A IMPORTÂNCIA DA EQUIPE DE SAÚDE BUCAL NO AMBIENTE HOSPITALAR:

THE OF THE ORAL HEALTH TEAM IN THE HOSPITAL SETTING:

REGISTRO DOI: 10.69849/revistaft/cs10202511300157


Acadêmicas: Andrea Laisa Torres Bizetti; Isabella Cardoso; Vitória Prazer.
Orientador: Eduardo Sera


RESUMO

O cirurgião dentista tem um papel de extrema importância atuando no ambiente hospitalar. O cuidado  com o paciente e sua saúde integral estando em um estado de fragilidade é necessário para evitar diversas  doenças, que estão sempre ligadas a um problema inicial, como o aumento de quantidade e a dificuldade  da placa dental, onde pode tornar-se o habitat para os micro-organismos que tenham um potencial  patogênico e assim proporcionando o surgimento de contaminações bacterianas, digestivas, bucais, e  até mesmo respiratórias que prejudiquem o seu quadro clínico. Sendo assim, o objetivo deste trabalho  é descrever sobre a necessidade do Cirurgião Dentista no âmbito hospitalar, suas funções que trazem  sim uma grande melhoria para o paciente como um todo, principalmente em pacientes que estão na UTI.  Foram feitas pesquisas no Google Acadêmico e SciELO com o objetivo de identificarmos artigos  científicos com abordagem ao tema específico. Portanto, no fim dessa revisão de literatura, é possível observar que o Cirurgião Dentista possui um papel de suma importância no âmbito hospitalar, atuando na prevenção e solução das infecções bucais, que podem se agravar para uma infecção hospitalar. 

Palavras-chave: Odontologia Hospitalar. Unidade de terapia intensiva. Infecções Hospitalares.  Higiene Bucal. Pacientes internados. Infecções Respiratórias. Odontólogos.  

1. INTRODUÇÃO 

A definição de hospital é muito extensa, ele é integrante de uma organização médica e social,  na qual sua finalidade consiste em oferecer à população uma assistência médica sanitária  completa, em serviços com ações curativas e preventivas, observando o paciente como um todo,  cujas ações se difundem até o meio familiar. Com isso o hospital também pode ser visto como  um centro de formação do pessoal da saúde e investigações biológicas e psicossocial. Sendo  assim dentro dos hospitais existem grandes desafios para o seu funcionamento, o maior desafio está relacionado ao funcionamento que é proporcionar um atendimento clínico efetivo, acolhedor e humanizado por meios de modos tecnológicos seguros que seja viável e favorável para a instituição (MANUAL DE ODONTOLOGIA HOSPITALAR DO CRO, 2020). A  odontologia hospitalar se define por uma quantidade de ações preventivas, diagnósticas e  doenças orofacial. Manifestações bucais podendo ser de origem sistêmica ou de sequelas de  seus respectivos tratamentos. De acordo com a resolução N°162/2015, feita pelo Conselho  Federal De Odontologia, a mesma foi reconhecida como uma nova área de atuação dentro da  profissão se tornando uma especialidade com atribuições: Cuidado do paciente cuja uma doença  sistêmica que é de fator de risco para agravamento e/ ou instalação de doença sistêmicas; Participação de decisões da equipe multiprofissional, sendo elas: internações, diagnóstico, solicitações de exames, prescrição, intervenção odontológica, acompanhamento e alta, de  acordo com a Resolução CFO-003/99 (art.6) sendo responsável por certa decisão em e  intervenção na cavidade bucal em conciliação com essa equipe; expor as informações em  prontuário, de acordo com as regras dos hospitais; proporcionar ações em saúde bucal junto à equipe de cuidados em pacientes hospitalizados (profissionais, familiares e cuidadores)  (MANUAL DE ODONTOLOGIA HOSPITALAR DO CRO, 2020). 

Uma das principais áreas de participação do cirurgião dentista no ambiente hospitalar, é nas  unidades de terapia intensiva, onde em 2008 pelo projeto da lei 2776/2008, tornou obrigatório  a presença dos cirurgiões dentistas nas UTI´S. As UTI´s surgiram em um contexto de aprimorar o atendimento aos pacientes que tinham sua saúde em estado debilitado, entretanto  ainda com chances de recuperação (OLIVEIRA et al, 2021). Tendo em vista, vale ressaltar que  a presença dos cirurgiões dentistas no âmbito hospitalar proporciona a evolução na qualidade  de vida dos pacientes. (MANUAL DE ODONTOLOGIA HOSPITALAR DO CRO, 2020). 

Dessa forma a presença dele possibilita manter uma higienização bucal adequada, verificação  de exames específicos e mais detalhados, oferecimento de acompanhamento clínico e  tratamento específicos e podendo assim diminuir vários tipos de infecções, reduzir custos,  tempo de internação e uso de antibióticos (MANUAL DE ODONTOLOGIA HOSPITALAR  DO CRO, 2020). 

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA OU REVISÃO DA LITERATURA 

No contexto vigente da odontologia, entende-se que o trabalho da odontologia hospitalar tem o objetivo  de integrar-se a equipe multiprofissional de saúde, visando o tratamento integral do paciente,  contribuindo para redução da mortalidade, do tempo de internação e dos custos hospitalares (GOMES  & ESTEVE, 2012).

Além disso, a importância do CD deve ser estendida aos outros níveis de atendimento hospitalar, pois  se faz presente diversas patologias que podem ser identificadas e tratadas através da consulta  odontológica (MARÍN, LANAU & BOTTAN, 2017).  

A cavidade bucal é uma das janelas de interação entre o corpo humano e o meio externo. Cada região  da cavidade oral possui uma flora microbiana diferente, portanto alguns fatores podem afetar a saúde  geral do indivíduo, pois algumas doenças sistêmicas estão relacionadas a bactérias orais (PENG et al.,  2022). 

Pacientes que se encontram na UTI apresentam fatores que facilitam uma higiene oral mais precária,  como a restrição da limpeza natural gerada pela mastigação, diminuição da movimentação da língua,  redução do fluxo salivar em decorrência de uso de determinados medicamentos, como também, o uso  do tubo traqueal e a própria impossibilidade de realizar a sua própria higiene oral. Todos esses fatores  auxiliam a formação de biofilme, por exemplo, fator imprescindível para o desenvolvimento de afecções  bucais (NEVES et al., 2021). 

A falta de higienização é um dos principais fatores que favorecem a interação dos microrganismos  nativos com os patógenos respiratórios, facilitando o surgimento de doenças respiratórias, sendo a  pneumonia nosocomial a mais comum. Além disso, a investigação na área da saúde mostra a inter relação das doenças periodontais com as doenças sistêmicas (OLIVEIRA et al., 2015). 

Com isso, as bactérias bucais podem ser consideradas fatores etiológicos dessa doença (SOUZA et al.,  2019) Foi relatado que os pacientes hospitalizados podem apresentar má higiene bucal e que essa  ausência de atenção pode resultar na quantidade e complexidade do biofilme dental (ARAÚJO RJG,  VINAGRE NPL, SAMPAIO JMS et al; 2006). 

A condição de higiene bucal deficiente resulta em uma série de doenças bucais, como a periodontite e  gengivite proporcionando focos de infecções que permitem maior risco de complicações locais e  sistêmicas (SANTOS PSS, MELLO WR, WAKIM RCS, PASCHOAL MAG et al., 2009). 

É notório uma relação importante entre o estado de saúde bucal e a saúde geral sendo assim estabelecida  na literatura uma relação entre a presença de quaisquer doenças bucais com aparecimento ou a piora de  condições sistêmicas (RODRIGUES, MALACHIA E PACHECO7). 

De acordo com o Código de Ética Odontológico, é dever do cirurgião dentista especializado em  Odontologia Hospitalar, internação e acompanhar os pacientes em hospitais públicos e privados, com ou  sem caráter filantrópico, considerando as normas técnico-administrativas das instituições (CONSELHO  FEDERAL DE ODONTOLOGIA et al; 2012). 

A cavidade bucal retrata o maior meio de comunicação do meio ambiente com o organismo, tendo cerca  de 500 diferentes tipos de microrganismos colonizando a área. Com o imuno comprometimento do  paciente, muitos destes microrganismos manifesta seu potencial patogênico aumentado, portanto as doenças periodontais graves e candidíase (DE SOUZA ELB, LOPES JCA, JUNIOR AAG, SILVA  KLM, SILVA ARS, SILVA EF et al., 2006). 

A higiene bucal insatisfatória dos pacientes na UTI em função de diversos fatores relacionados à  restrição da limpeza natural da boca, redução do fluxo salivar pelo uso de alguns medicamentos, e na  maioria das vezes, a presença do tubo traqueal, que dificulta o acesso à cavidade bucal amplificando a  presença do biofilme (SILVA et al 8).

Quando não há cuidados odontológicos em um paciente de UTI, pode existir proliferação de bactérias e  fungos no meio oral, envolvendo a saúde e recuperação do paciente, pois a internação em UTI resulta  em alterações que mudam a microbiota e favorece as infecções fúngicas. Pinheiro e Almeida3 relataram  que a manutenção da saúde bucal visa ao tratamento global do paciente, visto que a cavidade bucal é a  primeira porta de entrada para microrganismos patógenos respiratórios (OLIVEIRA E AZEVEDO5). 

Indivíduos que apresentam doenças bucais crônicas, como periodontite, possuem maiores chances de  desenvolverem ou descompensar doenças sistêmicas como diabetes, hipertensão, acidente vascular  cerebral (AVC), doenças renais e pneumonia. Essas doenças são provenientes da disseminação de microrganismos que podem estar presentes em infecções bucais. (NEVES et al., 2021). 

Os patógenos da periodontite por meio dos tecidos da inflamação periodontal podem adentrar na  circulação sanguínea, por exemplo, causando infecções generalizadas, por exemplo, piorando a  condição do paciente (PENGET al., 2022). 

Nessa perspectiva, a saúde bucal do paciente tem se mostrado, cada vez mais, como fator primordial  para a manutenção da sua saúde sistêmica. Com relação a isso, a Odontologia vivencia uma era holística  em que o CD, com novas especializações e enquadramento na equipe interdisciplinar se mostram em  uma nova vivência clínica agora, na qual a atividade ocupacional não possui apenas o cuidado e  avaliação da boca e os dentes, mas busca o quadro clínico do paciente como um todo, que pode estar em  risco pelo despreparo de profissionais em enfrentar determinadas situações no âmbito hospitalar. (DE  MELO GONÇALVES et al, 2021; LEITE, PROPÉRCIO & ROCHA, 2022; SOUSA, et al., 2014;  VILLAR et al., 2016). 

Neste contexto, a Odontologia Hospitalar obtém uma grande importância na equipe multidisciplinar de  saúde, o que é essencial para a terapêutica e a qualidade de vida dos pacientes hospitalizados, procurando  uma aproximação integral e não somente nos aspectos relacionados aos cuidados com a cavidade bucal  (DE MELO GONÇALVES et al, 2021; SOUSA, et al., 2014). 

O cirurgião dentista na equipe multidisciplinar do ambiente hospitalar é de suma importância, tendo em  vista que a aplicação dos conhecimentos que esse profissional apresenta no que se refere à manutenção  da saúde oral auxilia de maneira positiva no restabelecimento da saúde geral de pacientes hospitalizados (SANTANA et al, 2021). 

O paciente necessita de cuidados especiais para realizar uma boa higiene bucal e evitar a presença de  mau-hálito, cárie, gengivite e tártaro, o que requer a presença de um Cirurgião-Dentista e de outros  profissionais em equipe multidisciplinar para a tomada de decisões conjuntas, consolidadas na compreensão das condições fisiológicas e psicológicas dos pacientes, visando sempre o conforto do  mesmo (ARAÚJO et al., 2009; FREITAS, 2020). 

As preeminentes tarefas da equipe de saúde bucal na UTI é a atenção aos pacientes com traqueostomia  ou intubação traqueal. A equipe de intervenção odontológica deve aperfeiçoar o cuidado da cavidade  bucal dos pacientes submetidos ou não à ventilação mecânica, com a atuação de escovação dentária e  da língua, e aplicação de gluconato de clorexidina a 0,12% em toda a mucosa bucal, gengivas, dentes,  língua e palato e umidificação da cavidade bucal e lábios (CHEN et al.,2017). 

O uso da clorexidina 0,12% ainda é o agente mais efetivo para controle do biofilme dental, sendo assim  trazendo uma boa substantividade, pois se adere às superfícies orais, mostrando efeitos bacteriostático até 12 horas após seu uso (TARTARI et al.,2018).

O ramo da odontologia tem como objetivo a atuação na promoção da saúde, prevenção, diagnóstico e  tratamento de doenças orofaciais, de indícios bucais de doenças sistêmicas ou de consequências de seus  respectivos tratamentos. Parte desse objetivo vem ao encontro da lei nº 11.889 de 24 de dezembro de  2008 que regulamenta a profissão do Técnico em Saúde Bucal (TSB), mostrando algumas aptidões e  competências que podem ser executadas pelo TSB quando supervisionado por um cirurgião-dentista  (CD) (BRASIL, 2008). 

A Odontologia Hospitalar pode ser entendida por cuidados das circunstâncias bucais por equipes  multidisciplinares nos atendimentos de alta complexidade. A equipe de saúde bucal instalada no hospital  permite a melhora do desempenho da assistência ao paciente e o aumento do atendimento de saúde bucal  à população. A presença da equipe odontológica objetiva os cuidados das alterações bucais nos pacientes  que exigem procedimentos com o intuito de atenuar o risco de infecções; melhora na qualidade de vida;  reduz o tempo de internação; diminuir o uso de medicamentos ou mesmo da nutrição parenteral (GODOI  et al.,2009). 

Ainda que, saber da importância da interferência odontológica no contexto hospitalar e das políticas  públicas em saúde determinam a participação da equipe de saúde bucal nos três níveis de atenção à  saúde dos cidadãos, a presença desses profissionais na equipe hospitalar ainda é muito restrita  (MATTEVI et al.,2011). 

No decorrer da internação, a promoção de saúde bucal visa à assistência humanizada e integral ao  paciente, proporcionando aprendizado e motivando-o na geração de excelentes hábitos (GODOI et  al.,2009). 

Essas condutas têm se mostrado importantes na incorporação do costume de higiene bucal dos pacientes  à rotina hospitalar, limitando o biofilme dentário e, consequentemente, o risco de infecções provenientes  do biofilme dental (BARBOSA et al.,2010). 

Além disso, é visto que algumas das doenças sistêmicas mostram manifestações bucais que predispõem  ao desenvolvimento de processos patológicos, resultando o equilíbrio saúde-doença muito mais frágil  (RAUTEMAA et al.,2007). 

O Cirurgião Dentista se depara com uma nova realidade, em que o capacitado da área não deve só  analisar a boca, mas sim o estado de saúde do paciente de uma forma geral. O dentista deve estar  qualificado para poder atuar no âmbito hospitalar. Neste contexto, cada vez mais a Odontologia  hospitalar vem crescendo e ganhando a importância com a equipe multiprofissional, do qual é  indispensável para a melhor forma terapêutica e qualidade de vida devido suas particularidades nos  pacientes debilitados que se encontram hospitalizados, trazendo uma melhor aproximação integral não  só dos pacientes como também com os familiares (ASSIS A, 2012). 

Conforme a Organização Mundial de Saúde (OMS), a palavra hospital tem o seguinte conceito: é local  público ou particular aparelhado com todos os meios médicos e cirúrgicos para o tratamento dos doentes,  cuja função consiste em promover à população uma assistência médica sanitária completa, tanto curativa quanto preventiva, podendo ser também domiciliar, onde os serviços externos espalham até o âmbito  familiar”. (PACHECO et al., 2017). 

Além disso, defendendo que a incorporação do Cirurgião-Dentista (CD) na equipe multiprofissional  pode facilitar para a visão holística que deve ser oferecida ao paciente hospitalizado, a fim de prover o  seu bem-estar e dignidade, prevenindo infecções, diminuindo o tempo de internação e o uso de medicamentos, tendo em vista que problemas bucais interferem na saúde geral do indivíduo, assim como alterações sistêmicas podem se manifestar no ambiente bucal (EUZÉBIO et al. 2017). 

De acordo com Conselho Federal de Odontologia (CFO), para atuar em ambiente hospitalar o CD deve  realizar um curso de Odontologia Hospitalar com carga-horária mínima de 350 horas, sendo 50% de  aulas práticas, mas ressalta que o cirurgião-dentista clínico tem competência para cumprir serviços  primários, como a supervisão da rotina de higiene bucal de pacientes críticos (CFO, 2005). Diante disso,  deu abertura com o Projeto de Lei (PL) nº 2.776/2008, que define a presença de profissionais de  odontologia nas UTIs e em hospitais públicos e privados e que se tornou executável após a deliberação  da III Assembleia Nacional de Especialidades Odontológicas (ANEO), em 2014, o Conselho Federal de Odontologia 28 (CFO) reconheceu a Odontologia Hospitalar como campo de atuação para o cirurgião dentista. Por meio da Resolução 162 de 03 de novembro de 2015, o CFO resolveu reconhecer e  normalizar o exercício da especialidade supracitada, determinando a obrigatoriedade de uma habilitação  para agir nesse ramo (JORGE et al., 2018). 

Consta-se que o cirurgião-dentista é o profissional capacitado para diagnosticar patologias da cavidade  oral e doenças sistêmicas com sinais bucais, como os lúpus eritematosos, o câncer e a Síndrome da  Imunodeficiência Adquirida (SIDA, PINHEIRO & SOARES, 2018). 

No contexto atual com o crescente número de investigações da correlação entre saúde bucal e estado de  saúde geral, a visão sobre o trabalho do CD na atenção hospitalar tem sido modificada, pois por muito  tempo a sua importância resumia- se a ações de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (BARROS,  2014). 

Um estudo brasileiro de caráter interventivo, mostrou que a instalação do cirurgião-dentista na equipe  multiprofissional ajudou na melhora no planejamento do tratamento e mensuração do tempo de  internação e prognóstico dos pacientes. Isso porque através da assistência odontológica prevenir  agravos e diminuem riscos de infecção nos pacientes, que poderiam ajudar negativamente o tratamento sistêmico (AGUIAR et al., 2010). 

Em resumo, a atuação do CD abrange aspectos preventivos, terapêuticos e reabilitadores, onde as ações  de prevenção envolvem principalmente a implantação de protocolos de higiene bucal, estabelecimento  de visitas diárias além do exame físico intraoral. Além disso, o diagnóstico de patologias bucais pode  ser realizado pelo CD, por se tratar de um profissional mais preparado para essa função, auxiliando na  terapia, pois diversas situações clínicas requerem adaptações e tratamento das complicações orais,  procedimentos extremamente necessários para promover conforto e melhor qualidade de vida dos  pacientes (SANTANA et al).  

3. METODOLOGIA  

Esse trabalho foi constituído de uma revisão de literatura, na qual busca verificar a importância do  cirurgião dentista no ambiente hospitalar. Os dados foram coletados no período de março, abril e maio  de 2024, e abrangeu publicações de 2017 a 2022, extraídas do Google acadêmico e Scielo. A busca  ocorreu através da utilização dos descritores em ciência da saúde ´´Odontologia Hospitalar´´, “Unidade  de Terapia Intensiva”, “Cirurgião Dentista”, ´´Doenças sistêmicas relacionada a saúde bucal´´ e “higiene  bucal”. Alguns critérios de exclusão para este trabalho foram artigos sem relevância para o tema,  monografias sem relevância científica comprovada, publicações repetidas (duplicadas), publicações  com data inferior a 2017. O período estabelecido foi de 2017 a 2022 para a seleção das publicações.

Foram encontradas 10.500 publicações no Google Acadêmico e 100 publicações no Scielo. Sendo assim  o presente trabalho foi constituído de um total de 10 publicações. 

4. RESULTADOS E DISCUSSÕES OU ANÁLISE DOS DADOS 

A análise das dez publicações selecionadas evidenciou que a presença da equipe de saúde bucal no  ambiente hospitalar exerce impacto significativo na evolução clínica de pacientes internados, especialmente aqueles em Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Os estudos destacam que a cavidade bucal consiste em um reservatório de microrganismos patogênicos capazes de desencadear infecções  sistêmicas, respiratórias e digestivas quando não há controle adequado do biofilme dental. Os resultados  demonstram que a atuação do cirurgião-dentista contribui para a redução da incidência de infecções  bucais e respiratórias, como a pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV). Protocolos de higiene  bucal envolvendo escovação mecânica, uso de antissépticos como clorexidina e remoção sistemática do  biofilme mostraram-se eficazes na prevenção de focos infecciosos. Também se observou que pacientes  imunossuprimidos, oncológicos, diabéticos e submetidos a cirurgias cardíacas apresentam maior risco  de complicações decorrentes de infecções orais não tratadas. A presença do profissional de odontologia  favoreceu a identificação precoce de lesões bucais, como candidíase, mucosites, xerostomia, úlceras  traumáticas e infecções oportunistas, permitindo intervenções rápidas e adequadas. Além disso, a  literatura analisada aponta que a inclusão do cirurgião-dentista nas equipes hospitalares está associada  à redução do tempo de internação, diminuição do uso prolongado de antibioticoterapia, melhor  recuperação clínica e maior conforto ao paciente. Os resultados reforçam que a odontologia hospitalar  não se limita ao cuidado local da cavidade bucal, mas integra a atenção multiprofissional direcionada à  saúde sistêmica. 

Tabela: Principais Aspectos da Odontologia Hospitalar

Dimensão/ TemaDescriçãoBenefícios para o pacientePrevenção de infecções  sistêmicas
Prevenção de infecções  sistêmicas A cavidade bucal como  porta de entrada para  patógenos em pacientes  hospitalizados.Redução de infecções  respiratórias e  sistêmicas.Presença do cirurgião  dentista na UTI previne  infecções.
Cuidados em pacientes  de alto risco Atuação em pacientes  com doenças sistêmicas  (diabetes, HIV/AIDS,  câncer).Diagnóstico precoce e  controle de  manifestações bucais.Odontologia hospitalar é  essencial no manejo  dessas condições.
Cuidados paliativos Atenção à saúde bucal  em pacientes graves ou  terminais.Alívio de dor, melhora na  função oral da vida.Humanização e conforto  no atendimento  hospitalar.
Preparação  para procedimentos  médicos Avaliação bucal antes de  transplantes e cirurgias  cardíacas.Redução de  complicações pós operatórias.Protocolos hospitalares  recomendam avaliação  Odontológica prévia.
Atuação  multiprofissional Integração da  
odontologia com 
médicos, enfermeiros e  demais profissionais
Cuidados holístico e  melhor manejo clínico. Reduz internações e  melhora o prognóstico.
Redução de custos e  tempo de internação Prevenções de complicações orais que agravam o quadro 
clínico 
Menos tempo de  internação e menor uso  de recursos.Estudos mostram  redução significativas de  custos.
Protocolos de higiene  oral em UTIImplementação de  rotinas padronizadas de  higiene oral.Diminuição de  pneumonia nosocomialImportância de  protocolos padronizados.
Humanização do  atendimento Valorização da saúde  bucal como parte da  dignidade do paciente.Melhora do conforto e  bem-estar.Relatos de maior  valorização da presença  do dentista.

A discussão dos resultados confirma a relevância da atuação do cirurgião-dentista no contexto  hospitalar, evidenciando que a saúde bucal está diretamente relacionada ao estado geral do paciente.  Estudos revisados demonstram que o ambiente hospitalar, sobretudo as UTIs, favorece o acúmulo de  biofilme devido à limitação da higiene, à redução do fluxo salivar e ao estado clínico debilitado dos  pacientes, o que intensifica o risco de colonização por microrganismos patogênicos. A literatura indica  que a cavidade bucal funciona como foco primário para infecções nosocomiais, podendo agravar  condições sistêmicas e elevar a morbidade e mortalidade hospitalar. A atuação da equipe de saúde bucal  contribui para reduzir tais riscos mediante a realização de diagnóstico precoce, controle do biofilme e  manejo de lesões orais associadas a doenças sistêmicas e tratamentos farmacológicos. Observou-se que  a abordagem interdisciplinar é um dos pilares da odontologia hospitalar. A integração entre cirurgiões dentistas, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e farmacêuticos fortalece a comunicação  e aprimora o plano terapêutico. Essa visão conjunta favorece a tomada de decisões mais precisa,  especialmente em pacientes críticos, e está alinhada às normativas do Conselho Federal de Odontologia  que regulamentam a prática da odontologia hospitalar. Outro aspecto discutido é a redução dos custos  hospitalares. A literatura demonstra que cuidados odontológicos podem diminuir o tempo de internação,  reduzir infecções secundárias, evitar complicações sistêmicas e minimizar o uso de antimicrobianos.  Assim, o trabalho do cirurgião-dentista constitui estratégia efetiva tanto para o cuidado humanizado  quanto para a eficiência operacional das instituições de saúde. Desse modo, a discussão evidencia que a  odontologia hospitalar ultrapassa a visão tradicional da prática odontológica, reforçando sua importância  como área essencial para a manutenção da integralidade do cuidado, prevenção de infecções e promoção  da melhoria da qualidade de vida dos pacientes internados.

5. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS 

Conclui-se que a inserção da equipe de saúde bucal no contexto hospitalar representa um avanço  significativo na promoção da integralidade do cuidado em saúde. A atuação do cirurgião-dentista e dos  demais profissionais da odontologia dentro do ambiente hospitalar vai muito além da reabilitação  estética ou funcional, ela se mostra essencial para a prevenção, o diagnóstico precoce e o controle de  infecções orais que podem repercutir diretamente na condição sistêmica dos pacientes. 

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