AC. Pós-graduada em Direito Penal e Processual Penal pelo Centro Educacional Damásio de Jesus. Pós-graduada em Inteligência Parental pela Faculdade Focus. ORCID: https://orcid.org/0009-0008-7752-1994. E-mail: alyne.ferreira.rocha@gmail.com
4Graduado em Psicologia pela Saint Leo University (SLU), Flórida. Graduando em Neurociências pela Instituição Conhecimento. Graduando em Psicologia pela UNIFAJ. Pós-graduando em Psicologia Forense pela Faculdade Verbo Jurídico. Especialista em Transtornos de Personalidade pela SECAD ArtMED. Certificado em Psicanálise pela Boston Graduate School. ORCID: https://orcid.org/0009-0076-8533-3750. E-mail: contato@escoladapessonalidade.com
